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domingo, 2 de outubro de 2011

O suicídio

"O suicídio é todo o caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo praticado pela própria vítima, ato que a vítima sabia dever produzir este resultado." - Émile Durkheim

Uma questão que todo ser vivente pelo menos uma vez já pensou é sobre o significado da vida, e se ela vale a pena ser vivida. Se a vida não tem significado, o que resta para quem vive ter motivo para viver? Se uma vida não vale à pena, o que torna justificável ou não o direito da pessoa cometer suicídio?

Fatores que levam ao suicídio normalmente são “dores da vida”, como falta de significado por decepções e sofrimentos emocionais e outros tipos de problema, qual o suicídio seria a solução para esses problemas. Seria um escapismo existencial, uma negação da vida e suas dores.

A questão do suicídio pode ser bem respondida amplamente pela filosofia. A começar pelos existencialistas, que possuem diversos argumentos a respeito do suicídio, como Albert Camus, que embora o suicídio seja uma forma de dar fim a vida pelo reconhecimento da falta de sentido nela, tirar a própria vida não é vantajoso, sendo que o individuo pode procurar uma motivação de viver. Sartre mostrava uma postura contra o suicídio, por ser um ato que destrói todo o futuro de quem o comete e um mau uso de sua liberdade. Seria um ódio a si mesmo, uma negação irracional de ser.

Platão considerou o suicídio uma "covardia viril e preguiçosa", uma negligência perante a vida e ao ser. Kant dizia que o suicida deve pensar quanto a se matar, pois não seria ético ele apenas estar se importando consigo mesmo. Hobbes firmava que é natural do ser humano a vontade de viver e desejar a felicidade para serem inspirados a viver, e o suicídio nesse contexto seria algo imoral e errado.

Entretanto, há filósofos que defendem o que é chamado de "direito de morrer", qual a escolha de viver ou morrer cabe ao indivíduo. Só porque a pessoa pode viver não significa que em certos casos, como as que possuem doenças incuráveis ou uma angústia muito grande, devam viver e com isso prolongarem seu sofrimento. Essa postura mostra-se tanto uma indiferença como ir a favor do suicídio. Hume é um exemplo de filósofo que defendia o direito de morrer.

Os estóicos consideravam errado o suicídio por uma causa "covarde", mais sustentavam ao mesmo tempo a idéia de morrer pelas próprias mãos é opcional, sendo inclusive melhor e mais correto cometer suicídio do que continuar a continuar vivendo uma vida miserável e assim prolongar a agonia. Confúcio também era pró-suicídio nas condições morais, onde tirar a vida seria um sinal de evitar desonra ao cometer certa postura que em sentido ético e moral é inadequado e vergonhoso. Seus ideais de honra, lealdade e auto-sacrifício encorajariam o suicídio altruísta.

O sociólogo francês Émile Durkheim chegou a escrever um livro que tratava sobre o tema, “O Suicídio”, publicado em 1897. Nesta obra ele fez considerações do suicídio ao âmbito social, fazendo análises sociais que levem ao suicídio.

Estudou as ligações entre os indivíduos e a sociedade e que relações o levariam ao suicídio. Considerou várias coisas, como o meio social onde se faz presente e como nele se integra, fatores integrados culturalmente como religião (sendo que no livro Durkheim fez comparação dentre meios católicos e protestantes, qual firmou que as taxas de suicídio nos lugares predominantes protestantes era maior) e o conceito de anomia. Anomia é traduzida como uma perda de identidade, uma ruptura com valores sociais. Seria um sinônimo de apatia do individuo socialmente quanto a viver, o que poderia, por exemplo, o levar as drogas, isolamento e depressão.

sábado, 17 de setembro de 2011

Fundamentos do trabalho

O trabalho é fundamental para a subsistência do ser humano desde as épocas imemoriáveis, pois dele vem nosso sustento. Nesses tempos nosso trabalho era diretamente obter o que precisássemos para viver, como caçar, pescar e plantar; o sistema econômico do ser humano foi mudando até ser o qual conhecemos e aceitamos, qual consiste em trabalhar para se obter um pagamento, qual se pode com ele suprir suas necessidades.

É a forma qual se é capaz de se chegar a um determinado fim, qual de certa forma dá mobilidade para a sociedade. Sem o trabalho, as necessidades de muitas pessoas ou até coletivas não seriam atendidas, e a sociedade ficaria na inércia.

A máxima de que “o trabalho é bom para o homem” é substituída e compreendida automaticamente nos tempos contemporâneos como “o trabalho proporciona desenvolvimento econômico para o homem”. Isso faz passar que o trabalho não é algo para suprir sua subsistência, isto se torna pouco, deve-se então nessa forma de pensar acumular sempre mais para poder viver melhor conforme o que o dinheiro pode te proporcionar.

