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sábado, 23 de julho de 2011

A essência arché

A busca pela arché é um dos pontos principais da filosofia pré-socrática, que seria a compreensão do que é e qual é a substância primordial ou principio substancial das coisas, com sabe na razão filosófica e não por justificativa do mito.

Se dividiam entre os monistas e pluralistas, os que não separavam daqueles que separavam a identidade material e etérea das coisas. Porém, todos eram convictos de que todas as coisas de alguma forma mudam, e muitos buscavam a essência das coisas que permitiria esta mobilidade.

Buscavam entender a essência de todas as coisas, o que compõe tudo na natureza e a justificar filosoficamente. As respostas para a arché variam entre os pré-socráticos:

Tales: A Água
A água é o princípio de todas as coisas.

Para Tales de Mileto, todas as coisas eram formadas pela água, que para ele era o princípio de todas as coisas. Apesar de permanecer a mesma, a água modifica seu estado físico (sólido, líquido ou gasoso). Por ser o princípio vital das coisas, tudo seria por ela animado, fluindo assim uma essência etérea para todas as coisas. A água é fundamental para a vida, logo, seria a matéria-prima que tudo constitui.

Tales não sabia, mais 65% do corpo humano é feito de água, sem dizer que ela é fundamental para a manutenção da existência de vida. Sabia que as águas possuem fluxo, uma corrente, assim como a essência material e espiritual das coisas fluem.

Anaximandro: O Ápeiron
O ilimitado é imortal e indissolúvel.

Anaximandro de Mileto não acreditava que uma única substância visível era a essência de tudo material, pois até os elementos determinados e antagônicos seriam então feitos de uma mesma coisa. Essa coisa por sua vez é indeterminada, neutra, a ápeiron.

A ápeiron gera os opostos, é eterna e infinita. Matéria e até seu oposto, antimatéria, seriam formados por uma coisa em comum, uma substância indiferente.

Anaxímenes: O Ar
Como a nossa alma, que é ar, soberanamente nos mantém unidos, assim também todo o cosmo sopro e ar o mantêm.

Anaxímenes de Mileto discordava das teses de seus dois mestre, Tales e Anaximandro, porém, buscou basear a sua tese de matéria-prima em uma síntese entre ambas. O ar seria um elemento mais sutil do que a água, inobservável, mais que sustenta a vida, a respiração sendo testemunha disto. Por rarefação ou condensação se formariam todas as coisas existentes.

Pitágoras: Os Números
O princípio das matemáticas é o princípio de todas as coisas.

Pitágoras de Samos encontrou a resposta para a arché nos números, na matemática. Observou a harmonia nos acordes musicais e notou correspondências aritméticas. Supôs então que tudo na natureza possui proporções que obedecem à matemática. As relações entre quantidades definiriam as propriedades da matéria.

Pode se interpretar a visão de arché de Pitágoras como referência para as proporções que a natureza obedece, como medidas, quantidades, entre outras coisas; ou também para as quantidades dos princípios que variam entre as moléculas, que predetermina as diversas formas e espécies de matéria.

Heráclito: O Fogo
Este mundo, que é o mesmo para todos, nenhum dos deuses ou dos homens o fez; mas foi sempre, é e será um fogo eternamente vivo, que se acende com medida e se apaga com medida.

O fogo é um elemento que dá forma, deforma, cria e destrói ao mesmo tempo; muda as coisas, se encaixando perfeitamente com a filosofia de Heráclito de Éfeso, que dizia que todas as coisas sempre mudam, nada permanece como é. Por essa justificativa, o fogo seria para esse filósofo a essência das coisas, por ser a força geradora da perpétua mudança das coisas.

Xenófanes: A Terra
Tudo sai da terra e tudo volta à terra.

O filósofo Xenófanes de Cólofon defendia que tudo vinha da terra. Todas as coisas vêm da terra e para ela retornam. Vivemos nela, somos enterrados nela quando morremos, as plantas vivem presas a ela, etc.

