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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Condenados a sermos livres

"O homem é condenado a ser livre." - Sartre

A liberdade é um conceito muito amplo, de uma gama de definições, na filosofia inclusive. O que sabemos sobre ela é que a liberdade é uma condição de despreocupação e total livre-arbítrio, ao menos em teoria. A liberdade seria algo absoluto, ou um jogo de forças maiores está sob ela ou nossa liberdade se faz dentro de certas circunstâncias?

A começar pelo filósofo Jean-Paul Sartre, que em sua obra "O Ser e o Nada" concebe a idéia de liberdade como a escolha incondicional que o próprio indivíduo faz de sua vida e de sua existência. Mesmo quando o ser julga estar sob o poder de forças exteriores grandiosas e poderosas do que nossa vontade, esse julgar é uma decisão livre, pois outras pessoas na mesma situação podem muito bem não se curvar e nem se resignar para essas forças. A liberdade é então algo que mesmo se for involuntário ela se torna absoluta para todos, logo, todos somos condenados a sermos livres.

Nietzsche firmava a liberdade como algo condicional. O homem é livre, desde que sua vontade esteja de acordo com a realidade, como exemplo, de que ninguém pode fazer alguma coisa se ela não pode (como condições fora de seu controle que não permitam tal realização). A vida segundo esse filósofo é um jogo de forças; concentrar e afirmar a vida são os dois meios para se ser livre, em outras palavras, aceitá-la. A liberdade pode ser aproveitada quando a vontade do individuo consegue ser feita de acordo com as condições exteriores ao mesmo, ou à elas se adaptar.

A liberdade seria uma dádiva dada aos seres como uma reivindicação de seu direito de escolha ou será que tudo deve seguir uma incompreensivel ordem natural? A liberdade significa alguma coisa ou é algo em vão, não havendo propósito?

Se somos livres, mesmo que predeterminados para alguma coisa, podemos influenciar em alguma forma o rumo dos acontecimentos. Se nada que acontece possui sentido mais profundo, então a a liberdade é o que faz o ser buscar viver.

domingo, 9 de outubro de 2011

Tudo se transforma

"Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." - Antoine Lavoisier

A famosa frase acima de caráter da ciência química possui interpretação filosófica. Como podemos ver, nada se mantem igual para sempre. Tudo parece estar fadado à um devir inacabável.

Tudo muda, mesmo que essa mudança seja uma mudança mínima e insignificante ou até algo mais grandioso. Continuam de alguma forma sendo elas mesmas, embora sobre outra forma, estado ou condição. Devir é o processo que todas as coisas passam, qual nele tudo muda, não importando em que escala ou detalhes.

Os pré-socráticos, filósofos que adotavam o devir como maior princípio de seus respectivos pensamentos, firmavam que nada é o que é para sempre. Heráclito de Éfeso faz a analogia de que ninguém passa por um mesmo rio duas vezes: O rio quanto localização pode até ser o mesmo, mais as águas que correm por ele já não serão as mesmas. Nem mesmo uma verdade poderia existir com isto, pois ela estaria sujeita a se transformar, como sempre aconteceu e sempre acontecerá; e o devir então seria uma verdade, pois o movimento retilíneo das mudanças é algo perpétuo, imortal.

Tudo é devir, e tudo e qualquer coisa é sujeita a transformação. Assim como alguém que muda de residência, uma substância que muda de estado físico ou qualquer transição que o tempo faça é uma prova que nada jamais será alguma coisa para sempre.

domingo, 2 de outubro de 2011

O suicídio

"O suicídio é todo o caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo praticado pela própria vítima, ato que a vítima sabia dever produzir este resultado." - Émile Durkheim

Uma questão que todo ser vivente pelo menos uma vez já pensou é sobre o significado da vida, e se ela vale a pena ser vivida. Se a vida não tem significado, o que resta para quem vive ter motivo para viver? Se uma vida não vale à pena, o que torna justificável ou não o direito da pessoa cometer suicídio?

Fatores que levam ao suicídio normalmente são “dores da vida”, como falta de significado por decepções e sofrimentos emocionais e outros tipos de problema, qual o suicídio seria a solução para esses problemas. Seria um escapismo existencial, uma negação da vida e suas dores.

A questão do suicídio pode ser bem respondida amplamente pela filosofia. A começar pelos existencialistas, que possuem diversos argumentos a respeito do suicídio, como Albert Camus, que embora o suicídio seja uma forma de dar fim a vida pelo reconhecimento da falta de sentido nela, tirar a própria vida não é vantajoso, sendo que o individuo pode procurar uma motivação de viver. Sartre mostrava uma postura contra o suicídio, por ser um ato que destrói todo o futuro de quem o comete e um mau uso de sua liberdade. Seria um ódio a si mesmo, uma negação irracional de ser.

Platão considerou o suicídio uma "covardia viril e preguiçosa", uma negligência perante a vida e ao ser. Kant dizia que o suicida deve pensar quanto a se matar, pois não seria ético ele apenas estar se importando consigo mesmo. Hobbes firmava que é natural do ser humano a vontade de viver e desejar a felicidade para serem inspirados a viver, e o suicídio nesse contexto seria algo imoral e errado.