Marx critica isso, pois por causa do capitalismo o trabalho é feito por muito para enriquecer a poucos. O homem então se encontraria forçado a vender seu serviço para poder sobreviver, não trabalhando só por si, mais também para seu superior que vive à custa de seu emprego, esse seria o conceito do mais-valia. Isso faz o trabalho ser um esforço sem fim do homem de enriquecer que nunca se esgota.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O crime como banal

O crime é uma forma de censurar a ação humana, de conceituar o certo e errado no sentido de legalidade, ou seja, dizer o que é legal ou não. Tudo aquilo que pela lei é ilegal é crime, e se feito deve ser julgado e quem o fez de alguma forma ser penalizado.

Transgredir a lei para ela é crime, ir contra o que ela considera ilegal, que ela firma que não deve ser feito. A lei tem como objetivo dar ordem e uma boa condição de coexistência na sociedade, e o que ela considera como inadequado é o que devemos evitar, sendo atos criminosos, como tráfico, homicídio, roubo, furto, estupro, entre outros.

É aquilo que não deve ser feito, sendo que há punição como forma de conscientizar a pessoa do que fez ou fazer a mesma pagar pelo o que fez. É uma prova de que tudo que se faz tem sua consequência.

Por muitos séculos, até os tempos medievais, o significado de crime não era uma coisa clara. Além de envolver esferas legais, envolvia também administrativas, contratuais, sociais e até as religiosas. Isso poderia confundir o ilegal como imoral, que embora diferentes, há um paradoxo entre eles; pois um pode influenciar o outro ao mesmo tempo.

O filósofo italiano Cesare Beccaria firma em sua obra "Dos Delitos e das Penas" a tese de que as punições jurídicas seriam uma vingança coletiva, se tendo a concepção que levava a crer que a punição como consequência poderia ser algo muito mais terrível do que o próprio delito. Isso ainda é uma realidade, pois afinal, como penalizar um criminoso, alguém que infringiu a lei? Deve se aprender uma lição ou o castigar por isso? Merece perder a vida por causa disso, e por quê? Penalidade e punição devem andar juntas para isso ou devem ser conceitos distintos e separados?

A lei, ao menos sobre o ponto de vista judiciário, tipifica as ações que são consideradas mais tarde como crime, prescrevendo penas à se cumprirem para quem o cometeu de acordo com as condições atenuantes ou agravantes das circunstâncias do delito. Juridicamente essa seria a definição de crime, uma tipificação, e não uma proibição.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

As duas faces do socialismo

O socialismo é uma doutrina política e econômica que consiste em advogar os meios de produção para a propriedade pública, objetivando assim uma sociedade menos desigual. Surgiu no século XVIII no meio intelectual da época e a classe trabalhadora, que criticavam os efeitos da industrialização e o impacto da propriedade privada na sociedade.

Karl Marx dizia que o socialismo seria uma transição entre o capitalismo e o comunismo, realizado pela luta de classes e condições de trabalho mais favoráveis, até que se alcance uma sociedade igualitária. Esse conceito de socialismo como uma fase antes do comunismo foi defendida tanto pelos socialistas utópicos como os científicos, que veremos a seguir.

Abaixo veremos o socialismo idealizado e o real:
Socialismo ideal
Em teoria, temos o socialismo utópico e o socialismo científico.

O socialismo utópico possui influência de Thomas More e valores liberais. Inclusive, os primeiros socialistas formulavam críticas sociais perante o progresso industrial, principalmente aos grandes proprietários, mais tinham muita estima pelos pequenos, propondo um possível acordo entre as classes sociais. Propunham uma sociedade ideal só que sem apontar meios para alcançá-la, por isso sendo chamados “utópicos”. Os socialistas utópicos acreditavam que a implantação do socialismo ocorreria de forma lenta e gradual, pacífica, com participação tanto do proletariado como da burguesia.

Teóricos influenciaram esse movimento; como Claude de Saint-Simon em propor uma sociedade sem os ociosos (como ele mesmo cunhou os militares, o clero, nobres e magistrados) e nem exploração econômica. Charles Fourier e Pierre Leroux também foram importantes, também sendo um dos primeiros a usar o termo "socialismo", e herdaram a idéia de Rousseau de que o ser humano é naturalmente bom, mas a sociedade e instituições o corrompem. O maior socialista utópico é Robert Owen, que sistematizou que a produção de um trabalhador melhora se melhores condições de salário e de básicas de vida o forem propostos.

Já o socialismo científico propunha entender as condições reais do capitalismo e mediante análise socioeconômica transformar a sociedade por meio a luta de classes. Disso que veio o cunho deles de socialistas “científicos”, por se basearem em observações históricas e filosóficas da sociedade, e não só em expor idéias de igualdade social.

Seus teóricos mais influentes foram Karl Marx e Friedrich Engels. Em sua obra “O Capital”, Marx propôs idéias revolucionarias como o materialismo histórico, onde a luta de classes seria um fato inexorável da história humana e responsável por mudanças na sociedade, como a crise escravista da Roma Antiga e o feudalismo medieval. Nela, toda sociedade é determinada em última instância por sua infraestrutura, sua condição socioeconômica; cuja política, ideologia e cultura se adaptariam delas e formando a superestrutura.

Socialismo real
A experiência de países que adotaram o socialismo o faz ter sua versão mais realista. Trata-se de um regime autoritário, usufruindo o principio da propriedade pública e subjugando a população perante o Estado.

