terça-feira, 24 de maio de 2011

Conhece-te a ti mesmo e o autoconhecimento

O aforismo nosce te ipsum (que em latim significa "conhece-te a ti mesmo") tem origem duvidosa. É antiga, contemporânea aos pré-socráticos, entretanto, é a chave da maiêutica de Sócrates.
[A maiêutica é um elemento do método socrático, que nada mais é do que fazer perguntas e mais perguntas, com a intenção de se chegar por indução ao entendimento.]

Essa frase possui várias interpretações, todas relacionadas com o autoconhecimento, isto é, o conhecimento de si. O indivíduo conhecer melhor a ele mesmo faz ele ter controle melhor sobre si mesmo, reconhecer mais claramente seus defeitos e limitações; sendo que se bem obtido, esse controle pessoal provoca uma política mais desenvolvida do indivíduo para consigo mesmo.

O autoconhecimento é proveniente da percepção do erro, do defeito, da falha. Com alguma refletição se torna imediato, não necessitando de um processo epistemológico para conhecer à si próprio, apenas de observação e pensamento abstrato. A tendência inefável do ser humano o impede de chegar à obter tal ciência dele mesmo, pois precisa de um mínimo de estruturação filosófica e modéstia para se ter o mesmo.

Um dos objetivos primários da filosofia é fazer a pessoa se reconhecer, ter consciência do que ela é e razões profundas dela, normativas e existenciais. A filosofia já visa o autoconhecimento, uma parte individual e escalrecedora dentro daquele que pensa.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Muro

O muro é uma metáfora para o impacto que a alienação e tentativas inusitadas das pessoas preencherem seu vazio existencial causam na formação de valores e visão de mundo do indivíduo.

Sabe o mito da caverna? É o mesmo conceito, só que ilustrado de forma diferente. Dentro do muro está o que a pessoa vê, suas convicções, crenças e idealizações; o que ele aceita do mundo e da sociedade misturada com suas idéias originais. Além do muro, está o mundo como ele é, como ele é; separado e indistinguível do que achamos dele.

Outro aforismo do muro envolvendo alienação é a de transformar as pessoas em “mais um tijolo no muro”. Isso que dizer que a lavagem cerebral imperceptível pela sociedade acaba ditando às pessoas, as tornando escravas dos princípios dos alienadores.

O ópera-rock Pink Floyd The Wall, de 1982, mostra de forma exemplificada como a noção de identidade e alienação acaba por angustiar quem percebe isso. A primeira parte do filme está abaixo, legendado: [Recomendo também baixar o disco The Wall do Pink Floyd, CD que deu inspiração ao filme!]

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O monstro da fama

"O homem que busca a fama, a riqueza e casos amorosos é como uma criança que lambe o mel na lâmina de uma faca... É como um tolo que carrega uma tocha contra um vento forte, corre o risco de ter o rosto e as mãos queimados." - Buda

Celebridades são pessoas reconhecidas amplamente pela sociedade. Delas é requisitada a fama,um status de reconhecimento público. A fama é uma coisa que trás tudo o que o mundo pode oferecer de "bom" para um ser humano, fortuna, luxo, notoriedade, regálias e fãs são alguns exemplos.

A posição de famosa acaba jogando na personalidade da pessoa muitas coisas para deformá-la, como a riqueza e admiradores o celebrando. A fama cria na pessoa o monstro do ego, ganância e luxúria.
Seu orgulho faz sua necessidade ser saciada, dando valor à isso como se fosse um pedido nobre ou divino. A ganância vem dos mimos e mordomias de ser famoso, qual o indivíduo de cabeça fraca acaba por valorizar a opulência e, mesmo sempre tendo o que quer, nunca está satisfeito. A luxúria se encaixa não em sexo (não apenas!), mas no contexto da admissão das paixões pulsantes, os vícios e prazeres vazios e de satisfação nunca concretizada.

