quarta-feira, 6 de julho de 2011

A simples humildade

"Você deseja ser grande? Em seguida, começar por ser pouco. Você deseja construir um tecido grande e sublime? Pense primeiro sobre os fundamentos da humildade. Quanto maior a sua estrutura é para ser, mais profunda deve ser a sua fundação. A humildade é a coroa da modesta beleza." - Agostinho de Hipona

Humildade é dita como qualidade para se formar um melhor cidadão e ser humano, mais ela não é só uma qualidade, e sim, uma condição de simplicidade pessoal.

O humilde é aquela pessoa que não possuem intenção de mostrar superioridade para as outras pessoas, não tendo elas necessidade de se projetar para impor alguma forma de suprir o ego.

Você pode até ser o melhor do mundo em alguma coisa; porém, ao expor isso por vanglória e narcisismo, estará sendo prepotente, ou seja, se glorificando mais do que deva, e não há humildade nisso.

Não é títulos que os homens de honra, mas os homens que os títulos de honra.” - Maquiavel

Reconhecer o talento ou sucesso em alguma coisa não é arrogância, desde que este reconhecimento não seja apenas o fato superficial de ter um motivo para inflamar o seu orgulho.

Ser humilde é se reconhecer por nada mais do que deva se reconhecer, sem mais e sem menos; e ser realizado por viver de acordo com o necessário. Por humildade a pessoa vive numa nobre condição de simplicidade de espírito, isto é, simples por natureza.

sábado, 2 de julho de 2011

As reformas protestantes

A centralização monárquica que se desenvolvia na Europa desde o fim da Idade Média deixava tensa a relação entre as monarquias e a Igreja, que até então era detentora de firme poder temporal. Além do domínio espiritual sobre a população, o clero também possuía poder político e administrativo sobre os feudos. O Papa, o líder da Igreja, recebia tributos provenientes de feudos de toda a Europa, e a formação dos estados nacionais botaram em questionamento esta prática para os monarcas.

Nessa mesma época também nascia o capitalismo, que acabou encontrando obstáculos na doutrina católica, que por sua vez condenava a usura, defendendo um comércio justo e sem intenções cobiçosas. [Isso comprometia, por exemplo, os bancários da época, pois empréstimo a juros era considerado pecado.]

A burguesia e a nobreza em geral estavam insatisfeitas com a Igreja, não encontrando mais nela necessidade de se impor sobre os burgueses, aristocratas e, principalmente, a monarquia.

A própria Igreja Católica vivia com suas crises e possuía causas que mais tarde os reformadores protestantes criticariam: Estava muito dividida entre o pensamento agostiniano e o do tomismo; o abuso do poder do clero, tornando um tanto quanto hipócrita fazerem pregações moralizadas; a incoerência da condenação usura e ao mesmo tempo a prática da simonia e a venda de indulgências.

Em pleno Renascimento era comum críticas as instituições clericais, e de que a Igreja deveria se adaptar aos novos tempos. Exemplos desses pensadores são Thomas More e Erasmo de Roterdã.

Também teve um predecessor, com os valdenses no século XII, seguidores de Pedro Valdo. Traduziu a bíblia para o idioma popular e a pregava sem ao menos ser sacerdote, repartindo bens com os pobres. Afirmava que cada um devia ter a Bíblia traduzida em sua língua, sendo ela fonte do papel eclesiástico. Se reuniam em segredo por causa da perseguição católica, e eram contra o culto à imagens, que consideravam como idolatria.

Porém, de fato, a Reforma Protestante nasceu com o professor universitário de Oxford de teologia chamado John Wiclif, e em Praga com Jan Huss.

Wicliffe atacava com suas críticas severamente a opulência e cobiça da Igreja e os valores tradicionais cristãos que esta perdeu do cristianismo primitivo como a devoção a pobreza material, a tradução da Bíblia para os idiomas de cada país e que o culto fosse feito nas mesmas línguas (pois eram feitos só em latim, língua por poucos dominada), e também defendia que o Estado devia ser superior a Igreja. Tanto Huss e Wiclif foram condenados a serem queimados vivos pelo Concílio de Constança em 1415.