A primeira experiência do socialismo real foi da vitória dos bolcheviques na Revolução Russa, transformando o país na União Soviética, o primeiro estado socialista.

Isso teve consequência na definição de socialismo, sendo hoje associado por alguns como uma forma totalitária de igualar as condições sociais e econômicas das pessoas por intermédio da ostentação do governo. Os ideais teóricos do socialismo então não são postos em prática, pois o socialismo real não ambiciona chegar ao comunismo, onde a figura de um governo não possui mais importância e nem utilidade.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Orgulho nacional

"O amor à pátria é nossa lei." - Provérbio latino

Uma das formas das pessoas se identificarem são com sua nacionalidade, com o amor, respeito e obediência a sua pátria. Esse é o patriotismo, a reverência pela pátria e seus símbolos, como a bandeira, hino e o brasão desta.

É de certa forma o orgulho pela sua origem, identidade nacional. Essa devoção ou orgulho nacional se expressam nos esportes em que uma seleção ou desportistas representam seu país, pelos meios culturais que representam a sua identidade cultural e todos seus conterrâneos ou até mesmo lutar pelo seu país numa guerra.

O nacionalismo é quase sempre considerado ter o mesmo significado do patriotismo, só que é algo radical. É algo mais estreito, e também uma obsessão pela figura do estado nacional, um fanatismo extremo e prepotente de alguém ou um grupo em relação à nação. Em outras palavras, nacionalismo é um patriotismo sem medida ou moderação.

"As necessidades de um ser humano são sagradas. Sua satisfação não pode estar subordinada a razões de estado, ou por qualquer consideração de dinheiro, nacionalidade, raça ou cor, ou quanto a moral ou qualquer outro valor atribuído ao ser humano em questão, ou a qualquer outro tipo de consideração." - Simone Weil

Também há aqueles que se digam cosmopolitas, em outras palavras, “cidadãos do mundo”. Seria como ser sem nacionalidade, um apátrida, ao menos em relação geopolítica. Um cosmopolita é alguém que transcende a nacionalidade predita pelo espaço geográfico e divisão política, o mesmo se afirma como um alguém cuja pátria é o mundo.

O cosmopolitismo surgiu com os estóicos, que identificaram suas raízes sem qualquer classificação “artificial” (que seria a identificação de um indivíduo quanto seu grupo, povo, nação, etc). O pensamento cosmopolita despreza a identificação pessoal mediante aquelas criadas pelas fronteiras geográficas, sendo o indivíduo deve primeiro se reconhecer como ser humano e, por tanto, um habitante do mundo.

É instintivo do ser humano construir sua ética e relações interpessoais de uma forma cuja coexistência entre todos procure ser o mais pacífico e respeitoso possível, e a cidadania de um cosmopolita faz isso visando ser um bom cidadão do mundo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A prisão da sociedade disciplinar

"A ordem é ao mesmo tempo aquilo que se oferece nas coisas como sua lei interior,a rede secreta segundo a qual elas se olham de algum modo umas às outras e aquilo que só existe através do crivo de um olhar, de uma atenção, de uma linguagem..." - Michel Foucault

O filósofo Jeremy Bentham idealizou o que seria uma cadeia metafórica, o que chamou de panópctico. Para entender o que é o panóptico, imagine uma penitenciária com um vigilante observando todos os prisioneiros sem que estes saibam que estão sendo observados.

Na torre central haveria um vigilante observando cela por cela, expostas pelos lados internos e externos sem terem sombras para que nelas fiquem tudo claro de se ver.

O indivíduo teria consciência do seu cárcere, e esse reconhecimento de ser vigiado seria um meio de medir seus atos mesmo que não consiga enxergar seu observador. Dessa estrutura arquitetônica podemos concluir que o panópctico fortaleceria uma regente disciplina sobre a vida do indivíduo, o intimidando a ser um “prisioneiro” com bom comportamento. Essa intimidação está ligada muito com a força física, para evitar que se cometa um delito ou se pratique qualquer mal.

Michel Foucault também teorizou socialmente o que seria um panóptico. Seria uma prisão onde o indivíduo socialmente deveria ser "normalizado", onde seria um prisioneiro da sociedade e estar de acordo com seus conformes. O individuo então, na condição de prisioneiro, ele fica incluso no sistema de estar de acordo com as leis, as normas e não transgredir a “normalidade”.

domingo, 14 de agosto de 2011

Genealogia legítima e por afinidade

[Postagem dedicada ao Dia dos Pais]

O que é ser pai, mãe, um responsável? Sempre há essa dualidade moral de que “pai/mãe é aquele que educa” com “aquele que põe no mundo”.  Existem duas definições para a experiência de se ter filho, a definição de pai e mãe dada cientificamente e o significado moral.

Cientificamente, pai é o gerador masculino de uma vida, seu progenitor. Ele de alguma forma se relaciona com aquela pessoa que deve gerar e desenvolver essa vida até que ela esteja apta para nascer e então ir tendo seu contato e participação no mundo, esta sendo a mãe, a figura feminina.