A vontade de ser famoso também é importante, o que justifica a disposição de muitas pessoas que se dispõem à serem famosas, mesmo que por pouco tempo; apesar desse tipo de fama ser sempre insignificante. Fama é fácil de se ter, basta muitas pessoas saberem que você existe e fãs idólatras. O sucesso é coisa que poucos famosos têm.

"Lute pelo sucesso e não pela fama. Se a fama vier, dê pouca importância a ela." - Augusto Cury

Sucesso é, em relação a fama, um mérito honroso. Os famosos que a conseguem, sejam artistas, músicos, desportistas obtem ela pela digna carreira merecedora de ser memorável. Outro motivo de se conseguir sucesso na fama é, por incrivel que pareça, uma tragédia memorável na vida do famoso, normalmente relacionada com a infâmia, que será falada sobre adiante.

O desejo pela fama se torna tão grande ao ponto da celebridade (ou subcelebridade) cometer atos infames, o garantindo uma má fama, uma infâmia. Cair no esquecimento faz parte da condição humana, e um atributo dela que os infames famosos devem ter mais dificuldade para conviver.

Augusto Cury, psiquiatra e escritor brasileiro, escreveu em Você é Insubstituível:
"Os famosos tentaram seduzir a felicidade. Ofereceram em troca dela os aplausos, os autógrafos, o assédio da TV. Mas ela golpeou-os, dizendo: "Escondo-me no cerne das coisas simples!" Rejeitando o seu recado, muitos não trabalharam bem a fama. Perderam a singeleza da vida, se angustiaram e viveram a pior solidão: sentir-se só no meio da multidão."

Mulheres na filosofia

A participação das mulheres na história da filosofia foi bem limitado. O conhecimento esclarecedor é muito visto como prerrogativa do homem, pela mulher ser julgada como um ser mais emocional que o homem, este por sua vez sendo mais racional.

Essa restrição é provocada pelo modelo patriarcal adotado pelos ocidentais desde a antiguidade. Essa herança machista que seguiu com os séculos rebaixa a mulher na sociedade, limitando-a de certas funções.

Na filosofia isso não foi exceção! Pensem bem... As mulheres, bem analisadas, são generalizadamente mais emocionais, e a emoção limita o senso filosófico. Esse conceito cria a idéia de que a mulher, ao menos em maioria, não possuem capacidade para serem filósofas, pois o lado sentimental delas é mais forte que o emocional, tendo o homem filósofo facilidade para equilibrá-los ou de ser mais racional.

Entretanto existem mulheres na filosofia, e algumas até mesmo melhores filósofas do que muitos pensadores homens. Temos como exemplo de mulheres na filosofia , como Theano (a esposa de Pitágoras), Melissa, Temistocléia, Aristocleia, Aspásia, Hipátia, Hannah Arendt, Simone Weil e Edith Stein.

Pensadores homens como Aristóteles e Hegel diziam que a mulher e a filosofia não caminham juntas. Já outros, como Platão e Tomás de Aquino, eram adeptos da capacidade da mulher de ser filósofa.

Em baixo, um vídeo sobre algumas citações de pensadores em respeito às mulheres:

terça-feira, 17 de maio de 2011

Culto à Orfeu

O orfismo foi um modelo de pensamento do mundo grego antigo, inspirado no exemplo e mito de Orfeu, ícone e referencial desse modelo de pensamento. Foi uma religião, porém, repleta de filosofia.

Era diferente da religião popular grega, o politeísmo deles, qual conhecemos suas crenças através da mitologia grega. Embora diferente ideologicamente e em ritualística, acreditava nos mesmos deuses.
Possuiu influência na filosofia grega, tanto que Eurípedes, Heródoto, Aristófanes, Platão e Aristóteles deixaram escritos dissertando sobre o movimento órfico. [Inclusive a tese da encarnação elaborada por Platão é inspirada na órfica.]