Entretanto, há filósofos que defendem o que é chamado de "direito de morrer", qual a escolha de viver ou morrer cabe ao indivíduo. Só porque a pessoa pode viver não significa que em certos casos, como as que possuem doenças incuráveis ou uma angústia muito grande, devam viver e com isso prolongarem seu sofrimento. Essa postura mostra-se tanto uma indiferença como ir a favor do suicídio. Hume é um exemplo de filósofo que defendia o direito de morrer.

Os estóicos consideravam errado o suicídio por uma causa "covarde", mais sustentavam ao mesmo tempo a idéia de morrer pelas próprias mãos é opcional, sendo inclusive melhor e mais correto cometer suicídio do que continuar a continuar vivendo uma vida miserável e assim prolongar a agonia. Confúcio também era pró-suicídio nas condições morais, onde tirar a vida seria um sinal de evitar desonra ao cometer certa postura que em sentido ético e moral é inadequado e vergonhoso. Seus ideais de honra, lealdade e auto-sacrifício encorajariam o suicídio altruísta.

O sociólogo francês Émile Durkheim chegou a escrever um livro que tratava sobre o tema, “O Suicídio”, publicado em 1897. Nesta obra ele fez considerações do suicídio ao âmbito social, fazendo análises sociais que levem ao suicídio.

Estudou as ligações entre os indivíduos e a sociedade e que relações o levariam ao suicídio. Considerou várias coisas, como o meio social onde se faz presente e como nele se integra, fatores integrados culturalmente como religião (sendo que no livro Durkheim fez comparação dentre meios católicos e protestantes, qual firmou que as taxas de suicídio nos lugares predominantes protestantes era maior) e o conceito de anomia. Anomia é traduzida como uma perda de identidade, uma ruptura com valores sociais. Seria um sinônimo de apatia do individuo socialmente quanto a viver, o que poderia, por exemplo, o levar as drogas, isolamento e depressão.

domingo, 25 de setembro de 2011

Corpo e alma

Um assunto com bastante argumentação metafísica é a dualidade entre corpo e alma, o mundano e etéreo, essência e aparência. Há muita contradição e em algumas perspectivas alguns paradoxos entre eles, pois são apontados muitas vezes como instâncias distintas e separadas ou interligadas mesmo que diferentes, dependendo apenas do filósofo.

Platão dizia que o homem vivia sobre dos mundos, o sensível e o inteligível; que é o da matéria e o das idéias. As idéias poderiam estar sujeitas ao que individuo percebesse do mundo sensível, sujeitando as idéias e construções de mundo de um indivíduo com base de sua experiência física. Mesmo assim defendeu o demiurgo, que seria um terceiro mundo, o de verdades que seriam verídicas e eternas, portanto legítimas.

Aristóteles, discípulo de Platão, dizia que sensível e o etéreo andavam juntos e a separação deles seria apenas conceitual. O físico e a essência seriam conciliáveis e as coisas seriam imanentes. Tudo teria dois princípios inseparáveis: A matéria, que seria indeterminada dos seres, e a forma, que seria determinada em si própria. A forma daria as coisas serem o que são por natureza, essencialmente; enquanto a matéria apenas constitui o substrato que permanece.

Epicuro desacreditava na existência da alma, em troca firmando a mente. A mente morria junto ao corpo, quando a pessoa passasse pela mote física, deixando assim de existir como ser e apenas se tornar um corpo sem vida.

Séculos mais tarde, Agostinho de Hipona, influenciado pelo pensamento cristão, firmava a supremacia do espírito sobre o corpo. Deus teria criado a alma para imperar sobre o corpo, direcionando o ser humano para a prática do bem. Entretanto, a pré-disposição natural do homem para o mal o faria submeter o espírito ao corpo, se entregando ao pecado, sendo a intervenção da graça divina uma iluminação para a alma vencer o confronto contra a carne.

René Descartes propôs um dualismo entre corpo e alma, que seria dimensões totalmente separadas, indo contra ao que Aristóteles firmava. Sua metafísica dizia que existiam duas substâncias que seriam presente em tudo: A res cogitans (substância pensante) que seria o espírito, consciência ou mente e res extensa (substância extensa) que a matéria. O dualismo cartesiano propunha uma terceira substância, a res infinita (substância infinita), que seria como deus, só que transcendente do mundo, ou seja, separado de sua criação. Seu dualismo se assemelha um pouco com o mundo sensível, inteligível e demiurgo de Platão.

Mesmo que o corpóreo e o etéreo sejam independentes ou ligados, eles possuem seus próprios fundamentos, que metafisicamente influenciam a natureza humana. Simbolicamente o corpo (ou carne, aparência e afins) seria os instintos primitivos e desprovido de razão em cada ser humano, a exaltação, o hedonismo, o elo animal do ser humano. A essência (que pode ser chamada de espírito, alma, consciência ou até pensamento) é o lado provido de razão, que fundamentado de questionamento e observação torna as pessoas mais conscientes de si e do mundo.

domingo, 21 de agosto de 2011

Colha o dia

"Aproveita o dia de hoje, muito pouco acredita no que virá." – Horácio

A popular expressão Carpe diem (que em latim significa “colha/aproveite o dia”) é popularmente usada como palavra-chave para as pessoas aproveitarem a vida, apenas a abraçarem e fazer isso

No poema Odes, do romano Horácio, é que esse termo se originou. Se encontra num contexto ético da história, firmando se aproveitar o tempo limitado de nossa existência vívida nos ocupando com algo produtivo e útil. Também visa à satisfação, desde que esta não esteja acima da moderação.