Por essa forma podemos dizer que pai é “aquele que te colocou dentro da sua mãe”, e mãe é “aquela que te pôs no mundo”. Até mesmo uma pessoa adotada, órfã ou que por algum motivo não convive com seus pais biológicos, ela sempre reconhecerá essa legitimidade de parentesco, mesmo que ela não goste de seus pais ou vice-versa, é um fato que ambos sabem que nada muda.

Um pai que por exemplo nega a responsabilidade legal e ética de ter contato e afeto com seu filho é uma questão que veremos adiante, com o significado moral para a paternidade e maternidade.

Por serem a continuação de nossa família e fruto de nós mesmos, filhos se tornam uma obra criada pela vida, gerada pelo ser humano. Assim como um escritor que gosta de seus livros ou um pintor que tem afeto pelos seus quadros, o mesmo deve, ao menos moralmente, um pai ou mãe com seu filho. É alguém que deve amar, cuidar e educar seus gerados filhos até que estejam prontos para se defenderem e se virarem com o mundo sozinhos.

A definição social para um responsável pode ser dada mesmo que alguém não seja um pai ou mãe legítimo daquele que cuida como filho ou filha. Mesmo se for adotivo, por criação ou algum outro motivo, esse laço se encontra além do sangue, e sim, na afinidade emocional. Ser pai nesse sentido é uma pessoa do sexo masculino, consanguineo ou não, que exerce funções de pai. A mãe, personagem mulher nesse contexto, a que exerce o papel de mãe, sendo conseguínea ou não de seu filho por afeto. São então o que chamamos de “responsáveis”.

Homem versus Máquina


Desde a Revolução Industrial o progresso tecnológico do ser humano se torna um problema não só para a natureza, mais também para o próprio ser humano.

Socialmente podemos apontar a produção fabril industrial como a causa de uma série de desemprego estrutural que existe na sociedade nos últimos séculos, pois a máquina começou a tomar o lugar de homens nas fábricas, e com o tempo estas pessoas desempregadas criariam um clima de miséria e pobreza se generalizando. O progresso então é apenas para dar mobilidade ao capitalismo, sendo que pessoas passam fome e necessidade por causa disso, perdendo chance de emprego para as máquinas.

O início da industrialização marcou a modernidade, mudando radicalmente o modelo socioeconômico adotado por nós. O conceito de progresso se torna algo radical, alarmante, algo que apenas serve para dar muito poder financeiro para poucos; fazendo que a pobreza e miséria, coisas que sempre fizeram parte da civilização, realçar seu grau de influência e tornarem-se mais preocupantes.

O trabalho é base para que o ser humano conseguida suprir suas necessidades básicas, porém, a existência da maquinofatura revoga esse direito de muitos, os então desempregados. A exploração do homem com o próprio homem sempre ocorreu na existência da divisão de trabalho, resultado da divisão de tarefas desde as primeiras civilizações. A máquina explora a ganância humana de uma forma que para ela é bastante eficiente, visando o lucro e acumulo de capital escondido sob a máscara do benefício.

Ela, a industrialização, faz o homem agir como se a natureza existisse para suprir suas vontades. Embora a natureza e o homem coexistam naturalmente e a mesma possa nos servir para certas coisas, a indústria faz com que o ser humano abuse dessa liberdade, não só a explorando mais também procurando a manipular.

Para o ser humano contemporâneo, o mundo industrial qual criamos cria um cenário cada vez mais podre da condição humana, e esse problema sempre segue rumo ao progresso; a finalidade de corromper a humanidade.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Raíz do preconceito

"O preconceito é uma opinião sem julgamento." – Voltaire

Preconceito é um julgamento preconcebido por meio discriminação, ou seja, repulso provocado pela generalização ou desconhecimento do que se discrimina.

Advem de julgar algo como anormal, estranho, e não conseguir aceitar aquilo. Parece ser pejorativo, mais o preconceito é mais comum do que parece, pois é uma convicção sem fundamentos por base esteriótipos e modelos preditos. 

O preconceito é sempre aversivo, e pode chegar à intolerância, como se o fato de algo ser daquela forma fizesse o mesmo ser odiado apenas por existir. Max Weber dizia que uma hostilidade, atitudes negativas e agressivas em relação a um certo grupo pode sim ser preconceito.

É algo sem sentido, ao menos à primeira impressão, enquanto na verdade alguns possuem um passado que remonta o trajeto da cultura e principios sociais. Logo, certos preconceitos chegam à ter base de gerações anteriores.

"Os preconceitos têm mais raízes do que os princípios." – Maquiavel

Se estudados, muitos preconceitos comuns na sociedade possuem história. Exemplos comuns são de grupos que no passado eram discriminados, e que no presente ainda há a mancha desse preconceito, mesmo que apenas na forma de generalização ou de sátira. 

Também pode estar vinculado com o elo que se sobra da moralidade desses tempos, que de alguma forma ainda faz parte de nossos valores, assim também criando uma imagem predita superficial sobre algo ou alguém devido essa característica imoral ou de esteriótipo histórico.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Distinção de moral e legal

Duas instâncias que regulam o comportamento social são estas, a moralidade e a leis. Porém, embora elas tenham de certa forma o mesmo objetivo, elas tem a mesma finalidade por meios diferentes e suas particularidades.

