terça-feira, 21 de junho de 2011

Tabula rasa

"Conhecimento de ninguém aqui pode ir além de sua experiência." - John Locke

A tabula rasa (que em latim significa "tábua raspada") é uma tese epistemológica desenvolvida pelo filósofo inglês John Locke em sua obra Ensaio acerca do Entendimento Humano, de 1690.

A teorização da tabula rasa remonta Aristóteles, mas foi apenas com o Locke que esta se tornou melhor elabora, estruturada e explicada.

Para entender melhor o que é a tabula rasa, compare-a com uma folha em branco. Foi essa a comparação que Locke fez de como o ser humano é ao nascer, sem formações, personalidade, conhecimento; nossa mente nada possui, assim como uma folha em branco.
[A palavra tabula, no contexto usado pela tese, é uma referência às tábuas cobertas com uma fina camada de cera que se usava na Roma Antiga para escrever, onde se fazia incisões sobre a cera para se escrever nela. As incisões podiam ser apagadas, ou seja, o conteúdo das tábuas podia ser apagado ou raspado.]

É uma dissertação ao favor do empirismo, qual afirma que não existem idéias inatas e nem intuitivas, afirmando que o conhecimento humano se baseia na experiência empírica. A mente humana em Locke seria então como uma folha de papel, sem conteúdo ao nascer, e conforme vai crescendo e se desenvolvendo, seria como se os desenhos e escritas num papel representassem o aprendizado pela experiência.

Todo o processo do conhecer, do saber e do agir então seria aprendido através da experiência empírica. A condição da consciência então é desprovida de intuição e concepções inatas; como uma folha a ser preenchida.

domingo, 19 de junho de 2011

Hermenêutica: A interpretação da palavra do autor

Quando se trata de interpretar um texto, a hermenêutica é a arte de interpretar no texto o que o autor pretende passar, isto é, tentar compreender o texto dentro do que o autor teve intenção de passar.

A origem do termo alude ao deus grego Hermes, mensageiro dos deuses, qual o título de patrono da comunicação e a linguagem a ele se atribuíam. Esse nome em sua homenagem mostra o quanto a hermenêutica procura ser precisa e quanto tenta ser correta em suas interpretações.

"Como é possível o compreender?" - Wilhelm Dilthey

A frase acima é uma questão fundamental da hermenêutica. Numa interpretação de texto comum é necessário apenas analisar e compreender o que texto quer exprimir, sobre seu assunto e contexto em que os seus elementos se encaixam. A hermenêutica exige um pouco mais, pois é necessário conhecer sobre o autor, sobre sua visão de vida, razões para escrever a obra, sua vida e época em muitos casos também é importante saber a respeito; entre em fim, estudar o escritor.

A estrutura da compreensão hermeneuta mostra como fatos como a época, contexto cultural e outras influências na visão do autor são necessárias para se entender corretamente o que este quis passar em sua escrita.

Hermenêutica não é uma análise subjetiva, e sim um entendimento do outro, não podendo se achar nada com seus olhos, e sim apenas reconhecer o que se fica claro e evidente.

sábado, 18 de junho de 2011

Esperança

"A esperança é o único bem comum a todos os homens; aqueles que nada mais têm ainda a possuem." - Tales de Mileto

Ter expectativa numa coisa é esperança, uma espera de uma meta ou algo desejado visto por uma boa perspectiva. A esperança é otimista, e muitos dizem que ela é a última que morrem... mas será que isso é verdade? Há limites para se ter esperança? Quando devemos senti-la ou não? Quais suas raízes?

O sentimento de esperança surge quando procuramos se obter uma meta ou algo que focamos nossa vontade, qual a esperança nada mais é que o suplemento de nossa confiança e determinação em se alcançar a meta que aparece ou implantamos em nossa vida.

A expressão popular diz que a esperança é a última que morre, correto? A pessoa esperançosa é até bem virtuosa por esse aspecto, porém, uma das maiores decepções na vida é o excesso de expectativa, isto é, cobrar de mais que algo seja da forma desejada, afinal, nunca sabemos qual o roteiro que a vida segue.

Deve-se sim em algumas circunstancias saber quando “você perdeu”, mas não se deixar abalar pelos fracassos e decepções da vida. A esperança é a vontade querer algo que lutar por isso, até que o contrário esteja de fato evidente, isso sendo a conquista não realizada.

Mesmo que saber reconhecer as derrotas da vida seja bom, ter esperança é fundamental para reconhecer a vitória.

"Quem não arrisca nada não precisa de esperança para nada." - Friedrich Schiller

sexta-feira, 17 de junho de 2011

As doutrinas liberais e socialistas

"O objetivo primordial e necessário de toda a existência deve ser a felicidade, mas ela não pode ser obtida individualmente; é inútil esperar-se pela felicidade isolada; todos devem compartilhar dela ou então a minoria nunca será capaz de gozá-la." - Robert Owen


As transformações que começam a ocorrer na transição do século XVIII para o XIX na Europa e em todo o mundo ocidental criaram espaço para a formulação de doutrinas teóricas que justificavam de forma regular ou criticavam e condenavam a ordem sócio-econômica e política da época.

Nesse tempo que surgiram dois grupos: Os anarquistas e os socialistas. Ambas as ideologias pretendiam chegar ao comunismo, a sociedade justa e igualitária, sem classes. O que mais diferencia elas é que o socialismo antes tem como fim eliminar o capitalismo e intervir na ordem social um tempo, e por fim chegar ao comunismo. A anarquia é a transição direta para o comunismo.