Se assemelha e muito com o pensamento epicurista e estóico sobre como se aproveitar a vida, relacionando o contento na vida com a felicidade. Epicuro visava à busca pelo prazer, a felicidade, realização, o aproveitamento da vida e o que de bom ela pode oferecer. Embora Epicuro também censurasse essa busca pelo prazer com o bom senso e temperança, os estóicos consideravam que a aceitação da vida seria a forma de aproveitá-la, vivendo de acordo com a sua natureza, buscando sim o contento, dentro das condições da sua vida.

Carpe diem vira um sinônimo de “aproveitar a vida”. Aproveitar a vida, ao menos no significado que é batidamente dado para o termo, é o que é chamado de “curtir” a vida. O prazer que devemos buscar não se torna então aquele baseado na forma epicurista, e sim, aquela busca feita com hedonismo (a busca da realização egoísta e em coisas materiais e efêmeras, sem profundidade, sempre passageiras).

O proveito na vida se encontra em como utilizar seu tempo, na profundidade que sua vida tem observada sobre como está sendo vivida. Pode até ser meio existencialista isso, mais mesmo que a vida não tenha significado, é natural do ser humano querer a aproveitar, pois existencialmente é tudo o que temos de fato, e devemos aproveitá-la então. A questão é como a aproveitar, e a resposta é uma; remediar e ter sabedoria em como utilizar o seu tempo de vida.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Solitária estrada da vida


A solidão é algo que gera repulso nas pessoas, e muitos não a aceitam como parte de sua condição. O ser humano é um ser carente, necessitado de atenção e convivência interpessoal, necessitando de outras pessoas para de alguma forma viver melhor.

Mesmo encontrando um amor com quem fique junto por anos ou tenha sempre aqueles amigos de longa data com quem pode contar ao decorrer de suas vidas, a solidão mostra que sua verdadeira companhia será sempre si mesmo. Nem mesmo nossa família é exceção, pois a vida uma hora separa as pessoas de nós, chegando uma hora que essa separação é definitiva.

Os existencialistas afirmam que a solidão se encontra na essência humana, por estar definitivamente conosco. Nascemos sozinhos, embora venhamos do ventre de nossas mães e auxílio de médicos e parteiros, ou mesmo que nasçamos tendo alguma irmã ou irmão gêmeo. Vivemos ao decorrer de nossas vidas com várias pessoas que podemos agrupar como família, amigos, colegas de sala ou de trabalho, inimigos, companhias e cônjuges; uma hora nos separamos de todos, seja por meio de mudança de cidade e a continuidade da vida (ir para faculdade, formaturas, etc), brigas, desentendimentos, perda de contato ou até mesmo a própria morte.

Morremos sozinhos, e este fato possui uma legitima veracidade. Mesmo que morramos numa matança, num campo de guerra ou num quarto de hospital junto com alguém, o fim de sua vida e utilidade entre os vivos é algo qual você passa sozinho; e o que poderá ou não ser seu rumo após a vida é algo qual você deverá enfrentar e conhecer sozinho, afinal, mesmo se tiver que pagar por alguma coisa ou não, será apenas por conta sua e somente sua.

A vida é como uma viagem na estrada, e embora durante a viagem companhias te acompanhem e desacompanhem uma hora, mesmo que te acompanhem por muito tempo, no fim das contas é só você contra a vida.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A aposta pela eternidade

Temos nossas concepções sobre a eternidade, seja ela existindo ou não após a morte, a alma ou não existindo, a vida tendo ou não sentido. Cada um faz sua aposta, é como um jogo de roleta, e para todos no final das contas o mesmo número é dado.

É uma aposta em que todos estão apostando, tendo consciência ou não, e embora muitos procurem remediar no que investir com medo do que pode vir, ninguém é exceção.

Há dúvidas sobre o que se esperar para além da vida, se é que tem algo para nos aguardar. Muitos acreditam em investir em alguma coisa por medo da morte ser a extinção da existência ou medo do que pode o aguardar não ser bom, enquanto outros investem em nada por conclusões ou assim como alguns que escolhem no que crer, investem em alguma coisa para não ter que viver com isso.

Blaise Pascal, em sua obra "Pensamentos", escreveu o seguinte:
"Consideremos este ponto e digamos o seguinte; ou Deus existe ou não existe. Mas qual das alternativas devemos escolher? A razão não pode determinar nada. Existe um infinito caos à nos dividir. O ponto extremo desta distância infinita uma moeda está sendo girada e terminará por cair como cara ou coroa; em que você aposta?"

Pascal faz uma analogia de considerações sobre viver de acordo com a existência de deus, a chamada Aposta de Pascal, que segue a seguinte lógica:
•Se você acredita em deus e estiver certo, será eternamente gratificado;
•Se você acredita em deus e estiver errado, não terá perdido nada;
•Se você não acredita em deus e estiver certo, não terá perdido nada;
•Mais se você não acredita em deus e estiver errado, será eternamente punido.