Tanto as normas morais e jurídicas servem para regular as relações sociais e a conduta das pessoas que vivem nela. Ambas possuem bases relacionadas com a cultura e a história, ambas se prendem ao dever e uma coexistência entre aqueles que compõem a sociedade.

Separemos então as normas jurídicas das morais:

• A moral é a conduta social em sentido comportamental, formulando os valores e princípios que se devam adotar e como viver na sociedade. Determina o que é certo ou errado, o que deve, pode ou não ser feito; prezando costumes e tradição moralista.
"A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos, pois, pensar bem. Nisto reside o princípio da moral." - Pascal

• O direito possui ligação com o Estado, determinando o que um cidadão pode fazer, o que deve fazer por obrigação e o que é proibido. Constitui códigos formais, advertindo o que é legal ou não, dando instabilidade de forma imparcial para as relações sociais.
"A lei é inteligência, e sua função natural é impor o procedimento correto e proibir a má ação." - Cícero

Há um paradoxo de que alguns conceitos morais influenciem as leis e vice-versa, como algumas coisas que a lei, por exemplo, pensa cuidadosamente em legalizar por ser considerava imoral ou por sermos educados a sermos trabalhadores honestos e respeitadores das normas importas como leis pelo poder judiciário.

Mesmo assim, ambas devem ser diferenciadas, pois embora tenham o fim de regulamentar o bem estar social, elas fazem isso por meios e para fins diferentes.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O doentio fanatismo

"O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos." - Nietzsche

Fanático é aquele obecado por alguma coisa, seja ideológica, assuntos, questões, obras e até pessoas. Nada mais é do que uma conduta de adoração radical e extrema.

Existem aqueles fanáticos por carros, esportes, celebridades, arte, livros e filmes, em suas próprias convicções, entre outras. É um vício ideológico, qual o motivo que provoca o fanatismo se intranjeta na personalidade da pessoa, já de que de alguma forma ela precisa daquilo em sua vida, como se fosse vazia sem aquilo.

As características notórias de um fanático se destacam na ausência de personalidade própria, perdendo a própria identidade, se considerando a tendo apenas pelo alvo de seu fanatismo. A pessoa acaba se identificando demais com o objeto dessa obcessão que acaba deixando de ter certa personalidade própria, idolatrando e querendo ser imagem e semelhança daquilo que cultua exageradamente.

Também pode ser uma forma de escapismo da realidade ou de uma vida que incomoda o indivíduo, encontrado acolhimento e refúgio no seu fanatismo em alguma coisa, esta por sua vez consoladora e o fazendo esquecer um pouco das coisas.

Existem aqueles fanáticos por certos tipos de produtos e meios de lazer (esportes, livros, filmes, video games, etc); os ideológicos (patriotas apaixonados, racistas ou supremacistas, religiosos e fervorosos por ideologias políticas por exemplo) e a chamada idolatria, que é adorar alguém (uma pessoa, um ídolo, um ser).

Ser fanático é estar prisioneiro da própria obsessão!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Do crescimento populacional

O crescimento demográfico, isto é, o da população é um assunto muito discutido, sendo um dos problemas da atualidade que tendem a se tornarem cada vez mais preocupantes.

A população crescer trás cada vez mais problemas sociais, como desemprego, pobreza e fome cada vez mais generalizados; o sofrimento e angustia humana se tornam mais crescentes e a dificuldade para suprir a necessidade de todos de uma forma no mínimo significativa se tornam uma realidade cada vez mais evidente e mais distante de se ter soluções.

Nos últimos séculos a cituação está mais favoravel para o aumento demográfico. Isso se deve a mudança que ocorreu de muitas pessoas dos campos para as metrópoles; o avanço da medicina, que contribuiu para o aumento da expectativa de vida, aumentando as taxas de natalidade e de certa forma diminuindo as de mortalidade.

O economista inglês Thomas Malthus elaborou uma teoria que mais tarde receberia o seu nome, a populacional malthusiana. Nela ele mostra que há uma desproporção entre o aumento da população e da produção de alimentos. Ele comparou o crescimento da atividade agricola com uma progressão aritmética, e o crescimento demográfico com uma progressão geométrica.

O planeta possui limites, afinal, uma hora começa a ficar dificil conseguir sustentar a subsistência de uma população que vai cada vez mais crescendo. O próprio Malthus propos soluções como ter uma quantidade de filhos com o limite de até quanto os seus progenitores possam os sustentarem. Como a riqueza e boas condições de vida estão na mãos de poucos, a maioria então é destinada a pobreza e sofrimento.

Mais tarde a teoria malthusiana se adaptaria com a neomalthusiana, que afirma a superpopulação como maior causa da pobreza de um país. O subdesenvolvimento, seguindo esta lógica, seria resultado da educação e condições básicas de boa vida que não é acessível para uma grande população que maior parte vive na penúria. Os reformistas pensam diferente, afirmando uma numerosa população como consequência do subdesenvolvimento, e não como sua causa.