Seguindo a lógica de Xenófanes, todas as mudanças das coisas são provenientes da terra. Como por exemplo a cadeia alimentar que começa basicamente nas plantas e animais menores, que vivem e saem da terra, e que vai seguindo até os predadores no topo dessa cadeia, que retornam à terra, que ocorre com a morte e deterioração do corpo.

Parmênides: O Ser
O ser é.

Parmênides de Eléia considerava contraditório buscar a essência de tudo naquilo que não possui permanência, como considerou que faziam os outros filósofos. Propôs que a essência está naquilo que permanece, que poderia se converter numa impermanente. O fundamento das coisas seria então aquilo permanente, o que sempre foi, é sempre será; a permanência do que chamou de ser, aquilo que existe é fundamentado pela sua constância.

O ser é a instabilidade de uma coisa, inalterável, a qualidade de imutável que para Parmênides é o ser, a sua arché. O não-ser, ou devir, é a mudança, qual aquilo que muda deixa de ser o que era.

Anaxágoras: As Homeomerias
Todas as coisas estavam juntas, ilimitadas em número e pequenez, pois o pequeno era ilimitado.

As homeomerias seriam como sementes que são a matéria-prima constituinte de tudo existente no mundo. Elas são únicas, e possuem as básicas informações que formam as diversas coisas existentes, como se em cada tipo de matéria tivesse em sua essência um pouco da descrição das outras. Anaxágoras de Clazomena considerava que o que dava formas as diversas matérias seria o resultado da qualidade e combinação das homeomerias.

Para compreender melhor o que seriam as homeomerias, tome como exemplo as células de nosso corpo. Noa informação genética de cada célula do nosso corpo não existe só as informações específicas da parte que ela se integra, e sim, de todas as outras em geral também.

Empédocles: Os Quatro Elementos
"Quatro raízes de todas as coisas: fogo, ar, água e terra."

Empédocles de Agrigento possui o que foi uma revolucionária explicação de arché, pois teve sucesso em conciliar o imobilismo de Parmênides e o mobilismo de Heráclito. Estudou sobre o que os outros filósofos pensavam, concluindo que existem quatro elementos primordiais: Água, terra, fogo e ar. As relações que esses elementos teriam entre si e suas variações derivariam na diversidade da matéria, se resumindo nos princípios de amor e ódio entre elas, respectivamente união e separação.

A  teoria de Empédocles perdurou por séculos, qual muitas e muitas gerações foram convictas de que tudo no mundo se constitui de quatro elementos. Essa teoria só caiu com os químicos dos últimos séculos, que consideravam essa explicação muito simplista e também por estudarem melhor os elementos da química.

Demócrito: O Átomo
Tudo é formado por átomos.

Em conjunto com Leucipo, Demócrito de Abdera teorizou os átomos, que seriam divisões da matéria até o ponto em que ela se tornasse indivisível. Seriam como pedaços de um corpo, objeto, matéria em geral; que vai se dividindo em pequenos pedaços, que diminuem e diminuem até não poderem mais serem partidos, se tornando indivisíveis. Estes pedaços indivisíveis seriam a matéria-prima que forma todo no universo.

Demócrito estava certo, mais a ciência demorou mais de dois mil anos para provar que ele e Leucipo estavam corretos. Entretanto, os átomos não são indivisíveis como eles pensavam que eram; na verdade, são divisíveis, compostos de particulas menores do que eles (prótons, elétrons e neutrons).

domingo, 10 de julho de 2011

Sete Sábios da Grécia

É atribuído a sete filósofos e pensadores da Grécia Antiga, todos eles pré-socráticos, a alcunha de sábios; e todos eles formam juntos o grupo de sete figuras históricas na filosofia grega.

O que os tornam sábios é a rica filosofia, isto é, a sabedoria e esclarecimento que apresentam em suas respectivas visões de mundo. Cada um deles possui um aforisma central, que revela algo sobre a condição mundana.

