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sábado, 1 de outubro de 2011

Filosofia do Oriente Médio

No Oriente Médio, local próximo ao ocidente e o oriente, teve também muitos pensadores que podemos citar como filósofos. Apesar de poder ser considerados como filósofos orientais por não apartarem pensamento filosófico do mítico, eles tiveram certo contato com o pensamento ocidental, que seria o grego, coisa que os indianos e chineses não tiveram.

A começar por personagens presentes num livro bem presente na vida de até quem é leigo em filosofia, a Bíblia, em especial o Velho Testamento. Nesse contexto encontramos os profetas hebreus, homens escolhidos por Deus para transmitirem sua palavra para o tempo presente deles. Alguns deles podemos considerar filósofos, sendo os profetas Ezequiel, Elias, Jeremias e Isaías.

Fora eles, os vestígios de filosofia que podemos encontrar dentre os hebreus são outros trechos de teor filosófico em toda sua religiosidade junto ao Talmude, onde além de preceitos cerimoniais podemos encontrar lições morais, jurídicas e teológicas.

A partir de Jesus Cristo e com a diáspora do povo hebreu, o pensamento hebreu começa a ter certas influências ocidentais, como o pensamento platônico-aristotélico. Em Cristo isso é mais notório, sendo que seus ensinamentos foram à base do apóstolo Paulo de Tarso e mais tarde da patrística (com Agostinho de Hipona como seu expoente) e a escolástica (com Tomás de Aquino como maior representante), ambas conciliando princípios cristãos com a filosofia ocidental.

O mesmo acontece com Maomé, que embora seu pensamento e teologia tenham inspirado uma religião, o islã, a filosofia islâmica futuramente seguiria influências ocidentais, mais em especial de Aristóteles.

Acontece que não só os hebreus foram os únicos a ter certa atividade filosófica no Oriente Médio; os persas também tiveram. Acontece que na Pérsia ela teve apenas Zaratustra como filósofo, e suas idéias se dividem tanto entre filosofia como na mitologia e religião de seu povo. Pode-se encontrar sua filosofia nos Gathas.

Outra fonte de filosofia nesta região é acreditada ter vindo dos babilônicos, cuja sabedoria daquela civilização é contada por ter sido uma das bases para o desenvolvimento filosófico de Tales de Mileto, o "pai" da filosofia ocidental.

A caracterização de não separação de religião e filosofia é o que mais caracteriza o pensamento oriental, embora os hebreus e persas tenham dado como fundamento de seu pensamento a fé, e não a intuição, como fizeram os indianos e os chineses; ou a razão, como fizeram os ocidentais.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Uma busca por verdade

A palavra verdade possui vastos significados, todos referentes com veracidade em alguma coisa, legitimidade e certeza.  Verdade é tudo que é firmado, a veracidade que sustenta a condição e algo ser, e “o ser” nesse caso seria a firmação de sua eternidade absoluta e real.

A verdade é estudada na filosofia por "partes"; como na metafísica, em que estuda a natureza dela, a lógica que se ocupa em estudar a preservação dela ou a epistemologia, que estuda como conhecemos a verdade.

O conceito de verdade, na filosofia ocidental, surgiu com Sócrates. Antes desse filósofo a verdade não existia para a filosofia, pois as coisas mudavam, tudo fluía pelo devir.  As verdades seriam revelações eternas sobre a vida e as coisas, um conhecimento acerca disto que não é relativo, e sim único e objetivo.

Essa idéia de verdade com instabilidade e eternidade inclusive se tornou importante para a filosofia ao ponto de sua busca ser um dos fins da filosofia. A verdade deve-se ser buscada, todo filósofo visa em seu pensamento buscar aquilo que é verdade sobre o pensar, julgar e outras questões, ao menos as “verdades” para ele apresentadas.

O problema da verdade é saber se existem verdades eternas, pois como veremos, muitos filósofos firmavam que tudo é relativo, e essa subjetividade faria com não houvesse nenhuma verdade eterna, nenhum conhecimento de algo que seja de fato verídico, pois a realidade sempre é de alguma forma particular para quem a reconhece. Nietzsche dizia que não há fatos eternos, assim como não existem verdades absolutas. O filósofo analítico como Frege, Russell e Wittgenstein entram em duvida no absoluto das verdades, contestando se não ou não refutáveis.