Será que, como essa problema está se tornando radical deva se tomar medidas extremas?

Uma população menor e mais controlado diminuiria o impacto da condição humana em nós, havendo menos pobreza, fome, sofrimento e mais proximidade de se ter o sonho de uma humanidade menos injusta e com a qualidade de vida no mundo menos pior.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Desobediência civil

Por questão de lógica, o cidadão que pretende viver em harmonia civicamente pretenderá estar submisso às leis, as obedecendo em troca de coexistir com a política. A desobediência civil é justamente uma blasfêmia contra o poder político, uma desobediência as normas de ordem jurídica (desrespeito para com às leis) por meio de criticar a legislação por alguma injustiça ou algo à se aperfeiçoar na lei.

Este conceito foi originalmente pelo escritor americano Henry David Thoreau, no ensaio A Desobediência Civil de 1849. Foi escrito após o autor ter saído da cadeia, preso ele por não ter pago impostos, por o considerar uma forma de coerção do Estado com o cidadão e por ser contra a guerra que os EUA e o México travavam na época. Essa obra inspirou figuras célebres como Mahatma Gandhi, Leon Tolstói e Martin Luther King Jr.

Toda grande crítica ao sistema é, em grande parte, desobediência civil; por chegar à escarnecer a mesma ou até descumprir ou agir contra a mesma lei que se critica. O ato de ser desobediente com os códigos legais acarreta em problemas com a justiça e órgãos com a intenção de zelar pela lei, como a polícia e o poder judiciário, podendo ser em certos casos preso ou até executa; fora ser considerado imoral por ter ido contra uma norma ditada pela lei.

Exemplos ilustres de desobediências civis são Gandhi e a sua luta pela independência da Índia, Luther King e o esforço pela coexistência de brancos e negros nos Estados Unidos e Nelson Mandela e a luta pela queda do apartheid (só de fato caindo com Frederik Willem de Klerk).

Com os exemplares de desobedientes civis começamos à filosofar sobre a competência e legitimidade das normas impostas por leis. Vem questõs como "Só por que uma coisa é considerada lei, ela é certa?" e "O que posso fazer para tornar a sociedade um pouco melho? Se é que posso o mesmo fazer".

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sociedade Epicuréia

Este termo surgiu durante a época dos ultra-românicos no Brasil. Era como uma irmandade dos escritos da época da Faculdade de Direito São Francisco em São Paulo, no momento estudantes universitários, que viviam de forma boêmia e hedonista; em prazeres como fumar, beber e sexo.

Antes de tudo, o termo alude ao filósofo grego Epicuro e seu pensamento. Sua filosofia se resume na busca do prazer, seja físico ou espiritual, para se viver em satisfação e serena paz interior. Mesmo valorizando o prazer, Epicuro visava juízo em o buscar e priorizá-lo.

Com os séculos, opositores do pensamento epicurista, que era o pensamento religioso que se disseminava na Europa medieval, considerava errado e herético pensar de uma forma que valorize os prazeres da carne, coisa que o pensamento católico dominante contradizia.

Então, uma sociedade epicuréia pode ser uma sociedade cujos valores se encontrem na alegria por via o prazer. As pessoas vivem querendo ser felizes, e com hedonismo vivem para sentir prazer, algo qual se precisa para se viver bem nesse modo de pensar.

O romantismo dessa época se inspirava muito no poeta inglês Lord Byron, que pensava e expressava em sua poesia a vida boêmia e voltada aos vícios. O vício nada mais é do que um meio para suprir dor e o vazio, e o pensamento romântico da época era muito melancólico e pessimista perante a vida terrena e em especial a vida amorosa; sendo o prazer então uma forma de se escapar disto tudo.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O terrorismo

"Nenhuma definição pode abarcar todas as variedades de terrorismo que existiram ao longo da história." - Walter Laqueur

Terrorismo é a imposição da violência contra pessoas ou coisas, realizando destruição física (ao patrimônio e genocídios em massa, por exemplo) e terror psicológico. O objetivo do terrorismo é se revoltar contra um governo ou grupo social, usufruindo de extremismo para intimidá-lo e provocar o sentimento de pânico em todos.

Só pelo motivo de muitas vezes o alvo do terrorismo ser um governo, isto não significa que o mesmo não possa ser o terrorista. Esse seria o terrorismo de Estado, qual o governo ostenta de forte uso do poder militar para submeter à população diante do mesmo. 

Esse fenômeno surgiu em nossos tempos, no decorrer dos últimos três séculos. A palavra “terrorismo” foi usada pela primeira vez em 1798 na França pós-revolucionária, para descrever o período de ditadura do Comitê de Salvação Pública. 

Xenofobia, radicalismo político, religioso, étnico e outras formas de intolerância são as causas do terrorismo, que nada mais é do que o uso de ferocidade e disseminação do terror para divulgar seus ideais e reprimir outros.