A lista dos sábios às vezes varia, porém, normalmente os sábios incluídos são: [Respectivamente com um conselho de cada]

Tales de Mileto – “Conhece-te a ti mesmo
Sólon de Atenas – “Mede as tuas palavras pelo silêncio e o silêncio pelas circunstâncias
Cleóbulo de Lindos - "Moderação é a melhor coisa"
Periandro de Corinto - "Seja previdente com tudo"
Pítaco de Mitilene - "Você deve saber quais as oportunidades de escolha"
Quilon de Esparta - "Você não deve desejar o impossível"
Bias de Priene – “A maioria dos homens são maus"

Nunca houve um consenso oficial entre os historiadores sobre quais são este sete sábios. Porém, a descrição destes é registrada no diálogo platônico “Protágoras”.

Os conhecendo melhor...
Tales de Mileto:
A ignorância é incomoda.
Conhece-te a ti mesmo.
Evita os adornos exteriores e procura os interiores.
Perto ou longe, importa lembrar os amigos.
Quem promete falta.
Espera receber de teus filhos, quando fores velho, o mesmo tratamento que dispensaste a teus pais.
Evita as palavras que possam ferir os amigos.
Se és chefe, começa por saber dominar-te.
Evita enriquecer por vias desonestas.

Periandro de Corinto:
Os prazeres são mortais, as virtudes, imortais.
Um lucro desonesto é uma calúnia contra o espírito.
A democracia é preferível à tirania.
Guarda os segredos.
Indaga as palavras a partir das coisas, não as coisas a partir das palavras.
O estudo abarca todas as coisas.

Pítaco de Mitilene:
A ambição é insaciável.
Dá-te ao respeito.
Não reveles projetos para, se falhares, não seres motivo de troça.
Ama a educação, a temperança, a prudência, a verdade, a fidelidade, a experiência, a gentileza, a companhia dos outros, a exatidão, os cuidados domésticos, a arte e a piedade.
Sabe aproveitar a oportunidade
Sábio é quem sabe discernir o futuro; o passado é passado, mas o porvir é incerto.
Não faças o que não gostares que te façam.

Cleóbulo de Lindos:
Aconselha retamente os teus concidadãos.
Cuidado com a língua.
Evitar a violência.
A medida é coisa ótima.
A sabedoria é preferível à ignorância.
Casa com uma mulher da tua condição; se casares com uma rica, em vez de sogros arranjarás patrões.
Que a nossa língua seja bendizente.
Considera inimigo público quem odiar o povo.
Evita acariciar a tua esposa em público; quem a desfruta em público procede mal, mas quem a acaricia, desperta paixões fúteis.

Sólon de Atenas:
Guia-te pela razão.
Aconselha o que for justo, não o que aches agradável.
Respeita os amigos.
Quando souberes obedecer, saberás chefiar.
Se exiges a honestidade dos outros, começa por ser honesto.
Honra pai e mãe.
Mede as tuas palavras pelo silêncio e o silêncio pelas circunstâncias.
Nada em excesso.
Nunca digas tudo o que sabes.
Evita a mentira, confessando a verdade.
Evita o prazer, se ele for causa de remorso.
Procura ser honesto, porque a honestidade é melhor do que uma palavra honrada.
Toma a peito as coisas importantes.

Bias de Priene:
Aprende a saber ouvir.
Fala sempre com propósito.
Reflete nos teus atos.
Sê cuidadoso na realização de um projeto e, uma vez iniciado, prossegue sem desfalecimento.
A maioria é perversa.
Persuade pelo bem, e nunca pela força.
Vê-te num espelho.
Adolescente, sê ativo; velho, sê sábio.
Não sejas, nem mau, nem tolo.
O cargo revela o homem.