Seria a verdade uma ilusão? Não poderíamos dizer que o relativismo ou devir seriam verdades? Pois seguem o princípio de serem fatos inexoráveis e absolutos, logo, poderiam ser verdades. Ou será que não existem verdades que podem ser buscadas e quem as procurem consiga tal esclarecimento? De qualquer forma, a busca por verdade é algo sem fim, insaciado, pois a dúvida cria um caos a nos dividir e confundir, cabendo a nós determinar o que é, se é e se há verdade.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Licença poética na filosofia

Como muitos já devem ter reparado, textos, livros e ensaios filosóficos em muitas coisas possuem trechos e frases representativas.

Essas linguagens figuradas dão certa licença poética para a filosofia, uma forma comparativa e explicativa, servindo principalmente para facilitar o entendimento de teses e idéias importantes que os filósofos passam de seus pensamentos.

Serve também para dar ênfase em certos trechos, se incrementando no significado e interpretação daquilo quando se for levado em sentido literal, interpretativo e refletivo.

Outras figuras de linguagem podem ser introduzidas, que podem de algum jeito pode interferir a interpretação do texto lido primeiramente em sentido literal, o compreendendo gramaticalmente, e em seguida sobre a questão que se trata e o que expõe para quem o lê. Ironias, eufemismos, metáforas, perífrases, alegorias e comparações são alguns exemplos.

Esses recursos, ao mesmo tempo que servem para de algum jeito esclarecer o texto, também pode servir para complicar sua leitura. Seja para fazer o leitor refletir melhor sob uma leitura mais dura ou para de alguma forma propor subjetividade ou até dar ar de graça e humor para o que se lê, mais uma leitura que fica difícil por e para questões de interpretação é comum ter essas finalidades, como também uma forma eufêmica de expressar algum ideal que o filósofo sinta com fervor.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Os pais da filosofia

A filosofia, na tradição ocidental, é datada de ter começado com Tales de Mileto, o primeiro filósofo que se tem registro. Ele é atribuido como “pai da filosofia”, por ser o mais velho filósofo de que se tem conhecimento.

Mais tarde, outros pensadores o sucederiam. Um desses sucessores chegou à nomear essa forma de pensar sobre as questões fundamentais do mundo em si, a chamando então de filosofia, tendo Pitágoras realizado o feito de a nomear como até hoje é chamada.

Bem depois, a filosofia passaria por uma revolução, qual Sócrates realizou. Todos os filósofos após ele até a atualidade então seguem a filosofia de acordo com seus alicerces. Se despreocupou com o devir, a verdade então passou à ser um conceito sólido e concreto, qual os filósofos a partir de então foram convictos. 

Embora Sócrates possua significativa importância para a filosofia, a mesma já existia antes dele. Os pré-socráticos então são os verdadeiros “pais” da filosofia, a mesma responsável da transição que surgia da Grécia mítica para a racional, em outras palavras, do mito à razão. 

No oriente, a filosofia possuem seus pais também. O lendário Fu Xi por exemplo, personagem da cultura chinesa, que é tido autor do I Ching, um livro esotérico e ao mesmo tempo filosófico. Lao Zi e Confúcio, respectivamente figuras inspiradores do taoismo e confucionismo, também podem ser considerados pais da filosofia chinesa.

Na filosofia indiana, várias sábias personagens lendárias ligadas ao hinduismo podem ser consideradas pais da filosofia por lá, como os seis sábios (fundadores das escolas Nyayam Vaisheshika, Samkhya, Yoga, Mimamsa e Vedanta) e o mítico Krishna. Mahavira e Buda também podemos considerar pais da filosofia oriental no espaço indiano, pois ambos foram responsáveis por movimentos religioso-filosóficos inovadores, respectivamente o jainismo e o budismo.

Sidarta Gautama, mais conhecido como Buda, foi o filósofo oriental mais bem sucedido, pois seus ideais se expalharam por vários países asiáticos, no subcontinente indiano, no Extremo Oriente e Sudeste Asiático. 

Emboras as personagens míticas e históricas citadas acima sejam percussoras da filosofia em suas divisões ou tenham contribuido para ela de forma bastante expressiva, o método filosófico em si é a raíz da filosofia; isto é, o pensar, refletir, analisar, questionar, etc.

domingo, 26 de junho de 2011

O direito de pensar

"Reserve o seu direito a pensar, mesmo pensar errado é melhor do que não pensar." - Hipátia de Alexandria

O ato do pensar é valorizado pelos filósofos e intelectuais. Pensar nos faz avaliar nossas certezas e repensar sobre nós e o mundo.