O terrorismo quando físico possui o fim de causar prejuízos para enfraquecer e intimidar, causando mortes, tortura e até destruição. Esse estado de choque que vem a provocar junto a divulgação de sua atividade e indução do medo o provoca em seu estilo psicológico.

É motivado pela fúria e o medo, pelo orgulho e a frenética providência de lutar pela sobrevivência de um ideal.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Entendimento social de Maquiavel e Morus

O italiano Maquiavel e o inglês Thomas Morus foram influentes no pensamento sociológico e político. Na Utopia de Thomas More, o mesmo retrata uma sociedade idealizada, como deveria ser. Já em O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, ele faz uma arguta observação das relações humanas, além de um ponto de vista menos idealizador do ser humano.
Porém, o que em ambos podemos notar é como as relações sociais passam a desenvolver a instabilidade social, sendo a paz ou calamidade resultado das condições econômicas e políticas e como estas são trabalhadas. Esses filósofos expõem os valores de sua época ao confiar os destinos dos povos e sua organização nas mãos de governantes competentes e sábios.

A história se torna um conhecimento valoroso para eles, com objetivo dos fatos passados terem relevância na melhoria e reflexão, como fonte de experiência e informação. Maquiavel se faz valer de fatos e líderes passados como defesa de seus ideais, mostrando ser possível reconhecer a vida social, dependendo de leis que afetam em algum grau a sociedade independente de época e lugar. O conhecimento da história se torna então uma melhor compreensão do presente.

Ambos caracterizam a ação do homem, seja ela passada ou presente, como alicerces de seu entendimento sociológico.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Poliarquia na tolerância social

A teoria política da poliarquia foi elaborada pelo cientista político Robert Dahl, como ferramenta de estudo da influência da democracia em países onde a mesma é adotada.

Como sabemos a sociedade possuem diversos grupos, sejam eles divididos por condição financeira, religiosa, étnica, de gênero, entre outras demais.

A coexistência harmoniosa desses grupos deve garantir sua presença na sociedade, seus direitos e zelar pela suas garantias constitucionais.
[É aquela velha lição de moral de "respeitar a religião dos outros, opção sexual, time de futebol, etc".]

Os cidadãos possuem uma série de direitos, e é responsabilidade do Estado prover garantia política de sujeição à contestação e oposição dentro do que a lei limita. Isto é, o governo poliárquico deve visar um diplomacia entre os grupos sociais, equilibrando a ação de seus interesses e fazendo leis que os igualem perante o Estado.

De modo geral, o governo poliárquico deve mantém a paz entre as demais diferenças, evitando conflitos e oferencendo a igualdade para se contentarem, não privilegiando nenhuma com regálias.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Muro

O muro é uma metáfora para o impacto que a alienação e tentativas inusitadas das pessoas preencherem seu vazio existencial causam na formação de valores e visão de mundo do indivíduo.

Sabe o mito da caverna? É o mesmo conceito, só que ilustrado de forma diferente. Dentro do muro está o que a pessoa vê, suas convicções, crenças e idealizações; o que ele aceita do mundo e da sociedade misturada com suas idéias originais. Além do muro, está o mundo como ele é, como ele é; separado e indistinguível do que achamos dele.

Outro aforismo do muro envolvendo alienação é a de transformar as pessoas em “mais um tijolo no muro”. Isso que dizer que a lavagem cerebral imperceptível pela sociedade acaba ditando às pessoas, as tornando escravas dos princípios dos alienadores.

O ópera-rock Pink Floyd The Wall, de 1982, mostra de forma exemplificada como a noção de identidade e alienação acaba por angustiar quem percebe isso. A primeira parte do filme está abaixo, legendado: [Recomendo também baixar o disco The Wall do Pink Floyd, CD que deu inspiração ao filme!]

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O monstro da fama

"O homem que busca a fama, a riqueza e casos amorosos é como uma criança que lambe o mel na lâmina de uma faca... É como um tolo que carrega uma tocha contra um vento forte, corre o risco de ter o rosto e as mãos queimados." - Buda

Celebridades são pessoas reconhecidas amplamente pela sociedade. Delas é requisitada a fama,um status de reconhecimento público. A fama é uma coisa que trás tudo o que o mundo pode oferecer de "bom" para um ser humano, fortuna, luxo, notoriedade, regálias e fãs são alguns exemplos.

A posição de famosa acaba jogando na personalidade da pessoa muitas coisas para deformá-la, como a riqueza e admiradores o celebrando. A fama cria na pessoa o monstro do ego, ganância e luxúria.
Seu orgulho faz sua necessidade ser saciada, dando valor à isso como se fosse um pedido nobre ou divino. A ganância vem dos mimos e mordomias de ser famoso, qual o indivíduo de cabeça fraca acaba por valorizar a opulência e, mesmo sempre tendo o que quer, nunca está satisfeito. A luxúria se encaixa não em sexo (não apenas!), mas no contexto da admissão das paixões pulsantes, os vícios e prazeres vazios e de satisfação nunca concretizada.

A vontade de ser famoso também é importante, o que justifica a disposição de muitas pessoas que se dispõem à serem famosas, mesmo que por pouco tempo; apesar desse tipo de fama ser sempre insignificante. Fama é fácil de se ter, basta muitas pessoas saberem que você existe e fãs idólatras. O sucesso é coisa que poucos famosos têm.