A Reforma Luterana
O Sacro Império, atual Alemanha, era um país que na época ainda vivia em base feudal, agrária, com alguns adeptos ao capitalismo e mercantis ao norte.A Igreja ainda tinha grande influência e poder neste território, e a nobreza alemã estava desesperada para romper essa influência do clero.

O pensamento protestante no Sacro Império aconteceu graças a Martinho Lutero, professor de teologia na Universidade de Wittenberg e sacerdote agostiniano. Pregava a predestinação e negava a prática de jejuns e outras práticas comuns a Igreja.

Em 1517 publicou as 95 Teses, uma crítica radical à Igreja e ao Papa. O pensamento de Lutero dividia a nobreza alemã e até mesmo preocupava o Papa. Em 1530 publica a Confissão de Augsburgo, o fundamento da doutrina luterana.

Sua doutrina era igual qualquer outra protestante; rejeitava o tomismo,a leitura da Bíblia para todos e tradução da mesma para o idioma local, considerar apenas o batismo e eucaristia como sacramentos, submissão da Igreja ao Estado e supressão a adoração dos ícones (santos).

Lutero acabou sendo bem apoiado por grande parte da nobreza alemã, tendo até mesmo inspirado revoltas camponesas, em especial, Thomas Münzer. Apesar de ter sido inspiração, Lutero foi contra o movimento de Münzer.
  
A Reforma Calvinista
Na Suíça, a reforma iniciou com Ulrich Zuínglio, adepto de Lutero, desencadeando uma guerra civil qual o próprio Zuínglio foi vítima. Pouco tempo depois, chegava a Genebra o francês João Calvino, que passou a divulgar suas idéias e assim fundar uma nova corrente religiosa.

Seus ideais se fundamentam no princípio da predestinação absoluta, segundo qual todos estavam sujeitos à vontade de Deus, e somente poucos estariam sujeitos a salvação eterna. Os sinais de graça divina estariam numa vida plena virtuosa, trabalho diligente, sobriedade, ordem e parcimônia. O doutrina calvinista estavam mais próximas da apologia comercial da época e do capitalismo, o que fez com que fosse a doutrina protestante que fosse mais bem sucedida, se expandindo rapidamente pela Europa.

Inspirado em Lutero, Calvino também considerava a Bíblia como base da religião, não precisando se quer de um clero que seja regular. Criticava a adoração aos santos e admitia apenas o batismo e eucaristia como sacramentos.

Sua corrente protestante chegou aos Países Baixos, Dinamarca, Escócia (levado por John Knox, formando os presbiterianos), na França (com Jacques Lefevre e os huguenotes) e Inglaterra (com os puritanos).

A Reforma Anglicana
Na Inglaterra, a reforma desencadeou pelo rei Henrique VIII, que obteve dividendos políticos com o processo. Seu casamento com Catarina de Aragão teve anulação para se casar com Ana Bolena, e o monarca inglês rompeu assim com o Papa. Além das razões pessoais, a Inglaterra também já havia alguns desentendimentos com a Igreja desde o fim da Idade Média, o que inspirou ainda mais a reforma anglicana.

Em 1534 publicou o Ato de Supremacia, criando a Igreja Anglicana, qual o monarca Henrique VIII era líder. Apesar de se estruturar de forma similar ao catolicismo, a doutrina anglicana se aproximava do calvinismo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Arthur Schopenhauer

Vida
Arthur Schopenhauer nasceu em 22 de Fevereiro de 1788 em Danzing, na Prússia (atual Gdańsk, na Polônia) e morreu em 21 de setembro de 1860 em Frankfurt, na Alemanha. Seu pensamento é marcado pelo pessimismo, não tendo inclusive se encaixado com a mentalidade da época. Sua filosofia também é marcada pela influência de Buda e a crítica à Hegel.

Veio de uma família opulenta, sua mãe sendo uma escritora conhecida e seu pai um comerciante sucedido e um homem irascível e controlador.

Estava destinado a seguir o ofício do pai, e por isso, sua família não se preocupava tanto com a formação de sua educação intelectual. Com doze anos de idade, começo a viajar com o pai numa jornada importante para o seu futuro comercial, percorrendo a Alemanha, França, Inglaterra, Holanda, Suíça e Áustria. Ingressou na faculdade de comércio de Hamburgo em 1805.