A questão metafilosófica sobre pensar é: "Por que devo pensar? Para que pensar?". A resposta é objetiva. Através do pensar nós refletimos, questionamos e estudamos sobre nossa vida, a visão dos outros e das coisas. O objetivo é formular uma visão de mundo qual o indivíduo pensante a constrói sozinho, resultado do conhecimento aprendido e sabedoria adquirida e aprimorada.

Os pensadores medievais, seguindo o pensamento agostiniano, firmavam que a confirmação da fé deveria estar acima da racionalidade humana, valorizando mais o credo no divino que a intuição do pensamento que o ser humano é dotado.

Seguindo mais adiante, os iluministas conceituavam a razão como ferramenta do pensar, retirando o homem das trevas da ignorância, da superstição, da obscuridade que adoece o intelecto.

Sócrates, defensor da sabedoria como maior virtude ao ser humano, acabou desenvolvendo a maiêutica, método filosófico qual consiste em induzir o pensador a ficar ciente de sua ignorância, o inspirando a buscar o desenvolvimento de suas idéias.

Para este filósofo, o pensar leva a desilusão dos enganos da vida, fazendo o pensante a ter noção do que realmente é necessário para a vida e como deva enfrentar a vida e suas situações.

As pessoas devem, no pensamento socrático, ter liberdade de pensamento e idéias individual, e a justiça deva estar sempre presente nos atos humanos. A justiça e a moral se tornam diretrizes para uma boa conduta.

Platão, seu maior discípulo e escrivão de seus ideais, o defende dizendo que:
Ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que saiba o que não sei.

domingo, 19 de junho de 2011

Hermenêutica: A interpretação da palavra do autor

Quando se trata de interpretar um texto, a hermenêutica é a arte de interpretar no texto o que o autor pretende passar, isto é, tentar compreender o texto dentro do que o autor teve intenção de passar.

A origem do termo alude ao deus grego Hermes, mensageiro dos deuses, qual o título de patrono da comunicação e a linguagem a ele se atribuíam. Esse nome em sua homenagem mostra o quanto a hermenêutica procura ser precisa e quanto tenta ser correta em suas interpretações.

"Como é possível o compreender?" - Wilhelm Dilthey

A frase acima é uma questão fundamental da hermenêutica. Numa interpretação de texto comum é necessário apenas analisar e compreender o que texto quer exprimir, sobre seu assunto e contexto em que os seus elementos se encaixam. A hermenêutica exige um pouco mais, pois é necessário conhecer sobre o autor, sobre sua visão de vida, razões para escrever a obra, sua vida e época em muitos casos também é importante saber a respeito; entre em fim, estudar o escritor.

A estrutura da compreensão hermeneuta mostra como fatos como a época, contexto cultural e outras influências na visão do autor são necessárias para se entender corretamente o que este quis passar em sua escrita.

Hermenêutica não é uma análise subjetiva, e sim um entendimento do outro, não podendo se achar nada com seus olhos, e sim apenas reconhecer o que se fica claro e evidente.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Diferencial de um professor de filosofia

Filosofia é uma disciplina escolar obrigatória desde 2008 pelo MEC, ao menos no Ensino Médio, e é uma matéria não muito atrativa aos alunos, pelo menos normalmente. O gosto do aluno até pode determinar seu gosto ou não pela filosofia, mas normalmente um bom professor desperta o interesse e gosto do aluno pela filosofia. [Ou faz o mesmo perder o interesse, depende do professor!]

Um professor de filosofia deve ter primeiro de tudo gostar de passar conhecimento (gosto por ensinar), pela leitura, escrita e o debate. Se torna essencial sempre procurar mais sobre o que falar, e como passar esse conhecimento, tendo que saber e desenvolver sua didática de ensinar.

É importante o gosto pela leitura, ampliando seu conteúdo para passar aos alunos refletirem e pensar (até mesmo para o próprio professor também), desenvolvendo seus argumentos e teses a respeito do que se estudou.

A didática é importante. Só por que é professor não significa que a pessoa saiba ensinar. No caso de quem ensina filosofia, uma matéria não tão valorizada e agradável à todos, o professor deve incentivar o trabalho do pensamento de refletir e criticar dos alunos por meio de coisas presentes no dia-a-dia, curiosidades ou análises mais profundas do que cerca suas vidas eles notando ou não.

