quinta-feira, 14 de julho de 2011

Concepções acerca de Deus

Uma questão sempre em aberta na metafísica e significativa na religião é a existência da entidade divina, forças maiores que transcedem o profano e o não profano.

Seja vendo deus como um ser presente ou não e idealizador do universo, uma forma de vida extraterrestre, um design inteligente, inexistente ou morto, todos possuem um pensamento à respeito de deus ou uma força superiora que rege os princípios universais.

As formas de se ter alguma concepção perante o ser divino é primeiro enxergar diversos pontos de vista sobre o mesmo. Primeiramente sobre se o memo existe, sua função e o que ele é (atribuido à um deus ser a causa da existência em si) e sua relação com a divindade (o que é divindade possui significados diferentes; no monoteismo é uma qualidade e condição, no politeismo um status). Esses atributos, junto à relação com o ser humano, se encontram na filosofia ocidental desde os pré-socráticos.

Abaixo, as principais concepções de deus:

• Visão Monoteísta: A visão monoteísta faz deus e a divindade serem uma coisa só, pois a divinidade não se torna uma posição, e sim uma qualidade do ser supremo. Esta acaba se tornando a base do pensamento monoteísta, o de que defende a unicidade de deus. Tomás de Aquino defende dizendo que aquilo que torna uma coisa singular não é comunicável, também sendo imcompartilhável, mostrando que apenas Deus possui a divindade.
• Visão Politeísta: O que resume o pensamento politeísta é a consideração da divindade como um status, se tornando compartilhável, defendendo assim a existência de vários deuses. A lógica pagã, a adoração à diversos deuses, divide as atribuições dos deuses, dizendo que cada fenômeno da natureza física e até humana possui um deus dedicado a mesma. Plotino separa unidade e unicidade; afirmando que na unidade também há multiplicidade. Para o mesmo de deus todas as coisas emana, logo, ele não é único.
• Visão Panteísta: Esta não entra na questão da unicidade ou pluralidade divina, e sim na identidade do mesmo. A forma panteísta de se considerar deus não o separa do universe, da natureza e a essência da existência; pois pro panteísmo estas e deus são um só. Dele se deriva o pandeísmo, considerando deus como estar além do universo e ao mesmo tempo ser sua totalidade; e o panenteísmo, de que o universo está integrado em deus. Platão considerava o mundo como deus gerado por si próprio. Outros pensadores notoriamente deísta for am os neoplatônicos, Nicolau de Cusa e Espinosa.
Visão Irreligiosa: Desacredita na existência do ser divino, ou ė incerto quanto ao mesmo. Por questões profundas e de crer no absurdo o ate desacredita em deus; e pro agnóstico a existência deste é uma incógnita, crente que o homem não con segue provar ou desprovar deus. Nietzsche ficou conhecido pelo "Deus esta morto", podendo ser uma apologia ao ateísmo ou uma tese propondo a morte e inatividade divina. Epicuro, Barão d'Holbach, Bertrand Russell e Sartre são alguns exemplos de reconhecidos filósofos que negam a existência de deus. No questionamento da existência ou inexistência de deus se tem Pirro, Buda, Hume e Huxley.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Desobediência civil

Por questão de lógica, o cidadão que pretende viver em harmonia civicamente pretenderá estar submisso às leis, as obedecendo em troca de coexistir com a política. A desobediência civil é justamente uma blasfêmia contra o poder político, uma desobediência as normas de ordem jurídica (desrespeito para com às leis) por meio de criticar a legislação por alguma injustiça ou algo à se aperfeiçoar na lei.

Este conceito foi originalmente pelo escritor americano Henry David Thoreau, no ensaio A Desobediência Civil de 1849. Foi escrito após o autor ter saído da cadeia, preso ele por não ter pago impostos, por o considerar uma forma de coerção do Estado com o cidadão e por ser contra a guerra que os EUA e o México travavam na época. Essa obra inspirou figuras célebres como Mahatma Gandhi, Leon Tolstói e Martin Luther King Jr.

Toda grande crítica ao sistema é, em grande parte, desobediência civil; por chegar à escarnecer a mesma ou até descumprir ou agir contra a mesma lei que se critica. O ato de ser desobediente com os códigos legais acarreta em problemas com a justiça e órgãos com a intenção de zelar pela lei, como a polícia e o poder judiciário, podendo ser em certos casos preso ou até executa; fora ser considerado imoral por ter ido contra uma norma ditada pela lei.