Nessas viagens o que despertou em Schopenhauer não foi o dom de comerciante, e sim o interesse pelo entendimento da condição humana, redigir considerações melancólicas e pessimistas a respeito da existência humana.

Em 1805 seu pai comete suicídio, e a herança por ele deixada contribui para mais tarde o futuro intelectual de Arthur, que abandonou os estudos comerciais e se voltar para uma carreira universitária. Em 1809 adentra na Universidade de Gottingen para estudar medicina. Fez transferência para Berlim em 1811, e dois anos depois.

Em 1811, na Universidade de Berlim, assistia aos cursos de filosofia de Fichte e Schleiermacher. Fichte foi acusado por Schopenhauer de caricaturar a filosofia de Kant, envolvendo o povo alemão numa neblina filosófica. Se doutourou com a tese “Sobre a Quádrupla Raiz do Princípio de Razão Suficiente”.

Foi morar em Weimar, onde sua mãe estava tendo sucesso como novelista. A relação entre os dois deteriorava-se ao ponto de sua mãe declarar publicamente que a tese de seu filho não passava de tratado de farmácia; em contrapartida, Schophenhauer afirmava que pouco provavelmente ela seria lembrada como escritora, sendo que seria lembrada apenas por ter dado luz a ele.

Mesmo assim, frenquentou por um tempo o salão de sua mãe. Lá conheceu Goethe e se tornou amigo deste poeta. Em 1815 publica “Sobre a Visão e as Cores”.

Em 1819 publica “O Mundo Como Vontade e Representação”, a mais importante da divulgação de sua filosofia. Teve poucas vendas, e também com uma crítica não favorável.

Em 1818 e no ano seguinte, Schopenhauer vive um tempo na Itália, e quando volta, sua situação financeira não se encontra tão boa. Solicitou em 1820 o cargo de monitor na Universidade de Berlim, qual ministrava um curso de filosofia, qual também tinha Hegel como instrutor, este sendo um reputado professor da universidade. Tentando competir com Hegel, Schopenhauer escolheu o mesmo horário utilizado pelo rival, mas fracassou, tendo apenas quatro anos. Demitiu-se no fim do semestre.

Em 1821 acontecimentos em sua vida levaram Schopenhauer a ter um desagradável prejuízo econômico, e vindo a causar uma casual crise de depressão. Nessa época, vivia numa pensão, cuja maioria dos pensatários eram senhoras de idade avançada. Essas pensionistas costumavam espionar a chegada de supostas amantes de Schopenhauer em seus aposentos. Certa vez, quando uma costureira fazia esta proeza, Schopenhauer perdeu a paciência e a atirou escada abaixo. Foi processado e acabou tendo como pena pagar trezentos tálares (a unidade monetária da época) em despesas médicas. Era obrigado também a pagar sessenta tálares anuais, tendo feito isso até a morte da costureira, que veio a falecer apenas vinte anos mais tarde. Durante esse meio tempo, Arthur Schopenhauer entrava em depressão nervosa na datas de pagar a pensão. Sua revolta imprimia sua emoção de injustiçado pelas autoridades.

De 1826 a 1833 viajava com frequência, adoecendo várias vezes e tentou uma segunda experiência como professor na Universidade de Berlim, e mais uma vez fracassou.

Em 1833, depois de várias hesitações, o filósofo resolveu se mudar para Frankfurt, onde residiu até sua morte em 1860. Seus vinte e sete anos nesta cidade foram anos de solidão, tendo apenas em casa companhia canina. Sua preferência pelos animais era algo justificado por sua filosofia, principalmente dando ênfase aos cães, cuja vontade não é dissimulada pelo pensamento.

Dedicava-se muito à reflexão filosófica. Schopenhauer trabalhava intensivamente em Frankfurt, publicando diversas obras. Entre elas se destacam a segunda parte do "O Mundo Como Vontade e Representação", "Sobre a Vontade da Natureza", "A Arte de Insultar" e seu último livro "Parerga e Paralipomena". Esta última, publicada em 1851, teve um surpreendente sucesso, e foi o que fez Schopenhauer ser reconhecido, tendo ela crédito por seu pensamento não ter caído no esquecimento.

A filosofia de seu rival Hegel declinava e a se Schopenhauer ascendia.