Uma coisa que alguns professores fazem que é aconselhável é introduzir os alunos na filosofia, os introduzindo na estética, metafísica, ética e moral, e o fazer enxergar o uso utilitário da filosofia na vida, o fazendo compreender sobre a sociedade, política, direito, crendice e outras questões de suas vidas e cotidiano.

Embora essas qualidades renderem num bom diferencial, o máximo que um professor de filosofia faz é ensinar filosofia, não a filosofar. Embora consiga passar bem filosofia na teoria e saiba ensiná-la de uma forma atrativa aos alunos, filosofar se aprende sozinho.

sábado, 4 de junho de 2011

Os ensaios

José Ortega y Gasset definiu a produção de ensaios como a "ciência sem prova explícita".

O ensaio é um estilo literário breve, direto, didático, refletivo e crítico, expondo o autor suas idéias. Retrata a defesa de seu escritor sobre determinado ponto de vista, inspirado em sua reflexão, dedução ou provas empíricas.

São escritos em formato discursivo formal ou informal. Quando se é formal, é necessária uma leitura objetiva, didática e metódica, marcada pela crítica. Se for informal requer capricho e dinâmica veicular.

A estrutura básica de um ensaio filosófico se apresenta de forma bem estruturada: Consiste primeiramente em apresentar o assunto a ser argumentado, seguido de teses ao favor da opinião do autor. Deve então em seguida especular e provar os argumentos válidos, suas premissas verdadeiras e concluir o que se foi provado de forma lógica e eloquente.

"Um discurso tem duas partes: temos de apresentar nossa tese e temos de a demonstrar."- Aristóteles

O que Aristóteles quis dizer é que o ensaio possui uma divisão básica, que é expor e explicar a tese que se apresenta (afinal, para isso servem os ensaios).

Um dos mais trabalhados guias relevantes ao preparar e elaboração de ensaio é Fedro, de Platão. Um trecho que enfatiza os cuidados a se tomarem ao escrever um ensaio, segundo Platão:

"Todo discurso deve ser construído como uma criatura viva, dotado por assim dizer do seu próprio corpo; não lhe podem faltar nem pés nem cabeça; tem de dispor de um meio e de extremidades compostas de modo tal que sejam compatíveis uns com os outros e com a obra como um todo."

Mesmo o conceito dos ensaios filosóficos remontarem aos antigos, foi apenas no século XVI, com filósofos como Francis Bacon e Michel de Montagne que os ensaios começaram à se desenvolver melhor, ganhando mais características e particularização de um tratado ou qualquer outro tipo de texto. Montaigne mesmo idealizou em sua obra Ensaios que o gênero literário homônimo qual este foi pioneiro era então apenas um gênero literário de argumentação refletiva pessoal.

Muitos filósofos, à partir de Montaigne e Bacon (do primeiro principalmente), começaram a escrever suas teses com base nos elementos apropriados para se escrever um ensaio cujo o fim é entendimento do leitor. Alguns deles são John Locke, Voltaire, Albert Camus, C.S. Lewis e outros filósofos e escritores. [Os antigos também, mas a noção do que é ensaio começou apenas a ser melhor compreendida com Montaigne. Vários filósofos antigos também foram ensaístas, como Plutarco por exemplo.]

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Mulheres na filosofia

A participação das mulheres na história da filosofia foi bem limitado. O conhecimento esclarecedor é muito visto como prerrogativa do homem, pela mulher ser julgada como um ser mais emocional que o homem, este por sua vez sendo mais racional.

Essa restrição é provocada pelo modelo patriarcal adotado pelos ocidentais desde a antiguidade. Essa herança machista que seguiu com os séculos rebaixa a mulher na sociedade, limitando-a de certas funções.

Na filosofia isso não foi exceção! Pensem bem... As mulheres, bem analisadas, são generalizadamente mais emocionais, e a emoção limita o senso filosófico. Esse conceito cria a idéia de que a mulher, ao menos em maioria, não possuem capacidade para serem filósofas, pois o lado sentimental delas é mais forte que o emocional, tendo o homem filósofo facilidade para equilibrá-los ou de ser mais racional.