Anarquistas

Adeptos do liberalismo tanto político como econômico, os anarquistas defendiam e teorizavam uma sociedade sem governantes. Para estes, o problema de todo governo seria a própria existência do mesmo, qual a sociedade só será justa quando o governo for de todos e não de poucos.

Na forma liberal, o Estado pode coexistir com a sociedade desde que não intervenha em sua liberdade pessoal e interpessoal, cabendo apenas não deixar que se abuse desse direito. A anarquia pensa diferente; pois o Estado é o problema, pois a sociedade só seria igual e justa com a inexistência de governo, substituindo a responsabilidade dos governantes para a própria população.

Pode-se citar como influentes pensadores da anarquia Robert Owen, Ned Ludd, David Ricardo, contando também com influencia liberalistas como John Locke, Adam Smith, Thomas Malthus e Turgot, além de precursores como Díogenes e Aristipo de Cirene.

Socialistas

Nasceu com a reação do proletariado aos efeitos da Revolução Industrial, quais os socialistas então começaram a criticar a estrutura sócio-trabalhista que esta causou. O socialismo defende a intervenção no Estado no trabalho e na economia, cabendo ele administrar de forma mais igualitárias ou menos injusta a ordem sócio-econômica.

Seus teóricos fizeram análises acerca dos problemas que criticavam sobre as injustiças no trabalho e condição de miséria social, como também idealizar soluções para uma sociedade menos desgraçada com uma população menos miserável. Exemplos disso é a luta de classes da teoria marxista e o apoio da violência para se chegar a sociedade sem classes defendida pelo movimento bakuninista.

Influentes pensadores e teóricos socialistas são Claude de Saint-Simon, Charles Fourier, Karl Marx, Friedrich Engels, Proudhon e Bakunin. Além de também de influências para o socialismo, como Thomas More.


Ambas as correntes ideológicas criticavam a evolução que o capitalismo seguia, como a máquina substituindo o homem no mercado e a miséria resultado da falta de qualidade de vida para todos.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ataraxia e a serenidade do espírito

Ataraxia é o termo grego criado por Demócrito, utilizado para nomear a tranquilidade da alma, um estado de espírito ausente de preocupações. Se tornou um elemento chave na filosofia epicurista, estóica e cética; se traduzindo numa verdadeira paz espiritual, livre de inquietação. Ensina a viver dentro do necessário e apropriado, sem ambições grandiosas e desapropriadas.

Além dos três grupos de filósofos citados acima, os epicuristas, estóicos e céticos, os latinos filósofos Sêneca e Marco Aurélio também difundiram o conceito de ataraxia em seu pensamento.

"A vida do justo é pouco perturbada por inquietações, a do injusto é cheia das maiores inquietações." – Epicuro

É um controle das emoções e pulsões, desejos e renúncia às tentações, visando libertar as pessoas de preocupações e da necessidade imediatista de saciar o repulso ao vazio existencial. Isso resulta numa felicidade que embora ainda efêmera, seja baseada pela virtude, não um encobrimento temporário sobre nossos desejos superficiais.

Renunciar as paixões e tentações do mundo induz a um autoconhecimento de um meio ético e estável de se ter prazer natural, uma satisfação que tenha fundamento e algum significado que não seja realizar suas pulsões necessitarias.

"Tenha poucas ocupações, diz o sábio, se quiser levar uma vida tranqüila." - Marco Aurélio
"Depois de nos precavermos contra o frio, a fome e a sede, tudo mais não passa de vaidade e excesso." - Sêneca

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Diferencial de um professor de filosofia

Filosofia é uma disciplina escolar obrigatória desde 2008 pelo MEC, ao menos no Ensino Médio, e é uma matéria não muito atrativa aos alunos, pelo menos normalmente. O gosto do aluno até pode determinar seu gosto ou não pela filosofia, mas normalmente um bom professor desperta o interesse e gosto do aluno pela filosofia. [Ou faz o mesmo perder o interesse, depende do professor!]

Um professor de filosofia deve ter primeiro de tudo gostar de passar conhecimento (gosto por ensinar), pela leitura, escrita e o debate. Se torna essencial sempre procurar mais sobre o que falar, e como passar esse conhecimento, tendo que saber e desenvolver sua didática de ensinar.

É importante o gosto pela leitura, ampliando seu conteúdo para passar aos alunos refletirem e pensar (até mesmo para o próprio professor também), desenvolvendo seus argumentos e teses a respeito do que se estudou.

A didática é importante. Só por que é professor não significa que a pessoa saiba ensinar. No caso de quem ensina filosofia, uma matéria não tão valorizada e agradável à todos, o professor deve incentivar o trabalho do pensamento de refletir e criticar dos alunos por meio de coisas presentes no dia-a-dia, curiosidades ou análises mais profundas do que cerca suas vidas eles notando ou não.

Uma coisa que alguns professores fazem que é aconselhável é introduzir os alunos na filosofia, os introduzindo na estética, metafísica, ética e moral, e o fazer enxergar o uso utilitário da filosofia na vida, o fazendo compreender sobre a sociedade, política, direito, crendice e outras questões de suas vidas e cotidiano.

Embora essas qualidades renderem num bom diferencial, o máximo que um professor de filosofia faz é ensinar filosofia, não a filosofar. Embora consiga passar bem filosofia na teoria e saiba ensiná-la de uma forma atrativa aos alunos, filosofar se aprende sozinho.