Essas são as probabilidades, ao menos as possíveis se nós interpretarmos que realmente exista um modo correto de viver.

sábado, 16 de julho de 2011

Ser quem é e o mudar

"Eu mudo para continuar o mesmo." – Jean-Paul Sartre

Todos possuem uma identidade pessoal, personalidade, aspectos físicos e psicológicos, procurar melhorar os defeitos e mesmo assim sempre continuaremos à ser quem somos; sempre seremos nós.

Falamos muito em “mudar”, seja de atitude, postura ou conduta. Alguns procuram mudar a personalidade insatisfeitos consigo mesmos; alguns mudam de sexo não aceitando aquele qual nasceram; acontece que até com as mudanças radicais continuaremos a ser nós mesmos. O que não conseguimos mudar é aquilo que se é inato, portanto, imutável, e o que nos faz ser quem somos.

Por exemplo, já viu casos em que o Programa de Proteção à Testemunha (nos EUA) pessoas que acabaram ganhando uma “vida nova” por causa deles? O que seria essa vida nova? Um novo nome, emprego e localidade te fariam ter uma vida mudada, mais não fariam você deixar de ser quem é.

Pode mentir sobre seu passado e dizer do seu presente o que ele não é, e mesmo que engane a todos e a si mesmo não estará mudando a verdade e nem a si mesmo. O passado é um exemplo de integrante na nossa identidade como seres existentes, pois é a nossa história, a construção do que somos e que nossa vida é.

Deixando de gostar de uma coisa ou passando a gostar de outra coisa, lutar para melhorar ou se manter inerte quanto à mesma e até a experiência e desenvolvimento de visão de mundo que vai se desenvolvendo com a vida nos faz mudar, porém, apenas traços que no máximo são significativos. O que não mudamos é o que sempre fará parte de nós, a base para nossa intuição e forma como aceitamos ou não as coisas.

Poderíamos dizer que alguém que permanentemente perdeu todas as suas memórias seria uma pessoa nova? A resposta é sim, relativamente sim. Seria uma pessoa em branco, que muitas coisas sobre o mundo e a vida ela ia ter que redescobrir, e quase certeza que as faria diferente. Porém, alguma coisa em sua natureza restará, as que não congênitas, de alguma forma sendo ainda quem sempre foi e quem é.

Até onde podemos mudar e mudamos é até onde nossos traços são possíveis de se mudar e quais deles estão suscetíveis para se alterarem ou se aprimorarem. Nós, por essência, somos constantes, e nossas formas de encarar as coisas e traços da personalidade dela provenientes são inalteráveis. O grau de manifestação destes pode ser controlado, mais sempre existirão.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Eterno retorno

O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.” – Eclesiastes 1:9 (autoria de Salomão)

O conceito de eterno retorno propõe uma repetição cíclica de fatos, de dores, prazeres, dificuldades e desafios. Tudo de grande e pequeno, profundo ou insignificante na vida e no mundo se repete para sempre, ordenadamente e continuamente.

Foi elaborado por Nietzsche, aparecendo pequenas pistas do que é o eterno retorno em várias de suas obras (como em "Assim Falou Zaratustra" e "Além do Bem e do Mal"), mais foi em A Gaia Ciência que temos uma explicação melhor dela:

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!“ Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

O eterno retorno dá uma perfeita noção de tempo cíclico; uma estrutura temporal com detalhes como começo, meio e fim ou como a transição de uma estação para outra.

Mudanças no mundo; destruição e criação; elementos da história como revoluções, guerras, epidemias e acontecimentos mundanos seriam para Nietzsche parte de algo que sempre se repetiu e sempre se repetirá; sendo este um princípio universal de eterna repetição dos fatores um fundamental princípio fundamental de tudo.

Nietzsche com isso questiona a ordem natural das coisas. Diz a realidade não é feito por pólos inconciliáveis, e sim uma instância única. O bem e o mal, sofrimento, prazer e angústia, por exemplo, seriam elementos complementares e instáveis.  Conclui então que veremos sempre os mesmos fatos repetirem indefinidamente.

sábado, 25 de junho de 2011

Significado do mundo e da vida existe?

Não posso subjulgar os acontecimentos do mundo à minha vontade: sou completamente impotente.” – Ludwig Wittgenstein

Um grande dilema sobre entender a vida e a existência é o sentido das duas, suas razões e também investigar se há mesmo algo profundo nelas.

Tratar de responder o que é o mundo se torna importante para responder a pergunta do qual o significado de viver e existir nele. Desde os antigos, muitos filósofos sempre relacionaram estar vivo como uma busca pela eudaimonia (aquisição da felicidade). Embora justificando de forma diferentes, vemos pela linha da história filósofos que concordavam com isso, sendo dos estóicos ou até existencialistas.

Essa vertente contrapõe a da insignificância do homem perante a grandiosidade do mundo e sua eternidade, a de que ele será apenas “mais um que o tempo apagará que ele existiu e a eternidade o esquecerá”. O escritor H.P. Lovecraft passava em seus livros a mensagem de o nosso entendimento do mundo (ao menos qual nós a construímos) é instável, e procurar o compreender é algo estranho e de enlouquecer. Visava que essa grandiosidade das verdades universais faziam questões como o sofrimento e problemas da humanidade não passarem de coisas insignificantes.