Entretanto existem mulheres na filosofia, e algumas até mesmo melhores filósofas do que muitos pensadores homens. Temos como exemplo de mulheres na filosofia , como Theano (a esposa de Pitágoras), Melissa, Temistocléia, Aristocleia, Aspásia, Hipátia, Hannah Arendt, Simone Weil e Edith Stein.

Pensadores homens como Aristóteles e Hegel diziam que a mulher e a filosofia não caminham juntas. Já outros, como Platão e Tomás de Aquino, eram adeptos da capacidade da mulher de ser filósofa.

Em baixo, um vídeo sobre algumas citações de pensadores em respeito às mulheres:

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Metafilosofia

A metafilosofia consiste em filosofar sobre a própria filosofia, isto é, filosofia da própria filosofia.

Um significado para a filosofia é algo até meio que trabalhoso, suas definições e objetivos são simples porém, diversificados. A metafilosofia faz justamente isto, definir o que é a filosofia, predizendo suas funções, limitações, observações, etc.

Segundo Heidegger em "Ser e Tempo", a filosofia que se baseia na experiência ôntica da razão e entendimento ontológico, um conhecimento da realidade baseado na interpretação. O problema controverso da metafilosofia consiste num da própria filosofia, a interpretação de mundo divergente entre os filósofos e pensadores, havendo dificuldade num consenso claro. O que é válido para um não é para outro; conceitos de realidade se tornam relativos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Os pré-socráticos

Os filósofos pré-socráticos, isto é, antecessores de Sócrates, foram filósofos da Grécia Antiga que antecederam ao padrão de pensar que a filosofia seguiria a partir de Sócrates (apesar de alguns contemporâneos socráticos serem considerados nessa linha de pensadores antes dele, assim como os sofistas).

São caraterizados pela sua notória filosofia natural, tendo foco no escopo especulativo aos problemas cosmológicos e ontológicos, buscando entender também o arché (princípio das coisas).

A verdade não era uma coisa sólida para os pré-socráticos, como defendia Sócrates, dizendo que a verdade é única e permanente. Os antecessores de Sócrates diziam que tudo muda, afirmando assim que até mesmo a verdade se torna instável.

Foi a partir de Sócrates que a filosofia ganhou identidade como esta a tem até hoje, diferenciando o pensamento duvidoso e analítico (filosofia) do observador e exato (ciência). O foco dos filósofos gregos e de toda a filosofia ocidental futuramente seriam então a razão, não a natureza.

Filósofos pré-socráticos [Somente alguns]: Tales, Anaxímenes, Anaximandro, Heráclito, Pitágoras, Xenófanes, Empédocles, Zenão, Parmênides, Górgias, Demócrito, Lucrécio e Leucipo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Weltanschauung: A visão que temos de mundo

Visão de mundo (ou weltanschauung, como também costuma ser chamada filosoficamente. welt é "mundo" em alemão e anschauung é "visão") é a orientação subjetiva qual cada um possui, seja particular ou social. É uma perspectiva cognitiva que abrange valores normativos e existenciais.

Uma visão de mundo é construída por explicações sobre o mundo, sejam metafísicas, científicas, espirituais e até éticas.
Todas são descritivas, fazendo uma análise ontológica do mundo, qual a moral, ética, razão e concepção de mundo acabam sendo drásticamente influenciadas pelas respostas obtidas ou aceitas pela pessoa.

Uma explicação do mundo é construída por:
• Uma resposta para questões futuras, como para onde vamos, o que será do meu futuro, o que no meu presente influenciará no futuro...
• Valores ético-morais, princípios, conceitos que fornecem o que fazer, como agir e o que é certo ou não.
• Uma pitada de epistemologia. O que é verdadeiro ou falso, real ou fantasia.
• Preceitos etiológicos [etiologia é o estudo das causas], isto é, procurar (ou dar) significado para suas causas.
• Possuir um significado para o mundo, a essência das coisas. Esta questão é normalmente religiosa, porém, também metafísica.

Com base nisso, podemos afirmar que uma visão de mundo é um conjunto de respostas qual a pessoa responde questões sociais e da vida.



terça-feira, 26 de abril de 2011

O termo "filosofia"

A origem etimológica da palavra "filosofia" é uma composição de duas palavras: philos (φίλος) e sophia (σοφία). A primeira é uma derivação de philia (φιλία) que significa amizade, amor fraterno e respeito entre os iguais; a segunda significa sabedoria ou simplesmente saber. Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber; e o filósofo, por sua vez, seria aquele que ama e busca a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber.