Quílon de Esparta:
Não maldigas dos outros, para não ouvires críticas desagradáveis.
Cuida de ti mesmo.
Foge dos entreguistas.
Põe a razão antes da língua.
Quando beberes, fala pouco para não cometeres indiscrições.
Respeita os velhos.
Não desejes o impossível.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ataraxia e a serenidade do espírito

Ataraxia é o termo grego criado por Demócrito, utilizado para nomear a tranquilidade da alma, um estado de espírito ausente de preocupações. Se tornou um elemento chave na filosofia epicurista, estóica e cética; se traduzindo numa verdadeira paz espiritual, livre de inquietação. Ensina a viver dentro do necessário e apropriado, sem ambições grandiosas e desapropriadas.

Além dos três grupos de filósofos citados acima, os epicuristas, estóicos e céticos, os latinos filósofos Sêneca e Marco Aurélio também difundiram o conceito de ataraxia em seu pensamento.

"A vida do justo é pouco perturbada por inquietações, a do injusto é cheia das maiores inquietações." – Epicuro

É um controle das emoções e pulsões, desejos e renúncia às tentações, visando libertar as pessoas de preocupações e da necessidade imediatista de saciar o repulso ao vazio existencial. Isso resulta numa felicidade que embora ainda efêmera, seja baseada pela virtude, não um encobrimento temporário sobre nossos desejos superficiais.

Renunciar as paixões e tentações do mundo induz a um autoconhecimento de um meio ético e estável de se ter prazer natural, uma satisfação que tenha fundamento e algum significado que não seja realizar suas pulsões necessitarias.

"Tenha poucas ocupações, diz o sábio, se quiser levar uma vida tranqüila." - Marco Aurélio
"Depois de nos precavermos contra o frio, a fome e a sede, tudo mais não passa de vaidade e excesso." - Sêneca

terça-feira, 31 de maio de 2011

Corpus aristotelicum

O Corpus aristotelicum ("corpo aristotélico" em latim) é o termo dado aos escritos atribuídos a Aristóteles. Autores da antiguidade mencionavam centenas de obras de autoria aristotélica, porém, muitas destas não chegaram até nós. Apenas quarenta e sete textos, sejam autênticos, autoria duvidosa, espúrios ou até fragmentos.
Os escritos de Aristóteles de Estagira são divididos em dois grupos:

Exotéricos: Escritos destinados ao público leigo, por isso, possuíam estrutura textual introdutória e geralmente feita por diálogos. Destas, apenas a Constituição de Atenas sobreviveu até chegar aos nossos tempos.
Acroamáticas: Obras destinas apenas aos discípulos do Liceu, e escritas em forma de tratados profundamente dissertados a respeito do assunto em tese. Praticamente quase todas as obras de Aristóteles que sobreviveram até nossos dias se enquadram nesta categoria.

[Entretanto, sabia que as obras exotéricas eram mais conhecidas até o século I? Foi somente em 50 a.C. que os escritos acroamáticos foram descobertos, organizados e publicados por Andrônico de Rodes, um peripatético. Ocorre uma reviravolta à partir daí: Aristóteles que era apenas "só um dos discípulos de Platão" passa então a ter grande destaque quanto ao reconhecimento, passando a rivalizar seu mestre, Platão. As obras acroamáticas obscureceram os textos exotéricos de forma que quase se perderam inteiramente.]

Aristóteles foi um dos filósofos cuja filosofia é uma das mais vastas e ricas entre toda história da filosofia. Escreveu sobre várias coisas, como ética, ciência, estética, lógica (o Organon), etc.

Algumas de suas obras que podem ser citadas são Ética a Nicômaco, Do Céu, Da Alma, Física, Categorias, Da Interpretação, Política, Constituição de Atenas, Poética, Metafísica, Retórica, entre outras.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Culto à Orfeu

O orfismo foi um modelo de pensamento do mundo grego antigo, inspirado no exemplo e mito de Orfeu, ícone e referencial desse modelo de pensamento. Foi uma religião, porém, repleta de filosofia.

Era diferente da religião popular grega, o politeísmo deles, qual conhecemos suas crenças através da mitologia grega. Embora diferente ideologicamente e em ritualística, acreditava nos mesmos deuses.
Possuiu influência na filosofia grega, tanto que Eurípedes, Heródoto, Aristófanes, Platão e Aristóteles deixaram escritos dissertando sobre o movimento órfico. [Inclusive a tese da encarnação elaborada por Platão é inspirada na órfica.]

