domingo, 3 de outubro de 2010

Amor platônico

O que é amor platônico e quando surgiu o termo?


Em um dos mais belos textos da literatura mundial, O Banquete, Platão expôs aquilo que seria a sua doutrina sobre o amor.
A narrativa que rememora uma festa acontecida na casa de um famoso poeta (Agatão) vai desencadear uma série de elogios ao deus que, se acreditava, não havia ainda recebido os louvores dos homens. Assim, o deus foi tido por diversos caracteres, desde o deus mais antigo e por isso bom educador, passando por uma força cósmica universal geradora dos seres, até uma dupla característica, uma vulgar e outra ascética, bem como também o deus mais jovem, mais belo e por isso irresponsável, criador, etc.
Chegada a vez de Sócrates falar, surge o problema: Sócrates não sabe falar bem (eloquência). Ele não sabe elogiar, mas gostaria, na forma dialogada, falar do deus. E sua primeira questão é: o que é o amor? Ou seja, antes de falar se ele é bom ou mau, belo ou feio, se ajuda ou se atrapalha na educação, deveríamos saber o que ele é. Para desconcerto geral, Sócrates define o amor como sendo a busca da beleza e do bem. E sendo assim, ele mesmo não pode ser belo nem bom. Quem ama, deseja algo que não tem. Quando se tem, não se deseja mais, ou se se deseja, deseja manter no futuro, o que significa que não o tem. E todos só desejam o melhor, ninguém escolhe o mal voluntariamente. Logo, o amor é o desejo do belo e do bom. Essa definição permite uma compreensão universal do objeto (o amor). Mas não devemos também acreditar que por não ser bom, o amor é mau. Não é uma conclusão necessária. Para isso, Sócrates vai contar o que Diotima contou-lhe sobre o amor.

Para combater o mito que acabara de escutar da boca de um comediógrafo (Aristófanes - mito da alma gêmea), Sócrates mostra o que aprendeu com aquela que o iniciou nos mistérios do amor. Diotima disse ao nosso filósofo que durante uma festa, todos os deuses foram convidados, menos a deusa Penúria. Faminta e isolada, ela procurou alimento nos restos da festa. Porém, ao ver o deus Astuto, deus engenhoso, cheio de recursos e que estava embriagado, deitado num jardim, a deusa resolveu ter um filho com ele. Nasce daí o deus Eros (ou amor), que assume as características de seus pais. Como sua mãe, ele é pobre, carente, faminto, desejante. Mas como seu pai, ele é nobre, cheio de recursos para alcançar o que lhe aprouver, saciando suas necessidades.

Em um nível cósmico, a função do deus é ligar os homens a Zeus, sendo um intermediário entre eles. Aos deuses, o amor leva as súplicas dos homens, seus anseios, suas dúvidas e necessidades através das preces e orações. Aos homens, o deus do amor traz as recomendações aos sacrifícios e honra aos deuses. Por isso, não sendo nem bom nem mal, mortal e também imortal, o amor é o que nos leva a escolher sempre o melhor, a fazer o bem. Ele morre, como um desejo que se acaba, mas logo nos inflama novamente, renascendo na alma dos homens. Todavia, o que é o belo e o bem que o amor busca?

Para Platão, no nível mais imediato, o amor refere-se à nossa sensibilidade e apetites, principalmente o sexual. Vemos, a partir de um corpo, a beleza, e o desejo de procriar nele. Isso significa, inconscientemente, que o desejo por um corpo belo é a tentativa da matéria de se eternizar. Os filhos são uma forma dos pais serem eternos. No entanto, o belo não é somente o corpo, tanto que logo que esse desejo se esvai, percebemos que outros corpos também nos atraem. Assim, passamos do singular (indivíduo) para o universal (todos os indivíduos). Mas ainda nisso não consiste a beleza, apenas participa da ideia. Para Platão, subimos degraus na compreensão da beleza, dos corpos até as ações nas ciências, nas artes e na política, que expandem a ideia de beleza. Mas ela mesma é uma ideia, norteadora das ações humanas, que dirige as almas para o bem absoluto que não pode simplesmente ser conquistado pelo homem encarnado.

Portanto, o homem, como duplo corpo-alma, jamais conhecerá a verdade de modo absoluto. Isso cabe somente aos deuses. Mas nem por isso deve deixar de se desenvolver. É moral dever agir procurando o melhor sempre. Ao homem, ser desejante intermediário entre os deuses e os outros seres não conscientes, cabe buscar o conhecimento que o aproxime dos deuses, não se deixando fascinar pelo sensível, mas buscando compreender o inteligível, o reino das ideias, o que propriamente é o saber. Assim, naturalmente, o homem é filósofo (ou deveria ser!) buscando a sabedoria, entendendo por isso a melhor forma de usar a parte que lhe é principal – a alma – para agir, ser dono dos desejos, compreendendo a função de cada um e não se tornar escravos desses.

sábado, 2 de outubro de 2010

Ser filósofo

A própria origem da palavra filosofia nos diz o que ela quer dizer. Derivada da união das palavras gregas philos ("que ama") e sophia ("sabedoria"), significando "que ama a sabedoria". Sim, os filósofos amam a sabedoria, mas não são enciclopédias ambulantes. O conhecimento dos filósofos é voltado para busca as raízes do mundo, a essência fundamental da natureza, da vida, do comportamento, leis; tudo que organize o universo, vamos dizer assim.