"Lute pelo sucesso e não pela fama. Se a fama vier, dê pouca importância a ela." - Augusto Cury

Sucesso é, em relação a fama, um mérito honroso. Os famosos que a conseguem, sejam artistas, músicos, desportistas obtem ela pela digna carreira merecedora de ser memorável. Outro motivo de se conseguir sucesso na fama é, por incrivel que pareça, uma tragédia memorável na vida do famoso, normalmente relacionada com a infâmia, que será falada sobre adiante.

O desejo pela fama se torna tão grande ao ponto da celebridade (ou subcelebridade) cometer atos infames, o garantindo uma má fama, uma infâmia. Cair no esquecimento faz parte da condição humana, e um atributo dela que os infames famosos devem ter mais dificuldade para conviver.

Augusto Cury, psiquiatra e escritor brasileiro, escreveu em Você é Insubstituível:
"Os famosos tentaram seduzir a felicidade. Ofereceram em troca dela os aplausos, os autógrafos, o assédio da TV. Mas ela golpeou-os, dizendo: "Escondo-me no cerne das coisas simples!" Rejeitando o seu recado, muitos não trabalharam bem a fama. Perderam a singeleza da vida, se angustiaram e viveram a pior solidão: sentir-se só no meio da multidão."

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A Pena do Talião

Uma lei de talião consiste numa reciprocidade entre crime e pena, sendo a retaliação o ato de impor esse tipo de pena. O talião é, entretanto, uma lei do gênero olho por olho, dente por dente. É um dos padrões de leis mais antigas da humanidade.

Historicamente falando, um dos primeiros indícios de lei de talião surgiu na Babilônia, com o Código de Hamurabi (sendo este também o código de leis mais antigo da humanidade), por volta de 1780 a.C. Consiste em numerosas penas para diversos tipos de delitos, que agiam de acordo com o princípio de "pagar com a mesma moeda".
Às penas procuram ao máximo serem semelhantes ao delito cometido, embora pudesse variar de acordo com a posição social e econômica da vítima e do infrator.
Alguns artigos do Código de Hamurabi:
• Art. 200: Se um homem arrancou um dente de um outro homem livre igual a ele, arrancarão o seu dente.
• Art. 201: Se ele arrancou o dente de um homem vulgar, pagará um terço de uma mina de prata. [Mina é uma unidade de peso que os babilônicos usavam.]
• Art. 202: Se um homem agrediu a face de um outro homem que lhe é superior, será golpeado sessenta vezes diante da assembléia com um chicote de couro de boi.
• Art. 229: Se um pedreiro edificou uma casa para um homem, mas não a fortificou e a casa caiu e matou o seu dono, esse pedreiro será morto.
• Art. 230: Se causou a morte do filho do dono da casa, matarão o filho desse pedreiro.
• Art. 231: Se causou a morte do escravo do dono da casa, ele dará ao dono da casa um escravo equivalente.
• Art. 232: Se causou a perda de bens móveis, compensará tudo que fez perder. Além disso, porque não fortificou a casa que construiu e ela caiu, deverá reconstruir a casa que caiu com seus próprios recursos.

Até mesmo o Velho Testamento é um adepto dessa forma de lei, na lei de Moisés em Êxodo 21:23-25 [caso fique curioso, leia o capítulo inteiro ou até procure mais forma de talião no pentateuco!]

O talião é uma forma forma de justiça bem aceita por alguns, considerada como justa e eficaz. O "aqui se faz, aqui se paga" pode ser interpretado como uma forma de justiça natural, seguindo o princípio de causa e consequência.

"Os homens apressam-se mais a retribuir um dano do que um benefício, porque a gratidão é um peso e a vingança, um prazer." - Tácito

Podemos considerar o talião até mesmo como uma coisa moral, afinal, possuímos uma pulsão natural que segue esse sistema de comportamento: A vingança. É um sentimento comum em nós, sendo alimentado por nossa fúria e consciência de status social. É lesiva, e visa prejudicar um infrator de forma igual, o forçando a passar pelo o que passou e/ou garantir que nunca mais este repita a ação.
Quando alguém faz uma coisa errada para com o próximo, isto é, "pisa na bola"; aos olhos do outro ela foi moralmente "criminosa". O que o mundo prega para o injustiçado é cobrar da pessoa que ela nunca mais faça isso, fazendo justiça com às próprias mãos.

Algumas pessoas preferem deixar a própria Justiça como executora da justiça e deixar o tempo resolver suas injustiças, outras se levam pela fúria e sua insensata noção de justiça e se consideram no direito de executarem tão retaliação.

"As forças da natureza fazem todo o trabalho, mas devido à ilusão uma pessoa ignorante supõe-se a si mesma como executora." - Bhagvad Gita

[Em particular, vejo que se justiça deve ser feita, justiça será feita. O delito que alguém esta mesma pessoa pagará pelo o que fez, e a frase que botei acima reforça meu ponto de vista.]