Entender o mundo faz se entender o significado da existência da vida em si, e em especial, o papel da existência humana.

Para Wittgenstein tudo no mundo acontece pelo acaso, nada no mundo e na vida é obra da realização. Realização e idealização são obras do acaso, do acidente existencial desordenado e aleatório.
Se não existe um significado metafísico nas coisas, também não pode haver significado na ética, afinal, a vida não possui sentido. As coisas possuem o valor que tem, se é que possuem algum valor?
A ética possui a priori de dividir o bem e o mal, que para Wittgenstein, são idealização do homem.

Por fim, Wittgenstein conclui que entender o porque da existência em si não nos cabe, por ser algo muito maior que nós, que somos microscópicos perante a magnificência dessa grandiosa resposta.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sobre à origem de tudo

Quando nos perguntamos questões existenciais, sobre nós, forças além de nós e o universo em si; uma das perguntas mais recorrentes é a origem do Universo, em caráter filosófico, a cosmogonia. [Não confundir com cosmologia, esta sendo de caráter científico!]

A cosmogonia é uma explicação para a origem da existência, seja universal ou apenas da existência da vida.

Desde os tempos dos primeiros seres humanos é tentado se explicar à origem da existência do universo, e várias culturas e religiões fizeram isso. Todas explicam de forma simbólica, dando origem ao mito, uma forma representativa de se explicação racional por meio de histórias fantasiosas.

Alguns elementos em mitos criacionistas se repetem nas diversas crenças e culturas, como o ovo cósmico ou do deus primordial morto e desmembrado cujas partes vão criando tudo no mundo e no universo.
Vários exemplos podem ser citados, como o mito de Pan Ku dos chineses, o Enuma Elish dos sumérios, o Gênesis e as descrições na obra Teogonia de Hesíodo.

Em princípio existem três categorias de explicações cosmogônicas: Um universo criado do nada, um cíclico e um "sem começo, sempre existente".

Uma explicação metafísica e conhecimento de preceitos científicos facilitam pensar nessa questão, da origem da vida à origem de tudo. Entender o universo resulta numa compreensão melhor de suas causas e efeitos; e entender à vida alivia mais as dúvidas em relação ao sentido desta e seu significado.

As cosmogonias nos mostram o fascínio (e eterno debate) na explicação humana para a origem do mundo, o universo e a existência em si. A origem das coisas se extende da origem da existência até a origem da vida, algo que se torna uma imortal incógnita para o ser humano, sendo isto algo profundo demais para este ter conhecimento ao menos  por um tempo, este tempo sendo os dias de vida.

domingo, 5 de junho de 2011

Em relação ao passado

"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se para frente." - Søren Kierkegaard

Muitas pessoas pensam que o passado é algo que não pode ser mudado, e estão certas; porém, erram em acreditar que este não possui influência em nosso presente, que o mesmo fará com o futuro.
O passado não deve ser desconsiderado, e sim entendido. A pessoa que estuda seu passado terá conhecimento de seu presente, e se tiver olhos abertos para seu presente, poderá imaginar um futuro possível.

Começando por nossa formação pessoal, que é resultado do passado. Aprendizado, traumas e acontecimentos marcantes que vão reformando sua concepção das coisas e do mundo e até mesmo mudando seu caráter.

Sem passado não existe presente e nem futuro. O presente é o efeito, o passado é a causa, e o futuro consequência. Traduzindo, o passado dá sentido ao presente.

Exemplos a se ilustras: Uma pessoa de bem com o presente está no mínimo satisfeita com seu passado, ou de alguma forma com a consciência livre em relação ao mesmo. Uma com problemas pessoais (ou qualquer outro tipo) no presente é por ter um fantasma do passado que ainda a atormenta.

"Conta-me o teu passado e saberei o teu futuro." - Confúcio

Uma coisa que aprendemos com o estudo da história é que o passado acaba acarretando em alguma mudança presente, seja em questão cultural, moral, política, etc. Imagine uma coisa na história que acabasse acontecendo de forma diferente da qual aconteceu – Com toda certeza isso implicaria na mudança de vários outros acontecimentos, e de alguma forma o presente seria bastante diferente.

Vale lembrar que qualquer acontecimento histórico ou presente que um dia entre para a história é sempre justificado por um passado. O passado é importante para se entender o presente e especular o futuro; e quanto mais voltamos no tempo, mais veremos que conforme o passado fica mais distante ele se torna mais crucial.

"Quando o passado não ilumina o futuro, o espírito vive em trevas." - Alexis de Tocqueville

Quando se possui um passado sombrio, ele de certa forma escurece nossa vida. A pessoa pode procurar o superar, mais o fato de não querer repetir seus erros ou que alguém não os cometa já é alguma forma dela mostrar sua vergonha e repulso pelo que ela fez ou foi um dia.

Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.” – Dalai Lama

domingo, 15 de maio de 2011

Lei de Murphy e a questão do erro

A Lei de Murphy é bem popular, conhecida lei de azar. Edward A. Murphy, seu idealizador, afirmava que "Se há mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em consequências indesejáveis, certamente essa será a maneira escolhida por alguém para executá-la" ou apenas "Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará". Ambas se traduzem em dizer que "Se algo pode dar errado, dará".