Exemplos ilustres de desobediências civis são Gandhi e a sua luta pela independência da Índia, Luther King e o esforço pela coexistência de brancos e negros nos Estados Unidos e Nelson Mandela e a luta pela queda do apartheid (só de fato caindo com Frederik Willem de Klerk).

Com os exemplares de desobedientes civis começamos à filosofar sobre a competência e legitimidade das normas impostas por leis. Vem questõs como "Só por que uma coisa é considerada lei, ela é certa?" e "O que posso fazer para tornar a sociedade um pouco melho? Se é que posso o mesmo fazer".

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O arquétipo e nossas idéias inatas

É um modelo formado de alguma coisa, uma impressão feita e presente em nosso inconsciente coletivo, um elo de nós com a nossa carga de experiência ancestral herdada psiquicamente. É uma tese formada por Carl Jung, presente no ramo da psicologia inspirado em seu pensamento, a psicologia analítica.

É como um estereótipo, porém, de vez de fazer um subjulgar simplista e superficial, o arquétipo possui história, uma ancestralidade. É o armazenamento psicológico de nossos subjugares mais básicos, passados através de gerações e gerações, podendo ser chamado como a essência de toda a natureza humana.

Podemos dizer que nossas noções inatas de alguma coisa são arquétipos; como distinção de belo, do bem e do mal, nexo, etc.

Não só na forma de julgar as coisas, mais os arquétipos são imagens presentes no ser humano desde seus primórdios, atuando como base do desenvolvimento mental. Idéias e convicções vão se moldando a partir disto segundo Jung.

A nós é apresentado por forma simbólica, como em sonhos e elementos notórios destes; ou também presentes no imaginário e no credo. Se encontra além do condicionamento cultural e social, pois o arquétipo é um atributo inato; modelando noções de imagem da mãe e do pai, do divino, de bem e mal e outros dados básicos de nossa vida. Constrói assim o nosso inconsciente coletivo, com os temas presentes em nossa organização psicológica.

domingo, 10 de julho de 2011

Sete Sábios da Grécia

É atribuído a sete filósofos e pensadores da Grécia Antiga, todos eles pré-socráticos, a alcunha de sábios; e todos eles formam juntos o grupo de sete figuras históricas na filosofia grega.

O que os tornam sábios é a rica filosofia, isto é, a sabedoria e esclarecimento que apresentam em suas respectivas visões de mundo. Cada um deles possui um aforisma central, que revela algo sobre a condição mundana.

A lista dos sábios às vezes varia, porém, normalmente os sábios incluídos são: [Respectivamente com um conselho de cada]

Tales de Mileto – “Conhece-te a ti mesmo
Sólon de Atenas – “Mede as tuas palavras pelo silêncio e o silêncio pelas circunstâncias
Cleóbulo de Lindos - "Moderação é a melhor coisa"
Periandro de Corinto - "Seja previdente com tudo"
Pítaco de Mitilene - "Você deve saber quais as oportunidades de escolha"
Quilon de Esparta - "Você não deve desejar o impossível"
Bias de Priene – “A maioria dos homens são maus"

Nunca houve um consenso oficial entre os historiadores sobre quais são este sete sábios. Porém, a descrição destes é registrada no diálogo platônico “Protágoras”.

Os conhecendo melhor...
Tales de Mileto:
A ignorância é incomoda.
Conhece-te a ti mesmo.
Evita os adornos exteriores e procura os interiores.
Perto ou longe, importa lembrar os amigos.
Quem promete falta.
Espera receber de teus filhos, quando fores velho, o mesmo tratamento que dispensaste a teus pais.
Evita as palavras que possam ferir os amigos.
Se és chefe, começa por saber dominar-te.
Evita enriquecer por vias desonestas.

Periandro de Corinto:
Os prazeres são mortais, as virtudes, imortais.
Um lucro desonesto é uma calúnia contra o espírito.
A democracia é preferível à tirania.
Guarda os segredos.
Indaga as palavras a partir das coisas, não as coisas a partir das palavras.
O estudo abarca todas as coisas.