Defendia a imortalidade espiritual e uma eterna felicidade pós-vida, porém, somente depois de uma série de reencarnações, um círculo penoso qual os humanos são presos até obterem esclarecimento (semelhante ao pensamento de religiões orientais).

A concepção da alma humana para os gregos se inspirava na de Homero, qual após a morte a existência perdia seu valor, se perdendo no Hades (praticamente uma extinção total do ser). Para o orfismo ela é a essência da existência, e não a vida terrena.

O reconhecimento dessa verdade e a vida ascética fazia o homem quebrar o ciclo penoso das reencarnações, dando tranquilidade ao espírito.
 
Ascese, a renúncia de prazeres e necessidades supérfluas, foi fundamental para a ética órfica. O desapego aos desejos profano a pessoa enxergar os enganos e problemas da vida, a fazendo trilhar uma vida digna de eterno repouso.
 
Características da alma humana para o orfismo:
• No homem há um princípio divino, uma alma que caiu em um corpo para corrigir uma imperfeição.
• Essa alma não só preexiste ao corpo como também sobrevive a ele, estando destinada a reencarnar em corpos sucessivos até que consiga depurar-se das imperfeições e dos erros que a fazem voltar ao mundo.
• Com suas práticas e ritos simbólicos, o orfismo buscava despertar no homem a compreensão destas verdades, ajudando-o a tomar consciência do que e quem ele é, e motivando-o a tomar ânimo para ter o total controle de sua vida, aperfeiçoando-se e pondo fim ao ciclo das reencarnações (temos aqui, de alguma forma, um eco dos ensinos budistas).

Acreditava que a essência humana era divida, de modo geral, dando a mensagem que somos deuses e devemos voltar à estar entre os mesmos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Os pré-socráticos

Os filósofos pré-socráticos, isto é, antecessores de Sócrates, foram filósofos da Grécia Antiga que antecederam ao padrão de pensar que a filosofia seguiria a partir de Sócrates (apesar de alguns contemporâneos socráticos serem considerados nessa linha de pensadores antes dele, assim como os sofistas).

São caraterizados pela sua notória filosofia natural, tendo foco no escopo especulativo aos problemas cosmológicos e ontológicos, buscando entender também o arché (princípio das coisas).

A verdade não era uma coisa sólida para os pré-socráticos, como defendia Sócrates, dizendo que a verdade é única e permanente. Os antecessores de Sócrates diziam que tudo muda, afirmando assim que até mesmo a verdade se torna instável.

Foi a partir de Sócrates que a filosofia ganhou identidade como esta a tem até hoje, diferenciando o pensamento duvidoso e analítico (filosofia) do observador e exato (ciência). O foco dos filósofos gregos e de toda a filosofia ocidental futuramente seriam então a razão, não a natureza.

Filósofos pré-socráticos [Somente alguns]: Tales, Anaxímenes, Anaximandro, Heráclito, Pitágoras, Xenófanes, Empédocles, Zenão, Parmênides, Górgias, Demócrito, Lucrécio e Leucipo.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O pensamento judaico

O pensamento judaico possui referência no Pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica (Tanakh), a Torá. Esta é a conduta em questão religiosa) e o Talmude (livro rabínico que trata sobre lei, costumes, ética e história judaica).

Essa forma de pensamento foge da matriz grega, que mais tarde passou a ser base de toda a filosofia ocidental.

Essa filosofia é totalmente deísta, ou seja, é automática a aceitação de um deus bondoso, amoroso e justo.

Deus se torna importante nessa tradição filosófica, pois este se relaciona com questões éticas, sociais e até mesmo espirituais que este pensamento prega como verdade. Entendê-lo acaba se tornando algo importante.