Direi duas frases, uma dita pelo poeta italiano Dante Alighieri, e a próxima de autoria minha:
"Agrada-me mais a dúvida do que o saber."
"As pessoas mais inteligentes não são as que respondem, e sim, as que perguntam."

Uma coisa que os filósofos jamais fizeram é aceitar opnião de mão beijada. NÃO! O filósofo vai atrás, busca por si mesmo, passa pela experiência por sua vivência, não pelo o que os outros contam; pensam por vontade própria, não pelo o que alguém os induzissem a achar aquilo.

Uma frase do Barão de Montesquieu vejo que se encaixa com o fato de que os filósofos baseiam sua ideologia em sua própria vivência e observação: "Só se conhece o que se pratica".

Uma função notória do filósofo é a de escarnecer certo público qual observa não ser produtivo para a sociedade, costumando atingir uma grande maioria ou apenas às pessoas no poder. Afinal, é como disse Diógenes de Sínope ... "Para que serve um filósofo, se não para machucar os sentimentos de alguém?"

Gosto de dizer que "O filósofo analisa e se importa com as dores e problemas do mundo". Pois é, os filósofos são pessoas que não se limitam apenas com as questões da sua vida, e sim com os problemas do mundo também, questões da natureza humana, etc. De certo jeito, os pensadores sentem essa dor e a compreendem, analisam, investigam-na, como se estes problemas fossem pessoais ou de um ente querido.

O filósofo busca a verdade como se fosse o propósito maior de sua vida [apesar de ser isso mesmo!], valoriza o conhecimento como a maior riqueza existente e paga o custo que for preciso para tornar-se mais esclarecido.

O que é corretamente certo ou errado?

O que é algo certo? O que é errado?

Toda pessoa é criada de um jeito, em uma sociedade, ideologia e outros atributos presentes na vida dela influenciam no seu modo de viver. A pessoa acaba levando seu “legado cultural” como a forma certa de se ver as coisas.

O que praticamente constrói o que uma pessoa considera como certo, errado, correto, imoral, etc é o justamente o meio em que ela vive e qual a educa. O meio qual foi educada é a base maior para formar o tipo de pessoa que todos são [Como o caso dos serial killers, que são criados em ambientes conturbados: Problemas de se sociabilizar, convivência difícil na vida caseira, conflitos psicológicos, entre demais fatores].

Considero o ser humano, nesse aspecto, um ser vazio. Por mais que uma pessoa possa ter uma alegria contagiante e um sociável senso de humor, nada muda o fato de que o que dita o que ela acolhe como certo ou não para sua vida está dentro dos padrões apresentados à ela.

Darei o exemplo da adolescência no meio social qual vivemos (disso sei bem, afinal, sou adolescente) ... Cada adolescente tem seu jeito de ser, mas muitas coisas que o mundo trás para eles aceitam, levando isso consigo, aceitando o que devem ou não aceitar. Que nem, o mundo tenta passar que chegar "lokão" em casa e viver só de farra como algo prazeroso e agente da felicidade; assim como o mundo tenta passar que o adolescente não pode "pensar", se importar com coisas realmente importantes, ocupar sua mente com questões menos profanas e egoístas.

Por isso valorizo os filósofos, pois eles (ou apenas a maioria, ou talvez somente alguns) pensaram e muito, analisaram e criticaram. Seus princípios são únicos, e mesmo particulares, usam o bom senso e vão contra aos padrões mundanos.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Questão da estética

Estética é o aprofundamento do belo, do sentimento que a beleza (ou a falta dela) disperta nas pessoas.

Engraçado até confirmar que até mesmo pessoas inteligentes não deixam de considerar a beleza algo realmente virtuoso. Mas afinal, o que é beleza? Se você procurar num dicionário, encontrará coisas do tipo "Qualidade de ser formoso; agradável à vista; bonito". Isso é, ao menos, o significado que a gramática nos passa; porém, trataremos desse assunto como seu significado filosófico.

Os filósofos da Grécia Antiga consideravam a questão da "beleza interior", como que pudessemos dizer que a estética da essência das coisas tivesse mais importância. Sim, a beleza não está só no os olhos enxergam, e não, ser bonito externamente não é a única forma de se mostrar agradável.

O filósofo alemão Hegel diz que a "beleze muda com o tempo". Verdade. Pense bem, a garota bonita da sala do teu filho adolescente não vai ter mais a mesma aparência daqui quarenta anos. O tempo muda a aparência das coisas, assim como as folhas de um livro que ficam gastas com o passar dos anos; ou uma casa velha que tem a estrutura corroída conforme fosse se tornando mais velha.

Beleza é algo muito superficial, é aquilo que agrada aos olhos.

