sábado, 12 de março de 2011

Amor Fati

Essa frase latina pode ser traduzida como "amor ao fado" (fado significado "aquilo que se considera destinado irrevogavelmente; destino; a ordem das coisas; fadário").

O que é amor fati? É amar o destino, o inevitável, o certo e errado, o justo e o injusto, ao amor e o desamor. É aceitar a vida como é, aceitando as coisas boas e ruins, sendo indiferente ao sofrimento.

Nietzsche descreveu como uma pessoa pode ser totalmente realizada é "Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo."
Ou seja, o amor ao fado nos ensina a aceitar o que a vida nos propõe e aceitar "numa boa", sendo indiferente em relação as preocupações e qualquer coisa dentro da condição da existência humana.

Em seu livro, A Gaia Ciência, existem duas referências à este pensamento:
"Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: - assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas."
"Amor fati (amor ao destino): seja este, doravante, o meu amor." Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja ‘desviar o olhar’! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia apenas alguém que diz sim."

Agostinho de Hipona descreve essa indiferença na perspectiva cristã, assim como escreveu em sua obra Cidade de Deus: "O nome "fati" (fado) nos faz fugir com horror, sobretudo por causa do vocábulo que ninguém se acostumou a entender o sentido verdadeiro."
Para o Santo Agostinho, era virtuoso o homem que aceitava o destino que Deus o propunha, assim como os demais seres.

Entretanto, o conceito de "amar" o fado é velho, remontando aos filósofos estóicos. Os que seguiam o pensamento da corrente do estoicismo também porpunham essa indiferença ao sofrimento e tudo aquilo que pro ser humano é acidental, como diz o ditado estóico "Guia quem consente e arrasta quem recusa."

terça-feira, 8 de março de 2011

Filosofia oculta

Falemos de ocultismo. Falemos de Aleister Crowley, Eliphas Levi, Papus, Cornelius Agrippa, entre outros ocultistas.

Antes de começar o artigo, um recado: O ocultismo é uma coisa muito ampla e profunda (e complexa), e o simplificar numa só filosofia é algo bastante complicado. [Entretanto, tentarei fazer isso da forma mais prática e coerente ao assunto que for possível]

"A Magia, de um modo geral, nada mais é do que a arte de causar efeitos visíveis a partir de causas invisíveis." - Eliphas Levi

Podemos resumir a filosofia oculta como por ser metafísica, pois visam entender aquilo além da nossa compreensão de causa e efeito (assim como a metafísica tradicional).

As ciências ocultas são um conjunto de teorias e práticas cujo objetivo seria desvendar os segredos da natureza e do Homem, procurando descobrir seu aspecto espiritual e superior. Ele trata do que está além da esfera do conhecimento empírico, o que é secreto ou escondido. O ocultismo está relacionado aos fenômenos supostamente sobrenaturais. Ocultismo é um conjunto vasto, um corpo de doutrinas supostamente proveniente de uma tradição primordial que se encontraria na origem de todas as religiões e de todas as filosofias, mesmo as que, aparentemente, dele parecem afastar-se ou contradizê-lo. O Homem aqui retratado seria um supostamente completo e arquetípico, composto não apenas de corpo, mas também de emoção, razão e alma (como divide a cabala). Segundo algumas tradições ocultistas as religiões do mundo teriam sido inspiradas por uma única fonte sobrenatural. Portanto, ao estudar essa fonte chegar-se-ía a religião original.Muitas vezes um ocultista é referenciado como um mago. Alguns acreditam que estes antigos Magos já conheciam a maior parte das descobertas da ciência, tornando estas descobertas meros achados. [Lembre-se, em várias civilizações do mundo antigo não havia distinção exata entre filósofos, cientistas, sacerdotes, místicos, etc.]

Na ciência oculta, a palavra oculto refere-se a um "conhecimento escondido" ou "conhecimento secreto", em oposição ao "conhecimento visível" ou "conhecimento mensurável" que é associado à ciência convencional.

Para as pessoas que seguem aprofundando seus estudos pessoais de filosofia ocultista, o conhecimento escondido ou oculto é algo comum e compreensivel em seus símbolos, significados e significantes. Este mesmo conhecimento "não revelado" ou "oculto" é assim designado, por estar em desuso ou permanecer no index das culturas atualmente, mas originalmente no século XIX era usado por ter sido uma tradição que teria se mantido ocultada da perseguição da Igreja, e da sociedade e por isso mesmo não pode ser percebido pela maioria das pessoas.

Assim como a filosofia comum, a ocultista também possui escolas de pensamento (hermetismo e teosofia, por exemplo).

[Agradeço o pessoal da comunidade: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=53071]

Valeu Casa do Bruxo!

domingo, 6 de março de 2011

Como é obtido conhecimento?