Defendia a imortalidade espiritual e uma eterna felicidade pós-vida, porém, somente depois de uma série de reencarnações, um círculo penoso qual os humanos são presos até obterem esclarecimento (semelhante ao pensamento de religiões orientais).

A concepção da alma humana para os gregos se inspirava na de Homero, qual após a morte a existência perdia seu valor, se perdendo no Hades (praticamente uma extinção total do ser). Para o orfismo ela é a essência da existência, e não a vida terrena.

O reconhecimento dessa verdade e a vida ascética fazia o homem quebrar o ciclo penoso das reencarnações, dando tranquilidade ao espírito.
 
Ascese, a renúncia de prazeres e necessidades supérfluas, foi fundamental para a ética órfica. O desapego aos desejos profano a pessoa enxergar os enganos e problemas da vida, a fazendo trilhar uma vida digna de eterno repouso.
 
Características da alma humana para o orfismo:
• No homem há um princípio divino, uma alma que caiu em um corpo para corrigir uma imperfeição.
• Essa alma não só preexiste ao corpo como também sobrevive a ele, estando destinada a reencarnar em corpos sucessivos até que consiga depurar-se das imperfeições e dos erros que a fazem voltar ao mundo.
• Com suas práticas e ritos simbólicos, o orfismo buscava despertar no homem a compreensão destas verdades, ajudando-o a tomar consciência do que e quem ele é, e motivando-o a tomar ânimo para ter o total controle de sua vida, aperfeiçoando-se e pondo fim ao ciclo das reencarnações (temos aqui, de alguma forma, um eco dos ensinos budistas).

Acreditava que a essência humana era divida, de modo geral, dando a mensagem que somos deuses e devemos voltar à estar entre os mesmos.

domingo, 15 de maio de 2011

O Iluminismo

O iluminismo é um movimento filosófico e intelectual (além de econômico, social e político) contemporâneo ao auge do absolutismo, entre os intervalos de tempo dos séculos XVII e XVIII.

Caracteriza-se por pregar o uso da razão como libertadora e consultável para se construir um mundo melhor. Defendia ideais de liberdades pessoais, igualdade, fraternidade. A política e economia também foram atacadas, pois defendiam a democracia e modelos de economia mais adequadas para uma comunidade racional (a fisiocracia e o liberalismo, as duas correntes econômicas desenvolvidas pelos iluministas).
[Sendo então o absolutismo e o mercantilismo criticados e questionados, até por fim caírem!]

Acreditavam em leis naturais que regiam a natureza humana (seja comportamental ou social) e a natureza em si. O pensamento filosófico era visto como ferramenta para o esclarecimento do ser, isto é, refletir, questionar e afins.

Teve, de certo modo, um pensamento também deísta, crendo num deus criador do universo, um perfeito regente existencial que governa sobre leis eternas. Caberia então ao ser humano desvendar tais leis.
[Descartes, um percussor iluminista, é um exemplo de adepto deste preceito, acreditando que não houve mais interferência divina após a criação do universo.]

Uma característica também do iluminismo foram os chamados déspotas esclarecidos, monarcas que eram adeptos da política absolutista mas ao mesmo tempo possuiam princípios iluministas ou possuiam assessores que mantinham estas idéias.

O iluminismo teve percussores pensadores como René Descartes, Bento de Espinoza e Isaac Newton. Futuramente seguiu com personalidades como Hume, Adam Smith, Quesnay, Gournay, Turgot, Lessing, Mendelssohn, Diderot, D'Alembert, Kant, Locke, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, Rousseau, Marquês de Pombal, Edward Gibbon, Montesquieu e Benjamin Constant.

Acontecimentos históricos tiveram influência iluminista, como a Revolução Gloriosa na Inglaterra e na instauração dos Estados Unidos como país independente. O iluminismo deve ter chegado ao seu ápice na Revolução Francesa, que com ela caiu o Antigo Regime e a política, economia e sociedade começou à possuir a identidade que tem ainda em nossos dias.