Os últimos anos de Schopenhauer foram anos de reconhecimento que ele sempre buscara. Artigos críticos por ele escritos estavam nos principais periódicos da época. A Universidade de Breslau dedicou a estudar suas obras e a Academia Real de Ciências de Berlim o convidou para ser membro dela em 1858, porém, o mesmo recusou.

Morreu em 21 de setembro de 1860, de pneumonia, aos 72 anos.

Pensamento
Schopenhauer teve muita inspiração na filosofia kantiana e na budista. Sobre a condição humana impera o pessimismo, afirmando que a existência profana do ser humano é infestada de sofrimento e dor.

Afirmava que o mundo não é mais do que representações interpretradas com síntese entre o subjetivo e o objetivo, entre a realidade exterior e a interior ao homem.

Para o filósofo, a vontade é à base da essência metafísica do mundo e da conduta humana, e fonte de todo o sofrimento. A vontade é então uma vontade sem profundidade, um querer irracional e inconsciente. O querer, o desejar, à vontade em sim é o gerador da dor; sendo a felicidade uma temporária ilusão da mesma. O prazer é a ilusão passageira da dor, e também um vício qual se tende a lutar parar supri-lo.

A libertação do sofrimento seria então em compreendê-lo e enxergá-lo, coexistindo com ele por meio da renúncia ao mesmo. Essa libertação foi nomeada por Schopenhauer de nirvana, homenagem ao conceito budista de libertação do sofrimento contínuo da existência.

Para ele, o amor nada mais era do que uma forma de despertar de desejo sexual, com o fim primitivo de reprodução. Não existiria então para Schopenhauer o amor romântico, apenas o interesse lascivo.

Esse filósofo tinha uma noção de ética diferente, não a objetivando no "dever", considerando isso como um meio de coerção. A busca pela verdade, filosofando e estudando a vida são os meios de se buscar a verdadeira senda para o bem segundo este filósofo.

A arte para ele não é uma coisa totalmente libertadora, apenas distanciando relativamente por um tempo da vontade, e não a suprindo. É uma forma de expressão que serve para extravasar a vontade e representação.

Leviatã

Leviatã, ou também Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil é um livro escrito por Thomas Hobbes em 1651. O livro é assim intitulado em referência ao monstro bíblico com o mesmo nome, Leviatã, presente no livro de Jó. Essa obra trata sobre a estrutura social e política de uma sociedade, dando explicações teóricas sobre o poder do governante, a religião no estado e uma relação da conduta do homem social e comportamental.

O livro foi escrito durante a Guerra Civil Inglesa, período turbulento em que política e religião eram os fundamentos dessa guerra brutal entre os monárquicos anglicanos contra os parlamentaristas presbiterianos. Analisando o livro, o estado inglês da época teria então um poder central bem fraco, o culpando pela revolta. Hobbes passa que em um estado absoluto forte e eficiente isso não aconteceria, pois o poder político e o religioso estariam nas mãos do regente, e a instabilidade da harmonia social concretizada por um contrato social que suprisse as necessidades básicas normativas das diferenças.

A estrutura do livro se divide em quatro partes:
•    A primeira (Do Homem) é uma análise do estado de natureza humano em relação com a moral, a racionalidade e as paixões humanas.
•    A segunda (Da República) parte defende a contradição a essas paixões, que tendem a desobedecer às leis morais. Para evitar desentendimentos e mantém uma paz estável, é preciso um acordo social que todos devam obedecer e por igual zelar pelos interesses coletivos.
•    A terceira (Do Estado Cristão) descreve sobre a religião cristã e seu papel no Estado, argumentando sobre suas verdades sobre o homem e um estudo sobre a influência social da religião de estado. Ao mesmo tempo, delimita o poder eclesiástico, dizendo que o poder estadista deva ser maior.
•    A quarta e última (Do Reino das Trevas) é uma crítica a ineficiente interpretação da sagrada escritura, Bíblia, e também sobre a ignorância do conhecimento desta presente em muitos devotos.

Vemos nessa obra o ideal do contrato social, e a defesa de um soberano absoluto e o papel do Estado em regular a instabilidade social que acarreta no caos e na guerra civil, e só um poder centralizado forte teria essa capacidade. Defendia então o absolutismo e realçava que o governante embora absoluto deva ser sábio.