Dentro da filosofia é usado o termo a priori para se designar uma etapa para se buscar o conhecimento, consistente no pensamento dedutivo.

O que será tratado aqui é como se obtem a priori.

Pela experiência
Filósofos empiristas como Hume, Berkeley e Bacon consideravam pela causa do empirismo; qual o aprendizado é derivado da experiência, que formam ideias (discordando assim de ideias inatas).
John Locke mostra ênfase nisso através da sua tese epistemológica da tabula rasa (do latim "folha em branco"). Essa tese conceitua que todas as pessoas ao nascer o fazem sem saber de absolutamente nada, sem impressões nenhumas, sem conhecimento algum. Então todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido pela experiência, pela tentativa e erro.

Pela razão
O pensamento de Leibniz e o racionalismo de Descartes defendiam que o conhecimento é obtido por meio da razão, não pela experiência.
Por esse ponto de vista, o racionalismo afirma que a reflexão não precisa ser necessariamente proveniente da vivência, e sim, de qualquer forma de se conhecer sobre aquilo que se aprende.
Julgo Sócrates como outro um racionalista e defendor a busca da priori pela razão, pelo seu conceito de que o ser humano se conhece ao decorrer da vida, alegando traços inatos de sua natureza.

Separação dos três poderes

A teoria da separação dos três poderes foi desenvolvida por Montesquieu no livro O Espírito das Leis, qual elabora conceitos sobre formas de governo e exercícios da autoridade política que se tornaram pontos doutrinários básicos da ciência política.
Essa proposta dos três poderes é visada como a forma que o poder do Estado se divide e dando competência a órgãos diferentes do mesmo. Muitos da ciência política desse livro possui influência de John Locke e Aristóteles.

Os três poderes são - Executivo, legislativo e judiciário - e serão detalhados abaixo:
• Poder executivo: É aquele que executa as leis. É o poder do Estado que, nos moldes da constituição de um país, possui a atribuição de governar o povo e administrar os interesses públicos, cumprindo fielmente as ordenações legais.
• Poder legislativo: O poder do Estado ao qual é atribuída a função legislativa. Poder legislativo (também legislatura) é o poder do Estado ao qual, segundo o princípio da separação dos poderes, é atribuída o ordenamento jurídico. Por poder do Estado compreende-se um órgão ou um grupo de órgãos pertencentes ao próprio Estado (constituição, parlamento, câmara, etc) porém independentes dos outros poderes.
• Poder judiciário: É baseado na hierarquia dos órgãos que o compõem, formando assim as instâncias. É exercido pelos juízes e possui a capacidade e a prerrogativa de julgar, de acordo com as regras constitucionais e leis criadas pelo poder legislativo em determinado país.

Assim foi analisado as formas que a política trabalha; fazer as leis, executá-las e julgar.

O Espírito das Leis é um bom livro para se ler [que é bem aconselhável para quem procura se informar melhor sobre política]. Recomendo também A Política, de Aristóteles (embora a mesma tenha alguns princípios de sua época, como a aceitação da escravidão).

sábado, 5 de março de 2011

Sistematização dos fatores

Já ouviu falar da expressão popular do efeito dominó ou do efeito borboleta? Então, se aplicam em tudo que fazemos ou deixamos de fazer na vida.

Efeito borboleta é o conceito de que qualquer coisa (mesmo uma aparentemente insignificante) pode mudar toda a ordem natural daquele determinado acontecimento, transformando o procedimento daquilo que está ocorrendo.

O efeito dominó pode ser levado como consequência do efeito borboleta, pois uma vez que essa "agitação na ordem das coisas" acontece, o restante do seu desenvolvimento é alterado. [É como enfileirar dominós e empurrar um deles. Este que começa a cair compromete os outros também.]

Segundo a cultura popular, a teoria apresentada, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo. Porém isso se mostra apenas como uma interpretação alegórica do fato.

Faremos um exercício de imaginação...Imagine o que pedirei: Faz de conta que você está indo para a faculdade, e decide fazer em São Paulo. Você vai adquirir certas vivências, certo? Mas suponhamos que ao invés de fazer em São Paulo você decida ir para o Rio de Janeiro. A vida que você teria em São Paulo não será a mesma que no Rio, suas experiências serão obtidas de uma forma diferente.

O interessante em pensar sobre isso no nosso cotidiano é a possibilidade que mostra em vivermos num caos onde talvez possa não existir uma ordem natural na realidade; ou a subjetividade do como deva acontecer as coisas, sendo isto uma forte defesa filosófica para a liberdade de escolha.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Relações humanas: Ligações destas com as ecológicas

Existem formas de nós, seres humanos, nos relacionarmos conosco e os demais seres vivos. Na biologia, as formas que os seres vivos têm de se relacionarem dentro de seu ecossistema é chamada de relações ecológicas.