A tradição atribui ao filósofo Pitágoras de Samos a criação desta palavra. Segundo tradição, Pitágoras teria cunhado o termo para modestamente ressaltar que a sabedoria plena e perfeita seria atributo apenas dos deuses; os homens, no entanto, poderiam venerá-la e amá-la na qualidade de filósofos.

Não se sabe ao certo, mais a autoria da criação desta palavra é cunhada normalmente a Pitágoras ou Sócrates.

A palavra philosophía não é simplesmente uma invenção moderna a partir de termos gregos, mas, sim, um empréstimo tomado da própria língua grega. Esse termo já teriam sido empregados por alguns pré-socráticos (Heráclito, Pitágoras e Górgias por exemplo) e pelos historiadores Heródoto e Tucídides. Em Sócrates e Platão, é acentuada a oposição entre σοφία (sabedoria) e φιλοσοφία (filosofia), em que o último termo exprime certa modéstia e certo ceticismo em relação ao conhecimento humano.

sábado, 16 de abril de 2011

A diferenciação de filosofia e ciência

Na Antiguidade o chamado "amor a sabedoria", a filosofia, tinha como finalidade explicar o mundo, porém, em sentindo amplo e geral.

Para entender o que estamos passando, tenha conhecimento que ciência e filosofia são ambas formas de buscar a verdade das coisas, as conhecerem. Filosofia se preocupa com a essência, em conhecer o fundamento principal da vida, do mundo, etc. A ciência busca explicar os fatores, seus detalhes e preceitos que possam ser provados na experimentação.

A filosofia antiga não possuía uma distinção de filosofia e ciência, ou seja, o amor pelo saber e a curiosidade de explicar o mundo que estamos eram uma só coisa.
Isso pode ser notado apenas pelo fato de muitos filósofos (por exemplo, gregos) não terem sido só filósofos (muitos também foram matemáticos, astrônomos, etc; sendo que alguns tiveram contribuição para várias áreas do conhecimento natural).

A obra Física, de Aristóteles, é um exemplo dessa ausência de restrição entre ciência e pensamento livre que havia nessas épocas.

A Renascença que começou a separá-las. A ciência começou então a ganhar particularidade. Esta é teórica, experimental e metódica.
Na filosofia quase tudo não é absoluto, sempre há dúvidas. Na ciência tem que haver exatidão.

domingo, 10 de abril de 2011

Dicas para entender textos e obras filosóficas


Muitos estudantes e curiosos em obras de filósofos costumam reclamar desse tipo de leitura, a julgando como complicada e trabalhosa. Antes de tudo, é preciso saber a importância dos livros filosóficos. A importância deles é de que eles são o suporte material da filosofia, tornando a passagem do conhecimento e idéias possível para os que a refletem.

A finalidade desse tipo de leitura é o entendimento. O recurso mais dispomos para fazer isso é a análise. Analisar uma obra filosófica é necessária descontruí-la no nível linguístico, procurando a reduzir a uma sucessão ordenada de simples frases, em ordem de: Sujeito, verbo e predicado.

Um texto filosófico não é exatamente a priori, mas uma dissetação e tese argumentativa não expositiva, defendendo suas propostas por meio de argumentos. Abaixo, estão dicas para facilitar a sua leitura de um texto filosófico.

Quando se analisa um escrito filosófico, é necessário ao leitor deixar suas crenças de lado. Suas crenças podem transformar em um empecilho o entendimento dos ideais alheios. Deve-se separar às idéias do autor com o que o leitor acredita, pois a crença do leitor pode "alterar" o entendimento daquilo que o filósofo quis passar. [Quando disse em crença não foi no sentido religioso, e sim no geral, o do achar individual do leitor.]

O que atrapalha muitas vezes são as referências de outros filósofos, que caso a pessoa desconheça as mesmas, a compreensão se torna mais difícil ainda.

O contesto histórico muitas vezes também dificulta o entendimento do leitor, por desconhecimento relevante o período qual o autor viveu.

Dependendo do autor, deve levar em consideração também a ironia, parando para analisar mais ainda; tendo que considerar o que ele realmente pode querer ou não dizer.

É bom também procurar o significado das palavras que desconheça e encaixá-las no que determinada parte do texto queira dizer.