A expressão bellum omnium contra omnes (do latim "A guerra de todos contra todos") é, para Hobbes, o que as pessoas procuram evitar, optando por um contrato social que garanta certas liberdades em troca da convivência pacífica em sociedade. A guerra de todos contra todos seria nada mais do que a luta dos grupos pela autonomia de seus direitos, visando somente os beneficiar.

Leviatã é uma obra filosófica muito bem difundida no campo da filosofia política e social, e até mesmo despertando interesse em religiosos pela também apologia cristã.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O terrorismo

"Nenhuma definição pode abarcar todas as variedades de terrorismo que existiram ao longo da história." - Walter Laqueur

Terrorismo é a imposição da violência contra pessoas ou coisas, realizando destruição física (ao patrimônio e genocídios em massa, por exemplo) e terror psicológico. O objetivo do terrorismo é se revoltar contra um governo ou grupo social, usufruindo de extremismo para intimidá-lo e provocar o sentimento de pânico em todos.

Só pelo motivo de muitas vezes o alvo do terrorismo ser um governo, isto não significa que o mesmo não possa ser o terrorista. Esse seria o terrorismo de Estado, qual o governo ostenta de forte uso do poder militar para submeter à população diante do mesmo. 

Esse fenômeno surgiu em nossos tempos, no decorrer dos últimos três séculos. A palavra “terrorismo” foi usada pela primeira vez em 1798 na França pós-revolucionária, para descrever o período de ditadura do Comitê de Salvação Pública. 

Xenofobia, radicalismo político, religioso, étnico e outras formas de intolerância são as causas do terrorismo, que nada mais é do que o uso de ferocidade e disseminação do terror para divulgar seus ideais e reprimir outros.

O terrorismo quando físico possui o fim de causar prejuízos para enfraquecer e intimidar, causando mortes, tortura e até destruição. Esse estado de choque que vem a provocar junto a divulgação de sua atividade e indução do medo o provoca em seu estilo psicológico.

É motivado pela fúria e o medo, pelo orgulho e a frenética providência de lutar pela sobrevivência de um ideal.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Dolo e culpa

"Todo o homem é culpado do bem que não fez." - Voltaire

Quando exercemos uma atitude que tanto quem parâmetro ético e moral é errado intencionalmente chamamos isso de dolo, a vontade de agir com má-fé.

A culpa é o sentimento resultado da avaliação do comportamento reprovável cometido pela mesma pessoa, qual o senso de moral atormenta mentalmente pela vergonha a postura incorreta tomada pela pessoa.
O dolo é a vontade de agir consciente, com a intenção de praticar uma atitude tida pelas normas jurídicas ou morais como inadequada. A pessoa que a comete pode ter ou não noção disso, mais o que impera é o desejo de provocar um delito.

Aristóteles em Ética a Nicômaco disse que para se julgar a má conduta de alguém é preciso observar três aspectos, que para ele, são os fundamentos de uma conduta inadequada: Malícia, incontinência e bestialidade. A pessoa incontinente tem culpa, mas a culpa é menor que o dolo, a intenção de pecar. Esta vontade, quando surge de ocasião, como manifestação da natureza animal é ainda menos grave que aquele pecado que é cometido de forma arquitetada, premeditada, usando a inteligência própria do ser humano a serviço do mal.
[Essa forma de avaliação do mal serviu de inspiração para Dante Alighieri elaborar a justiça de seu Inferno na sua epopéia Divina Comédia!]

Muitas vezes agimos incorretamente sem intenção, isto é, sem intenção, e tomamos consciência disso e nos conscientizamos do erro. Quando se tem dolo, a postura que com ele tomamos é intencional, tanto tomado pela emoção (ostentação, fúria, vingança, orgulho, entre outras), falta de conscientização (como ocorre num atropelamento) ou visão de ética e leis diferente daquelas já impostas.

Em direito, a culpa é um elemento do tipo penal (ou fato típico), qual se comete um delito por negligência, imprudência ou imperícia, ou seja, em razão da falta de cuidado objetivo, sendo, portanto, um erro não-proposital. O dolo é a vontade de agir de forma culposa, estando lúcido ou não de que aquilo é errado e suas possíveis consequências, mas por livre e espontânea vontade.