Podemos dizer que toda a filosofia judaica está contida, ao menos fundamentalmente, na lei mosaica. O decálogo, leis civis, morais, cerimoniais e outras acerca da tradição hebraica.

A filosofia judaica está repleta de advertências, obrigações e proibições que eram utilizadas pelos hebreus. Não é só religiosa, pois esta também influenciava a moral, lei juridicial e outros pontos.

A história da filosofia hebraica pode ser dividida no tempo do povo hebreu e também depois de sua diáspora no século I.

Antes da diáspora, ela estava contida na própria Tanach (Bíblia Hebraica), além, do Talmude e textos cabalísticos. Livros como o Salmos, Eclesiastes e Provérbios podem ser considerados textos filosóficos deste período do pensamento judaico.

Após a diáspora, o pensamento judaico começa a tomar pequena influência ocidental, sendo que por vez os judeus estavam então "espalhados". Pensadores judeus pós-diáspora notáveis são Filó de Alexandria, Maimônides e Solomon Ibn Gabirol.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O mundo sensível e o inteligível

O observador Platão dividiu a concepção que temos de mundo, concebendo uma dicotómica divisão de mundo: O mundo sensível e o inteligível.

O mundo inteligível é abstrato, formado pelas nossas idéias. Nada mais é que a idéia que temos das coisas, os ideais. No que dizia o próprio Platão, este era "de fato" o mundo, o inteligível, isto é, aquilo que nossa mente absorve de desenvolve.

O mundo sensível é concreto, material, o que tocamos. Seria o mundo onde as coisas ganham formam, recebendo praticamente uma colisão das diversas ideias do mundo das ideias, tornando este formado por ideais instáveis. Nele o que vimos e sentimos são projeções de nossos sentidos.

sábado, 16 de abril de 2011

A diferenciação de filosofia e ciência

Na Antiguidade o chamado "amor a sabedoria", a filosofia, tinha como finalidade explicar o mundo, porém, em sentindo amplo e geral.

Para entender o que estamos passando, tenha conhecimento que ciência e filosofia são ambas formas de buscar a verdade das coisas, as conhecerem. Filosofia se preocupa com a essência, em conhecer o fundamento principal da vida, do mundo, etc. A ciência busca explicar os fatores, seus detalhes e preceitos que possam ser provados na experimentação.

A filosofia antiga não possuía uma distinção de filosofia e ciência, ou seja, o amor pelo saber e a curiosidade de explicar o mundo que estamos eram uma só coisa.
Isso pode ser notado apenas pelo fato de muitos filósofos (por exemplo, gregos) não terem sido só filósofos (muitos também foram matemáticos, astrônomos, etc; sendo que alguns tiveram contribuição para várias áreas do conhecimento natural).

A obra Física, de Aristóteles, é um exemplo dessa ausência de restrição entre ciência e pensamento livre que havia nessas épocas.

A Renascença que começou a separá-las. A ciência começou então a ganhar particularidade. Esta é teórica, experimental e metódica.
Na filosofia quase tudo não é absoluto, sempre há dúvidas. Na ciência tem que haver exatidão.

sábado, 2 de abril de 2011

Os cínicos



A escola filosófica fundada por Antístenes, o cinismo, pregava uma filosofia raíz: O desapego à tudo que for profano é o único caminho para a verdadeira felicidade.

Popularmente o termo cínico é usado para chamar uma pessoa sem pudor, indiferente ao sofrimento e problema alheio; tendo nada haver com o significado filosófico da palavra.

A corrente do pensamento cínico pode ter se originado num episódio da vida de Sócrates (de quem Antístenes era pupilo), qual este passava no mercado de Atenas e comentou: "Vejam de quantas coisas precisa o ateniense para viver."
Cinismo se fundamenta em retornar à natureza, buscar a virtude moral e na idéia de que nada de mundano trás de fato felicidade de verdade. [Antístenes criticava a sociedade e moral de seu tempo.]

Outros cínicos notáveis também foram, por exemplo, Diógenes de Sínope e Crates de Tebas.