Com ela aprendemos como as coisas são imperfeitas, a realidade do erro. Se algo tem alguma chance de errar, esta é falha, pois sua eficiência é finita.

"Se uma coisa pode dar errado, invariavelmente dará errado."

Um aparelho eletrônico pode falhar numa hora que você precise dele, assim por exemplo como um orador um dia pode gaguejar ou "dar branco" enquanto fala em público.

Uma coisa que devemos sempre fazer é nunca criar expectativas, porque o erro perssegue, à espera de uma brexa dada para aparecer e aplicar sua causalidade de imperfeição.

Não importa o grau ou nível de irregularidade ou se chegará à ocorrer tal lapso, apenas tenha consciência de que a imperfeição é presente.

"A verdade surge mais facilmente do erro do que da confusão." - Francis Bacon

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Entendendo o sobrenatural

Quando falamos no sobrenatural, o primeiro pensamento de muitos é ligado automaticamente com fantasmas, misticismo e coisas do gênero. Dentro de uma explicação racional podemos o associar à qualquer força que transcende o natural, ou apenas aquilo que está além do entendimento científico e lógico de causa e efeito.

Às pessoas costumam usar o termo paranormal como sinônimo para sobrenatural, entretanto existe uma diferença. A paranormalidade é aquilo paralelo aquilo que é casual e de compreensão clara, já o sobrenatural é aquilo além do entendimento e de explicações.
Aquilo que está além da natureza, além da ciência e da filosofia, sob o entendimento racional é denominado sobrenatural.
[O anormal não se encaixa nesse contexto, por ser nada mais do que aquilo fora do idealizado, uma coisa fora do esperado.]

É pressuposto pela existência do sobrenatural uma realidade além da física, como por exemplo o conceito de mundo/plano/dimensão espiritual. Tudo que está visto como por acima da natureza ou não há explicação racional é imediatamente categorizado no sobrenatural.

Muitas coisas que, para nós hoje é ciência, um dia já foram consideradas sobrenatural (como explicações de fenômenos da natureza, por exemplo). Natural e sobrenatural são status instáveis, sendo que algo quando possui explicação de efeito e causa acaba virando natural. [Pois não haverá mais necessidade de ser sobrenatural, afinal, se torna parte mundo natural.]

Crenças no sobrenatural podem ser explicadas por influência religiosa no imaginário humano, estas sendo imparcialmente vistas como suposições do sobrenatural.

Questões do sobrenatural podem ser estudadas pela filosofia, como o que é a divindade, a alma, a natureza do ser, o existir e qualquer questão metafísica que envolva o transcendental de entendimento de causa.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Os animais por essência

Os animais, assim como nós, são seres vivos. Chamá-los de "irracionais" é sinal da prepotência humana, pois os animais também sentem, pensam e possuem instintos. Eles só não são possuidores de uma visão mais ampla e uma primitiva e simples concepção de mundo e coisas.

Nós, seres humanos, também somos animais, entretanto, nos excluimos muito desse meio qual pertencemos (em alguns pontos até podemos nos particularizar, noutros não).

Somos animais complicados, por causa do privilégio da racionalidade. A racionalidade nos beneficia de termos um melhor desenvolvimento para sobreviver, cuidar das coisas e até mesmo de conhecermos onde vivemos. Infelizmente também há o lado negro da racionalidade, pois começa à existir a noção do que fazer, acabando tendo que haver o certo e errado, e isso torna o ser humano um animal complexo.

"O homem é o único animal que precisa trabalhar." - Immanuel Kant

Os animais não são maus, diferente dos seres humanos. Nem todo ser humano é mau, mas também não dotamos do privilégio da inexistência de bem e mal como os animais possuem. Eles não são maus, apenas não precisam de uma necessidade de distinguí-los, pois vivem com base nos seus instintos e suas vidas não lhes cobram uma necessidade de haver ética.

Vivem de acordo com o que a natureza prepara para eles, e mesmo o mundo animal sendo muitas vezes selvagem e perigoso, há uma bela harmonia natural qual o homem perdeu em seus primórdios.

Sustento para eles tem como fim a subsistência, coisa qual nossa forma de vida infelizmente não nos faz mais precisarmos. O homem, conforme o progresso [tecnológico e intelectual, o único que a humanidade sempre teve de fato!], destrói a natureza e se torna mais escravo de sua "prisão" originária desse julgado privilégio de racionalidade que temos. Os animais vivem dentro daquilo que é necessário para eles, virtude que não temos, pois vivemos dentro do que nos passam como necessário e valorizando mais o luxo do que o essencial.

Não somos muito diferentes deles, esta é a verdade. Animal vê prazer na felicidade, também sente medo, dor, apego.

"A vida é tão preciosa para uma criatura muda quanto é para o homem. Assim como ele busca a felicidade e teme a dor, assim como ele quer viver e não morrer, todas as outras criaturas anseiam o mesmo." - Dalai Lama

O filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham disse uma vez que "Não importa se os animais são incapazes ou não de pensar. O que importa é que são capazes de sofrer.". Não possuem a vontade de refletir, analisar e pensar sobre (sendo por isso considerados irracionais), porém, são seres emocionais.
O homem é bom e mal por causa da dualidade entre nossas pulsões e o conhecimento. Os animais são apenas bons, pois vivem dentro do que a natureza preparou para eles [Ou podemos dizer também que não existe para eles a distinção de bem e mal, pois não precisam de uma.]