Uma boa exegese também é aconselhável, isto é, saber interpretar texto.

E por último uma coisa chamada de hermenêutica, que é a interpretação da palavra do autor. Dependendo do filósofo esta se torna mais difícil, pois devemos trabalhar com vários recursos para chegar a entender o que o autor quer passar.

Ideologia

Um conjunto de idéias e conceitos de um indivíduo, grupo ou até mesmo sociais é uma ideologia. Simplesmente falando, a ideologia é uma forma de pensar. A extensão das ideologias são vastas; sendo políticas, religiosas, filosóficas, intelectuais, etc.

Ela se forma com base nos elementos citados acima, ideais e preceitos, que estes acabam moldando uma forma de pensar. Uma ideologia também pode ser seguida, uma "já pronta", como é o caso de várias.

Uma ideologia interfere no seu idealizador em sua visão de mundo, senso ético, restrição do que considerar aceitável ou não ... Em fim, influencia seu modo de pensar.
Mas isso não significa que uma ideologia tenha que ser necessariamente uma "pronta", pois ideologia nada mais é do que o modo de pensar. Isso significa que cada um tem sua ideologia pessoal, tendo alguma outra interferindo ou não.

"Ideologia!
Eu quero uma pra viver...
♫"

"Ideologia!
Pra viver...
♪"

Abaixo, o clipe da música "Ideologia", do Cazuza:

sábado, 9 de abril de 2011

O pensamento do pragmatismo



O pragmatismo dá ênfase ao pensamento filosófico na aplicação das idéias e de suas consequências práticas de conceitos e conhecimentos; assim sendo por dizer uma filosofia utilitária.

Teve origem no século XIX em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos. Seus primeiros idealizadores e representantes foram Charles Peirce, William James, John Dewey e Ferdinand Schiller. Houveram também outros pensadores seguidamente, tendo como destaque Richard Rorty.

Essa escola de pensamento teve como objetivo primário terminar discussões metafísicas e até por vezes éticas e racionais. Para entender melhor, abaixo está algumas questões que são de caráter pragmatista:

Mas o que isso quer dizer?
O mundo é um ou muitos?
Livre ou destinado?
Material ou espiritual?
Por que as crianças aprendem menos com sermões do que imitando as ações dos pais?
E por que é tão importante revermos nossas crenças a respeito do que acreditamos ser verdade?


Assim, o pragmatismo conforme predito originalmente por Peirce, tem o propósito de fornecer uma diretriz ao pensamento, evitando que a razão em seus altos vôos rumo ao abstrato, se desvencilhe de seu objeto: a realidade, a vida. O método pragmatista, desta forma, se contrapõe às metafísicas de caráter dogmático e propõe que o raciocínio seja guiado por métodos semelhantes aos da ciência, que incluem a observação dos fenômenos, a formulação de hipóteses, os testes práticos e a revisão de teorias. É por isso que o pragmatismo estranha qualquer idéia de verdade e certeza inatas ou absolutas.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Filosofia da linguagem

Essa especialização da filosofia é até assim por dizer bem interessante, pois analisa a relação das palavras, sendo que tudo tem uma palavra, e as mesmas possuem significado.

Os filósofos da linguagem não se ocupam muito do que significam palavras ou frases individuais. Qualquer dicionário ou enciclopédia podem resolver o problema do significado das palavras. O mais interessante é "O que significa para uma palavra ou frase significar alguma coisa?", "Por que as expressões têm os significados que têm?", "Como uma expressão pode ter o mesmo significado de outra?" e, principalmente: Qual o significado de "significado"?

Filosofia da linguagem é o entender e refletir sobre o sentido de como usamos e para que são usadas as palavras. Antes de tudo, devemos pensar em como elas se originaram: Com o desenvolvimento do homem primitivo, começou a haver a necessidade dele saber se comunicar, e daí, a necessidade de identificar as coisas, daí surgindo às palavras.
Trata também do estudo da sintaxe, da semântica, da pragmática e da referência.

Uma obra filosófica de linguagem que é aconselhável é Crátilo, um diálogo da autoria de Platão.
Pensadores como Ferdinand de Saussure, Wittgenstein, Frege, Noam Chomsky são exemplos de grandes nomes do entender o que é a linguagem.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Weltschmerz

Essa palavra é alemã, e pode ser traduzida como "dor(es) do mundo", "cansaço do mundo" e outras traduções de significado semelhante (sendo welt "mundo" em alemão e schmerz significa "dor").