Esse pensamento também buscava assim por dizer um estado de autarquia (condição auto-suficiente) no indivíduo, isto é, ser feliz por si próprio, sem depender de nada.

domingo, 27 de março de 2011

O mito da caverna


O mito da caverna tem autoria de Platão, presente em A República, no livro VII. Trata-se da exemplificação e alegoria de como podemos nos libertar da condição de escuridão que nos aprisiona através da luz da verdade.

Para que se possa entender o que esse mito pretende passar, exercite sua imaginação com o que será proposto: Imagine um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.
Ficam de costas para a entrada, sem poder sair, olhando somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens e coisas que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons do mundo exterior, de modo que os prisioneiros os associariam às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade do mundo exterior.

O que aconteceria quando sairam da caverna? Num primeiro momento, a claridade os cegariam. Depois, se adaptariam a claridade, veriam os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, veria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projectadas no fundo da caverna) e que somente agora está a contemplar a própria realidade.

Que lhe aconteceria no retorno? Os demais prisioneiros tentariam ridicularizá-lo, não acreditariam nas suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas gracetas, o espancariam, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam o matando; ou apenas o ridicularizar ao extremo. Mas, quem sabe, alguns poderiam o ouvir e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair da caverna rumo à realidade.

O que o mito da caverna nos passa metaforicamente da condição humana perante o mundo, sendo à educação o conhecimento filosófico bastante valorizado na luta contra a ignorância.
As pessoas na caverna fazem o papel das ignorantes, que interpretam como real aquilo que é apresentado para o mesmo, tendo assim uma perspectiva superficial da realidade.

A caverna seria a visão de mundo superficial que temos, que condicionamentos que constrõem nossa ideologia criam, assim nos "prendendo numa caverna".





quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Método socrático


Socrátes é o dono pioneiro deste eficaz método de interrogação, que acabou tendo seu nome nele.

Seu metodismo consiste em adoptar sempre pelo diálogo, costuma iniciar uma conversação fazendo perguntas e obtendo dessa forma opiniões do interlocutor, que ele aparentemente aceita. Depois, por meio de um interrogatório hábil, desenvolve as opiniões originais da pessoa arguida, mostrando a tolice e os absurdos das opiniões superficiais e levando e presumido possuidor da sabedoria a se desconcertar em face das consequências contraditórias ou absurdas das suas opiniões originais e a confessar o seu erro ou a sua incapacidade para alcançar uma conclusão satisfatória. Esta primeira parte do método de Sócrates, destinada a levar o indivíduo à convicção do erro, é a ironia. Depois, continuando a sua argumentação e partindo da opinião primitiva do interlocutor desenvolve a verdade completa. Sócrates deu a esta última parte a designação de maiêutica - a arte de fazer nascer as ideias. - É este o método que encontramos amplamente desenvolvido nos diálogos socráticos de Platão.

A maiêutica é, para Sócrates, a busca pela verdade no interior da pessoa. O método socrático pode visto nada mais como o meio que Sócrates viu em se desenvolver maiêutica.

domingo, 3 de outubro de 2010

Amor platônico

O que é amor platônico e quando surgiu o termo?