Arthur Schopenhauer argumenta que os animais têm a mesma essência que os humanos, a despeito da falta da razão.

O ser humano é um animal, e muitas vezes sua soberba o faz se sentir mais do que realmente é. A única coisa que nos destaca dos animais é a razão, que é uma coisa dicotômica, pois é boa e ruim ao mesmo tempo.

Voltaire uma vez escreveu:
"Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam! Será porque falo que julgas que tenho sentimento, memória, ideias? Pois bem, calo-me. Vês-me entrar em casa aflito, procurar um papel com inquietude, abrir a escrivaninha, onde me lembra tê-lo guardado, encontrá-lo, lê-lo com alegria. Percebes que experimentei os sentimentos de aflição e prazer, que tenho memória e conhecimento.Vê com os mesmos olhos esse cão que perdeu o amo e procura-o por toda parte com ganidos dolorosos, entra em casa agitado, inquieto, desce e sobe e vai de aposento em aposento e enfim encontra no gabinete o ente amado, a quem manifesta sua alegria pela ternura dos ladridos, com saltos e carícias. Bárbaros agarram esse cão, que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para mostrarem-te suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos do sentimento sem objectivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquines à natureza tão impertinente contradição."

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O mundo sensível e o inteligível

O observador Platão dividiu a concepção que temos de mundo, concebendo uma dicotómica divisão de mundo: O mundo sensível e o inteligível.

O mundo inteligível é abstrato, formado pelas nossas idéias. Nada mais é que a idéia que temos das coisas, os ideais. No que dizia o próprio Platão, este era "de fato" o mundo, o inteligível, isto é, aquilo que nossa mente absorve de desenvolve.

O mundo sensível é concreto, material, o que tocamos. Seria o mundo onde as coisas ganham formam, recebendo praticamente uma colisão das diversas ideias do mundo das ideias, tornando este formado por ideais instáveis. Nele o que vimos e sentimos são projeções de nossos sentidos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O absurdo na vida do ser humano

Em termos filosóficos, o absurdo tem o significado de dizer que o esforço para o ser humano encontrar significado na vida é em vão, e o fracasso disso (segundo o absurdismo) se torna um fato.

O absurdismo, ou filosofia do absurdo, tem o pensamento base de que a existência não possui significado. Está relacionada com o existencialismo, embora bastante niilista.

O conceito do absurdo tem origem com o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard, porém passou a ganhar mais fundamento (e também traços existencialistas) com o francês Albert Camus, principalemente com sua obra O Mito de Sísifo.

Às resposta para questões absurdistas variam, porém elas normalmente são coerentes com o próprio pensamento absurdo, o existencialismo e a filosofia contemporânea (e também com o pensamento de Camus e do Kierkegaard).
O absurdismo alega a falta de sentido na existência pela ausência de propósito maior em nossa vida, o que nesta linha de pensamento faz nossa existência insignificante. O significado máximo que podemos dar para nossas vidas então acaba sendo as metas e o que fazemos de nossas vidas, entretanto, nunca chegamos num consenso do motivo pelo qual existimos.

Alguns tópicos que propõem supostas verdades do pensamento da filosofia do absurdo:
• O suicídio como solução que alguns optam por não saber lhe dar com o absurdo. Para Camus o suicídio não é vantajoso, pois se a vida é absurda, o jeito é ocupá-la e fazer o absurdo em si ir.
• A proposta de suprir o vazio existencial da pessoa, procurando assim um modo de viver e ignorando o absurdo. Essas pessoas criam significado em suas próprias vidas, que não é o significado final mas provê algo para fazer Isso algumas, ou se não muitas, pessoas já fazem quando associam a frase “o sentido da vida é viver” como razão de sua existência.]
• Porém, existem pessoas que aceitam o fato da vida não ter sentido (caso nisso acreditem).

Para concluir, um trecho de O Mito de Sísifo:
"Assim que eu tirar o absurdo três conseqüências que são minha revolta, minha liberdade e minha paixão. Pela mera atividade de consciência eu me transformo em regra de vida o que era um convite à morte, e eu me recuso o suicídio."

sábado, 12 de março de 2011

Amor Fati

Essa frase latina pode ser traduzida como "amor ao fado" (fado significado "aquilo que se considera destinado irrevogavelmente; destino; a ordem das coisas; fadário").

O que é amor fati? É amar o destino, o inevitável, o certo e errado, o justo e o injusto, ao amor e o desamor. É aceitar a vida como é, aceitando as coisas boas e ruins, sendo indiferente ao sofrimento.

Nietzsche descreveu como uma pessoa pode ser totalmente realizada é "Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo."
Ou seja, o amor ao fado nos ensina a aceitar o que a vida nos propõe e aceitar "numa boa", sendo indiferente em relação as preocupações e qualquer coisa dentro da condição da existência humana.

Em seu livro, A Gaia Ciência, existem duas referências à este pensamento:
"Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: - assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas."
"Amor fati (amor ao destino): seja este, doravante, o meu amor." Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja ‘desviar o olhar’! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia apenas alguém que diz sim."