Abaixo explicarei algumas dessas relações, somente as que consegui encontrar coisa parecida nos contratos sociais humanos [se conseguirem fazer com as outras relações dos seres vivos, estudem e analisem vocês mesmos]:

• Sociedade: Associações de indivíduos da mesma espécie, organizadas de forma cooperativa e sem ligação anatômica. Pelos estímulos recíprocos, os indivíduos colaboram com a sociedade.
Nela, sempre há hierarquia, e cada um possui uma função relevante a sobrevivência da comunidade.
Com os humanos é o mesmo. Em toda sociedade existe hierarquia, pois sempre havera divisões das suas responsabilidades, e isso sempre gerará sua divisão. A comunidade vive em cooperação.

• Colônia: Agrupamento de indivíduos da mesma espécie com uma vital dependência coletiva. Nela pode ou não ocorrer divisão de tarefas. As necessidades costumam ser coletivas.
Trazendo isso pra humanidade, seria o exemplo de uma sociedade utopicamente igualitária. Também mostra a dependência dos elementos sociais, sendo as colônias [no sentido da biologia] grupos simples, buscando apenas o que devem.

• Mutualismo: Relação entre indivíduos de diferentes espécies, onde ambos se beneficiam e associação é obrigatória para a sobrevivência.
Na nossa sociedade isso é muito comum. Inevitável termos alguma forma de "relação diplomática" com alguém. Por exemplo os impostos, você os paga e em troca você se beneficia do que eles proporcionam.

• Protocooperação: Duas espécies diferentes vivendo tipo um mutualismo, porém, podem viver de modo independente sem que isso prejudique-as.
Um exemplo humano disso é um filho quando já segue sua vida adulta, tendo emprego, casa própria ... mesmo sendo independente já, os pais, parentes, etc tão aí pra o ajudar no que der e vier.

• Inquilinismo: Nela só um dos indivíduos sai ganhando, mas o outro não é prejudicado.
Acho que nem preciso dizer que existem exemplos humanos de casos de um só lucrando e o outro fica na inércia, porém, sem sair perdendo. Um exemplo desse é algo que praticamente quase todo mundo já fez, colar numa prova; um passar as informações e o outro passa elas para sua folha, mas o que passa a informação não sai prejudicado com isso, e nem ganha nada. [não se ferram desde que não sejam pegos]

• Comensalismo: Um dos indivíduos aproveita as sobras do alimento do outro sem o outro ser prejudicado.
Um exemplo extinto da sociedade é a escravatura, qual os escravos comiam as sobras das refeições dos seus chefes. Um exemplo mais recente é o de muitos casos de comércios, qual o patrão prioriza primeiro seu benefício e depois se importa em como e quanto (ou quando) pagar seus funcionários.

• Predatismo: Ocorre quando um ser vivo é intencionado a capturar através da caça e matar outro ser com o fim de se alimentar da sua carne. Ocorre entre espécies diferentes (um ser se alimentar da mesma espécie é canibalismo). Para sobreviver, algumas presas possuem meios de se defenderem (como o mimetismo, camuflagem e aposematismo).
Isso ocorre figurativamente na sociedade, o mundo está louco. É um tendo que levar o outro pra baixo, é a cadeia alimentar do homem atual.

• Parasitismo: Nessa associação um ser vive dentro ou sobre outra criatura, retirando seus alimentos e/ou se beneficiando do que sua alimentação o trás de bom. Os parasitas não possuem a intensão de provocar mal para seu hospedeiro, sendo sua causa apenas a de sobreviver, mesmo que isso ferre com outro ser vivo.
Sabe aquelas pessoas que com quarenta anos ainda moram com a mãe? Então, é gente que não tomou consciência de tomar rumo independente na vida e mora com a mãe devido sua indolência. [A parte do parasita é o quarentão detonando a geladeira, etc...]

• Esclavagismo: Relação qual um ser aproveita das atividades, trabalhos e produtos de outros seres vivos.
Exemplos bem racionais são dos fazendeiros cultivando gado, suinos, bovinos, entre outros. Sua carne, lã, couro, leite e outras coisas beneficiam o ser que está tendo proveito dessas coisas [no caso, o criador do animal e os que obtem seus recursos].

• Competição: Competição entre indivíduos, de mesma espécie ou não. Ocorrem por diversas causas, dependendo das espécies em confronto.
Já devem saber que o ser humano também é competitivo, seja no mercado de trabalho, no meio esportivo, em chamar atenção, impressionar alguém ... Acho que deu pra compreender!

Achei legal estudar como os seres vivos se relacionam e notar que tem coisa parecida no nosso meio de nos relacionarmos.