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sexta-feira, 22 de julho de 2011

O Mito de Sísifo

O Mito de Sísifo é um ensaio de 1942 escrito pelo filósofo francês de origem argelina Albert Camus. O livro trata do absurdo em nossa existência, isto é, o ser humano em busca de sentido para sua vida num mundo ininteligível, sem deus e nem eternidade. Dá ênfase ao esforço repetitivo, fútil e falta de esperança na busca de significado na vida; representados no exemplo do castigo de Sísifo, personagem da mitologia grega destinado a eternamente empurrar uma pedra enorme até o topo de uma montanha para vê-la novamente rolar abaixo e novamente repetir todo o processo para sempre.

O livro é um expoente do absurdismo, refletindo acerca de quando o homem toma consciência de que sua fadiga é inútil, como empurrar uma rocha até o topo de uma montanha para que role para baixo novamente, sendo esta uma metáfora para a situação de futilidade que se encontra a vida humana.

Disserta sobre a busca do ser humano por clareza e sentido para sua existência, necessitado por alguma profundidade e esperança. Não importando quanto seja trabalhoso e desgastante nossas tentativas, estaremos condenados ao fracasso; fadados à morte.

Critica com o livro também a vida moderna, seu cotidiano preso à uma rotina sem sentido e enfatizando a futilidade nela presente.

Trata também da alternativa do suicídio, como uma forma de não ter de enfrentar o absurdo, escapando dele. No pensamento de Camus, cabe ao homem ocupar sua vida, sendo o suicídio uma questão em aberto, deixando ao próprio homem a liberdade que querer viver ou não; apesar de não o considerar vantajoso. Outras pessoas procuram ignorar o absurdo, ou já o percebem e mesmo assim conseguem viver coexistindo com esse fato.

A obra possui quatro capítulos, respectivamente eles:
•    O primeiro (Um Absurdo Raciocínio) é um ensaio filosófico acerca do absurdo na nossa condição de existência, dizendo que é em vão a esperança do ser humano em sua esperança de sentido na vida. Mostra também que não se deve render ao absurdo, devendo então o confrontar, descrevendo sobre a natureza deste absurdo no geral.
•    O segundo (O Absurdo do Homem) entra na questão de como deve viver o homem absurdo, deixando claro que essa questão não se deve responder com normas éticas, por se basearem em justificativas. Conclui a liberdade total do homem, mais isto não é libertador, havendo também a amargura em reconhecimento disso.
•    O terceiro (Criação do Absurdo) fala a respeito da absurda criação, sabendo se privar do julgar e saber ao mesmo tempo criar alguma esperança, mesmo que pouca. Camus neste capítulo analisa o absurdo com base na obra de Dostoiévski, especialmente em nos livros O Idiota, Os Irmãos Karamazov e O Diário de um Escritor.
•    O quarto (O Mito de Sísifo) é o último, qual é representado o mito grego de Sísifo, que pretendo enganar os deuses foi condenado eternamente a empurrar uma pedra até o topo de uma montanha só para por fim a ver cair novamente e subir com ela novamente, repetindo esse trabalho pela eternidade. O próprio Camus considera Sísifo um herói absurdo, alguém que quer viver e repulsa a morte, sendo condenado a uma tarefa sem profundidade. Resumindo, o livro se encerra sobre o absurdo no cotidiano através do exemplo de Sísifo.

É uma das mais difundidas obras da filosofia existencialista, explorando a profundidade da vida e buscando assim a falta de sentido nela, a liberdade condicional do homem, a insignificância e o que fazer com a vida que por sua vez é vã por essência.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Leviatã

Leviatã, ou também Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil é um livro escrito por Thomas Hobbes em 1651. O livro é assim intitulado em referência ao monstro bíblico com o mesmo nome, Leviatã, presente no livro de Jó. Essa obra trata sobre a estrutura social e política de uma sociedade, dando explicações teóricas sobre o poder do governante, a religião no estado e uma relação da conduta do homem social e comportamental.

O livro foi escrito durante a Guerra Civil Inglesa, período turbulento em que política e religião eram os fundamentos dessa guerra brutal entre os monárquicos anglicanos contra os parlamentaristas presbiterianos. Analisando o livro, o estado inglês da época teria então um poder central bem fraco, o culpando pela revolta. Hobbes passa que em um estado absoluto forte e eficiente isso não aconteceria, pois o poder político e o religioso estariam nas mãos do regente, e a instabilidade da harmonia social concretizada por um contrato social que suprisse as necessidades básicas normativas das diferenças.

A estrutura do livro se divide em quatro partes:
•    A primeira (Do Homem) é uma análise do estado de natureza humano em relação com a moral, a racionalidade e as paixões humanas.
•    A segunda (Da República) parte defende a contradição a essas paixões, que tendem a desobedecer às leis morais. Para evitar desentendimentos e mantém uma paz estável, é preciso um acordo social que todos devam obedecer e por igual zelar pelos interesses coletivos.
•    A terceira (Do Estado Cristão) descreve sobre a religião cristã e seu papel no Estado, argumentando sobre suas verdades sobre o homem e um estudo sobre a influência social da religião de estado. Ao mesmo tempo, delimita o poder eclesiástico, dizendo que o poder estadista deva ser maior.
•    A quarta e última (Do Reino das Trevas) é uma crítica a ineficiente interpretação da sagrada escritura, Bíblia, e também sobre a ignorância do conhecimento desta presente em muitos devotos.

Vemos nessa obra o ideal do contrato social, e a defesa de um soberano absoluto e o papel do Estado em regular a instabilidade social que acarreta no caos e na guerra civil, e só um poder centralizado forte teria essa capacidade. Defendia então o absolutismo e realçava que o governante embora absoluto deva ser sábio.

A expressão bellum omnium contra omnes (do latim "A guerra de todos contra todos") é, para Hobbes, o que as pessoas procuram evitar, optando por um contrato social que garanta certas liberdades em troca da convivência pacífica em sociedade. A guerra de todos contra todos seria nada mais do que a luta dos grupos pela autonomia de seus direitos, visando somente os beneficiar.

Leviatã é uma obra filosófica muito bem difundida no campo da filosofia política e social, e até mesmo despertando interesse em religiosos pela também apologia cristã.