Agostinho de Hipona descreve essa indiferença na perspectiva cristã, assim como escreveu em sua obra Cidade de Deus: "O nome "fati" (fado) nos faz fugir com horror, sobretudo por causa do vocábulo que ninguém se acostumou a entender o sentido verdadeiro."
Para o Santo Agostinho, era virtuoso o homem que aceitava o destino que Deus o propunha, assim como os demais seres.

Entretanto, o conceito de "amar" o fado é velho, remontando aos filósofos estóicos. Os que seguiam o pensamento da corrente do estoicismo também porpunham essa indiferença ao sofrimento e tudo aquilo que pro ser humano é acidental, como diz o ditado estóico "Guia quem consente e arrasta quem recusa."

terça-feira, 8 de março de 2011

Filosofia oculta

Falemos de ocultismo. Falemos de Aleister Crowley, Eliphas Levi, Papus, Cornelius Agrippa, entre outros ocultistas.

Antes de começar o artigo, um recado: O ocultismo é uma coisa muito ampla e profunda (e complexa), e o simplificar numa só filosofia é algo bastante complicado. [Entretanto, tentarei fazer isso da forma mais prática e coerente ao assunto que for possível]

"A Magia, de um modo geral, nada mais é do que a arte de causar efeitos visíveis a partir de causas invisíveis." - Eliphas Levi

Podemos resumir a filosofia oculta como por ser metafísica, pois visam entender aquilo além da nossa compreensão de causa e efeito (assim como a metafísica tradicional).

As ciências ocultas são um conjunto de teorias e práticas cujo objetivo seria desvendar os segredos da natureza e do Homem, procurando descobrir seu aspecto espiritual e superior. Ele trata do que está além da esfera do conhecimento empírico, o que é secreto ou escondido. O ocultismo está relacionado aos fenômenos supostamente sobrenaturais. Ocultismo é um conjunto vasto, um corpo de doutrinas supostamente proveniente de uma tradição primordial que se encontraria na origem de todas as religiões e de todas as filosofias, mesmo as que, aparentemente, dele parecem afastar-se ou contradizê-lo. O Homem aqui retratado seria um supostamente completo e arquetípico, composto não apenas de corpo, mas também de emoção, razão e alma (como divide a cabala). Segundo algumas tradições ocultistas as religiões do mundo teriam sido inspiradas por uma única fonte sobrenatural. Portanto, ao estudar essa fonte chegar-se-ía a religião original.Muitas vezes um ocultista é referenciado como um mago. Alguns acreditam que estes antigos Magos já conheciam a maior parte das descobertas da ciência, tornando estas descobertas meros achados. [Lembre-se, em várias civilizações do mundo antigo não havia distinção exata entre filósofos, cientistas, sacerdotes, místicos, etc.]

Na ciência oculta, a palavra oculto refere-se a um "conhecimento escondido" ou "conhecimento secreto", em oposição ao "conhecimento visível" ou "conhecimento mensurável" que é associado à ciência convencional.

Para as pessoas que seguem aprofundando seus estudos pessoais de filosofia ocultista, o conhecimento escondido ou oculto é algo comum e compreensivel em seus símbolos, significados e significantes. Este mesmo conhecimento "não revelado" ou "oculto" é assim designado, por estar em desuso ou permanecer no index das culturas atualmente, mas originalmente no século XIX era usado por ter sido uma tradição que teria se mantido ocultada da perseguição da Igreja, e da sociedade e por isso mesmo não pode ser percebido pela maioria das pessoas.

Assim como a filosofia comum, a ocultista também possui escolas de pensamento (hermetismo e teosofia, por exemplo).

[Agradeço o pessoal da comunidade: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=53071]

Valeu Casa do Bruxo!

sábado, 5 de março de 2011

Sistematização dos fatores

Já ouviu falar da expressão popular do efeito dominó ou do efeito borboleta? Então, se aplicam em tudo que fazemos ou deixamos de fazer na vida.

Efeito borboleta é o conceito de que qualquer coisa (mesmo uma aparentemente insignificante) pode mudar toda a ordem natural daquele determinado acontecimento, transformando o procedimento daquilo que está ocorrendo.

O efeito dominó pode ser levado como consequência do efeito borboleta, pois uma vez que essa "agitação na ordem das coisas" acontece, o restante do seu desenvolvimento é alterado. [É como enfileirar dominós e empurrar um deles. Este que começa a cair compromete os outros também.]

Segundo a cultura popular, a teoria apresentada, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo. Porém isso se mostra apenas como uma interpretação alegórica do fato.

Faremos um exercício de imaginação...Imagine o que pedirei: Faz de conta que você está indo para a faculdade, e decide fazer em São Paulo. Você vai adquirir certas vivências, certo? Mas suponhamos que ao invés de fazer em São Paulo você decida ir para o Rio de Janeiro. A vida que você teria em São Paulo não será a mesma que no Rio, suas experiências serão obtidas de uma forma diferente.

O interessante em pensar sobre isso no nosso cotidiano é a possibilidade que mostra em vivermos num caos onde talvez possa não existir uma ordem natural na realidade; ou a subjetividade do como deva acontecer as coisas, sendo isto uma forte defesa filosófica para a liberdade de escolha.