Em um dos mais belos textos da literatura mundial, O Banquete, Platão expôs aquilo que seria a sua doutrina sobre o amor.
A narrativa que rememora uma festa acontecida na casa de um famoso poeta (Agatão) vai desencadear uma série de elogios ao deus que, se acreditava, não havia ainda recebido os louvores dos homens. Assim, o deus foi tido por diversos caracteres, desde o deus mais antigo e por isso bom educador, passando por uma força cósmica universal geradora dos seres, até uma dupla característica, uma vulgar e outra ascética, bem como também o deus mais jovem, mais belo e por isso irresponsável, criador, etc.
Chegada a vez de Sócrates falar, surge o problema: Sócrates não sabe falar bem (eloquência). Ele não sabe elogiar, mas gostaria, na forma dialogada, falar do deus. E sua primeira questão é: o que é o amor? Ou seja, antes de falar se ele é bom ou mau, belo ou feio, se ajuda ou se atrapalha na educação, deveríamos saber o que ele é. Para desconcerto geral, Sócrates define o amor como sendo a busca da beleza e do bem. E sendo assim, ele mesmo não pode ser belo nem bom. Quem ama, deseja algo que não tem. Quando se tem, não se deseja mais, ou se se deseja, deseja manter no futuro, o que significa que não o tem. E todos só desejam o melhor, ninguém escolhe o mal voluntariamente. Logo, o amor é o desejo do belo e do bom. Essa definição permite uma compreensão universal do objeto (o amor). Mas não devemos também acreditar que por não ser bom, o amor é mau. Não é uma conclusão necessária. Para isso, Sócrates vai contar o que Diotima contou-lhe sobre o amor.

Para combater o mito que acabara de escutar da boca de um comediógrafo (Aristófanes - mito da alma gêmea), Sócrates mostra o que aprendeu com aquela que o iniciou nos mistérios do amor. Diotima disse ao nosso filósofo que durante uma festa, todos os deuses foram convidados, menos a deusa Penúria. Faminta e isolada, ela procurou alimento nos restos da festa. Porém, ao ver o deus Astuto, deus engenhoso, cheio de recursos e que estava embriagado, deitado num jardim, a deusa resolveu ter um filho com ele. Nasce daí o deus Eros (ou amor), que assume as características de seus pais. Como sua mãe, ele é pobre, carente, faminto, desejante. Mas como seu pai, ele é nobre, cheio de recursos para alcançar o que lhe aprouver, saciando suas necessidades.

Em um nível cósmico, a função do deus é ligar os homens a Zeus, sendo um intermediário entre eles. Aos deuses, o amor leva as súplicas dos homens, seus anseios, suas dúvidas e necessidades através das preces e orações. Aos homens, o deus do amor traz as recomendações aos sacrifícios e honra aos deuses. Por isso, não sendo nem bom nem mal, mortal e também imortal, o amor é o que nos leva a escolher sempre o melhor, a fazer o bem. Ele morre, como um desejo que se acaba, mas logo nos inflama novamente, renascendo na alma dos homens. Todavia, o que é o belo e o bem que o amor busca?

Para Platão, no nível mais imediato, o amor refere-se à nossa sensibilidade e apetites, principalmente o sexual. Vemos, a partir de um corpo, a beleza, e o desejo de procriar nele. Isso significa, inconscientemente, que o desejo por um corpo belo é a tentativa da matéria de se eternizar. Os filhos são uma forma dos pais serem eternos. No entanto, o belo não é somente o corpo, tanto que logo que esse desejo se esvai, percebemos que outros corpos também nos atraem. Assim, passamos do singular (indivíduo) para o universal (todos os indivíduos). Mas ainda nisso não consiste a beleza, apenas participa da ideia. Para Platão, subimos degraus na compreensão da beleza, dos corpos até as ações nas ciências, nas artes e na política, que expandem a ideia de beleza. Mas ela mesma é uma ideia, norteadora das ações humanas, que dirige as almas para o bem absoluto que não pode simplesmente ser conquistado pelo homem encarnado.

Portanto, o homem, como duplo corpo-alma, jamais conhecerá a verdade de modo absoluto. Isso cabe somente aos deuses. Mas nem por isso deve deixar de se desenvolver. É moral dever agir procurando o melhor sempre. Ao homem, ser desejante intermediário entre os deuses e os outros seres não conscientes, cabe buscar o conhecimento que o aproxime dos deuses, não se deixando fascinar pelo sensível, mas buscando compreender o inteligível, o reino das ideias, o que propriamente é o saber. Assim, naturalmente, o homem é filósofo (ou deveria ser!) buscando a sabedoria, entendendo por isso a melhor forma de usar a parte que lhe é principal – a alma – para agir, ser dono dos desejos, compreendendo a função de cada um e não se tornar escravos desses.