Não digo que é supérfluo algo ou alguém ser bonito [pelo contrário, até mesmo os filósofos são mais um entre os admiradores da beleza], só digo que é apenas superficial, é uma qualidade opcional e involuntária que vem do exterior da pessoa.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Tabus entre culturas

Inspiro minha postagem de hoje numa atividade que tive hoje no colégio, na aula de filosofia, que tivemos que ler um texto de Michel de Montaigne. O texto falava costumes que uma cultura tem, e que ela pode ser mal interpretada em outras culturas.

Darei um exemplo tosco. Aqui no ocidente, arrotar durante uma refeição é tido como falta de educação; na China não, comum, é inclusive sinal de satisfação. Agora darei um outro exemplo [que não seja tosco] ... Nós comemos carne de vaca, mas na Índia isso seria até mesmo imoral [aposto que se eu fizesse isso lá, eu ia acabar sendo espancado], mas aqui no ocidente é comum; assim como os chineses comem carne de cachorro, mas isso aqui no ocidente não é bem aceitável.

Sim, existem coisas em outras culturas que consideramos como "estranhas", e vice-versa. Tudo bem, isso é o direito que cada um tem, não importa qual sua cultura. Não importa de que cultura você seja, você sempre terá opiniões de "bizarrices" diante coisas de outras culturas (ou até mesmo da sua talvez).
Questão cultural não é como uma teoria científica, que deve ser discutida; questão cultura é algo que mesmo você vendo algo de aversivo em outra cultura, deve respeitar, pois aposto que alguém de outra cultura também tem aversão em algo de sua cultura. O cultural está ligado aos costumes e a moral, e ajudam a manter a instabilidade da mentalidade de um povo.

Mais pense bem, se vermos bem, o que define nossa personalidade em grande parte é o meio que vivemos. Hábitos, costumes, fé, principios que nos passam (ou não passam), coisas que tentam nos passar como boas e ruins são o que tentam fazer o que somos. Darei um exemplo disso: Você gosta de carne de porco, mais e se você fosse criado como muçulmano? Muçulmanos não comem carne de porco, o porco é um animal impuro para eles. Logo, se você você muçulmano, você não comeria carne suína.

O que forma o caráter do ser humano é sua educação cultural. Muitas coisas que nossa cultura [agora estou à vir fazer um escárnio a cultura ocidental] tenta nos passar como boas são apenas passageiras, não são coisas que vão ter alguma diferença na sua vida. No caso da nossa cultura [ocidental], valorizado deve ser aquele que vai contra essas coisas tidas como "prazerosas" que tentam nos passar, pois vivemos numa cultura que o prazer precede razão.

domingo, 29 de agosto de 2010

Medo da inevitável morte

Por que muitas pessoas têm o medo de morrer? Para que ter medo? Não podemos a evitar.

A morte, uma coisa que um dia vai chegar, inevitável e tão profunda. A morte é fonte de dramas, interrogações, medo, angústia, revolta.

Epicuro disse uma vez que “Não nos preocupemos com a morte. Enquanto estivermos vivos, ela é-nos alheia; e quando estivermos mortos, ela alheia nos é, porque não existiremos mais”. Em vida obviamente desfrutamos das delícias da existência terrena e nos desalentamos de seus cantos obscuros, ao morrermos, deixamos tudo isso.

A vida é boa sim, mas as pessoas se preocupam apenas em aproveitá-la do que realmente viver. Viver é fazer algo prestativo pro mundo, procurar uma forma de entender o que faz dar sentido para sua existência, desfrute apenas do necessário, pois muitas pessoas se iludem com coisas passageiras.

O medo da morte deve se da pelo momento de morrer ser algo angustiante, dependendo até dolorido. As vantagens da morte se encontram depois dela, não durante ela. O medo de morrer deve se da a isso.

"O homem fraco teme a morte, o desgraçado a chama; o valente a procura. Só o sensato a espera". - Benjamin Franklin

Sim, é sábio e bonito não temer a morte e a considerar uma coisa natural, mas isso também não significa que devemos procurar morrer a todo custo, pois já sabemos que uma hora ela chega.

"Os homens temem a morte como as crianças temem ir no escuro; e assim como esse medo natural das crianças é aumentado por contos, assim é o outro". - Francis Bacon

Outra razão pelas pessoas temerem a morte é por não saberem como será depois, o medo do desconhecido. Podemos pensar em várias hipóteses, considerar por várias tradições e crenças, olhar por perspectivas teológicas ou ligadas ao misticismo... Mas nada vai satisfazer a curiosidade pelo desconhecido que nutre o ser humano, que se preenchem apenas quando o conhece.

Creio que a morte seja um momento significativo, que nos dá respostas para aquilo que procurávamos responder durante a vida.

"A vida é uma grande surpresa. Não vejo, por isso, razão para que a morte não seja uma surpresa ainda maior". - Vladimir Nabokov

Por mais que a vida tenha coisas boas e ruins, ela é uma surpresa. Isso prova que a morte é algo surpreendente, esclarecedor.