O termo foi usado pela primeira vez pelo escritor romântico alemão Johann Paul Friedrich Richter, denotando um sentimento de perceber e entender a insatisfação que temos na realidade física. Não existindo felicidade absoluta na condição de existência humana (sendo a felicidade dada "aos pedaços", em penas partes e doses), fazendo com isso que o ser humano sofra pela busca insaciável pela felicidade.

É o sentimento de tristeza resultado do pensar das dores e sofrimentos do mundo, comparado com uma empatia ou teodicéia.

Muitos filósofos mostraram ter esse sentimento, independente de suas épocas ou lugares onde viviam, a dor pelos problemas do mundo faz parte dos filósofos.

O próprio Jean Paul (nome artístico de Johann Paul Friedrich Richter) escreveu uma vez:
"Somente seus olhos viram todas as agonias de mil pessoas em suas origens. Esta dor do mundo, ela pode, por assim dizer, apenas para suportar a visão do Santíssimo, que porteriormente remuneramos."

Na psicologia moderna, weltschmerz possui o significado de dor psicológica resultado de um problema para com o mundo, a sociedade ou a vida. Gera depressão, escapismo, triteza e atormento psicológico; equivalenta a anomia.

Frases sobre o sofrimento humano de filósofos notáveis que tinham weltschmerz:

"Se o desejo, que se aloja na raiz de toda a paixão humana, puder ser removido, aí então, morrerá esta paixão e desaparecerá, conseqüentemente, todo o sofrimento humano." - Buda

"A essência da existência é a dor." - Schopenhauer

"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar." - Schopenhauer

"A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita". - Mahatma Gandhi

"Que nobre inteligência assim perdida! O olhos do cortesão, a língua e o braço do sábio e do guerreiro, a mais florida esperança do Estado, o próprio exemplo da educação, o espelho da elegância, o alvo dos descontentes, tudo em nada! E eu, a mais desgraçada das mulheres, que saboreei o mel de suas juras musicais, ter de ver essa admirável razão perder o som, qual sino velho, essa forma sem par, a flor da idade, fanada pela insânia! Ó dor sem fim! Ter já visto o que vi, e vê-lo assim!" - Shakespeare

domingo, 3 de abril de 2011

A escolástica



Uma das correntes filosóficas na Idade Média (famosa Idade das Trevas) foi a escolástica, que à princípio visava buscar conciliar fé e razão .

Esta escola filosófica vigora do princípio do século IX até o final do século XVI, que representou o declínio da era medieval. A escolástica é o resultado de estudos mais profundos da arte dialética (as artes liberais, o trivium e quadrivium), a radicalização desta prática. No começo seus ensinamentos eram disseminados nas catedrais e monastérios, posteriormente eles se estenderam às Universidades, diminuindo o monopólio do conhecimento que a Igreja possuía naquele tempo.

A filosofia da Antiguidade Clássica ganha então contornos judaico-cristãos, já esboçados a partir do século V, quando se teve a urgência de mergulhar mais fundo em uma cultura espiritualizada que se desenvolvia rapidamente, para imprimir a estes princípios religiosos um caráter filosófico, inserindo o cristianismo no âmbito da filosofia greco-romana e neoplatônica.

A escolástica buscava o conhecimento científico e busca racional sem necessidade de "botar Deus, religião e teologia no meio". Isso não significava que os escolásticos deixavam de crer em deus ou coisa assim, apenas contrariava o fanatismo religioso que, por sorte da escolástica, estava diminuindo na época. [O fanatismo religioso fazia parte do cotidiano do europeu medieval. Quase toda hora era Deus, Igreja...E mais Deus!]

Embora prege a desncessidade do fanatismo religoso, a escolástica é ligada com a religião, por se opor ao fervor da mesma e também, por exemplo, ao conceito de predestinação. Alguns escolásticos notáveis são Roger Bacon, Alberto Magno, Bernardo de Claraval, Boaventura de Bagnoregio e Tomás de Aquino.

Tomás de Aquino teve auxílio filosófico da escolástica, acabando por virar o seu mais notório pensador. Ele dizia que o homem é privilegiado pela razão, cabendo a ele mesmo decidir escolher entre o certo e o errado e livre para o bem e o mal.