Pítaco de Mitilene:
A ambição é insaciável.
Dá-te ao respeito.
Não reveles projetos para, se falhares, não seres motivo de troça.
Ama a educação, a temperança, a prudência, a verdade, a fidelidade, a experiência, a gentileza, a companhia dos outros, a exatidão, os cuidados domésticos, a arte e a piedade.
Sabe aproveitar a oportunidade
Sábio é quem sabe discernir o futuro; o passado é passado, mas o porvir é incerto.
Não faças o que não gostares que te façam.

Cleóbulo de Lindos:
Aconselha retamente os teus concidadãos.
Cuidado com a língua.
Evitar a violência.
A medida é coisa ótima.
A sabedoria é preferível à ignorância.
Casa com uma mulher da tua condição; se casares com uma rica, em vez de sogros arranjarás patrões.
Que a nossa língua seja bendizente.
Considera inimigo público quem odiar o povo.
Evita acariciar a tua esposa em público; quem a desfruta em público procede mal, mas quem a acaricia, desperta paixões fúteis.

Sólon de Atenas:
Guia-te pela razão.
Aconselha o que for justo, não o que aches agradável.
Respeita os amigos.
Quando souberes obedecer, saberás chefiar.
Se exiges a honestidade dos outros, começa por ser honesto.
Honra pai e mãe.
Mede as tuas palavras pelo silêncio e o silêncio pelas circunstâncias.
Nada em excesso.
Nunca digas tudo o que sabes.
Evita a mentira, confessando a verdade.
Evita o prazer, se ele for causa de remorso.
Procura ser honesto, porque a honestidade é melhor do que uma palavra honrada.
Toma a peito as coisas importantes.

Bias de Priene:
Aprende a saber ouvir.
Fala sempre com propósito.
Reflete nos teus atos.
Sê cuidadoso na realização de um projeto e, uma vez iniciado, prossegue sem desfalecimento.
A maioria é perversa.
Persuade pelo bem, e nunca pela força.
Vê-te num espelho.
Adolescente, sê ativo; velho, sê sábio.
Não sejas, nem mau, nem tolo.
O cargo revela o homem.

Quílon de Esparta:
Não maldigas dos outros, para não ouvires críticas desagradáveis.
Cuida de ti mesmo.
Foge dos entreguistas.
Põe a razão antes da língua.
Quando beberes, fala pouco para não cometeres indiscrições.
Respeita os velhos.
Não desejes o impossível.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Sociedade Epicuréia

Este termo surgiu durante a época dos ultra-românicos no Brasil. Era como uma irmandade dos escritos da época da Faculdade de Direito São Francisco em São Paulo, no momento estudantes universitários, que viviam de forma boêmia e hedonista; em prazeres como fumar, beber e sexo.

Antes de tudo, o termo alude ao filósofo grego Epicuro e seu pensamento. Sua filosofia se resume na busca do prazer, seja físico ou espiritual, para se viver em satisfação e serena paz interior. Mesmo valorizando o prazer, Epicuro visava juízo em o buscar e priorizá-lo.

Com os séculos, opositores do pensamento epicurista, que era o pensamento religioso que se disseminava na Europa medieval, considerava errado e herético pensar de uma forma que valorize os prazeres da carne, coisa que o pensamento católico dominante contradizia.

Então, uma sociedade epicuréia pode ser uma sociedade cujos valores se encontrem na alegria por via o prazer. As pessoas vivem querendo ser felizes, e com hedonismo vivem para sentir prazer, algo qual se precisa para se viver bem nesse modo de pensar.

O romantismo dessa época se inspirava muito no poeta inglês Lord Byron, que pensava e expressava em sua poesia a vida boêmia e voltada aos vícios. O vício nada mais é do que um meio para suprir dor e o vazio, e o pensamento romântico da época era muito melancólico e pessimista perante a vida terrena e em especial a vida amorosa; sendo o prazer então uma forma de se escapar disto tudo.

Eterno retorno

O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.” – Eclesiastes 1:9 (autoria de Salomão)

O conceito de eterno retorno propõe uma repetição cíclica de fatos, de dores, prazeres, dificuldades e desafios. Tudo de grande e pequeno, profundo ou insignificante na vida e no mundo se repete para sempre, ordenadamente e continuamente.

Foi elaborado por Nietzsche, aparecendo pequenas pistas do que é o eterno retorno em várias de suas obras (como em "Assim Falou Zaratustra" e "Além do Bem e do Mal"), mais foi em A Gaia Ciência que temos uma explicação melhor dela:

E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!“ Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

O eterno retorno dá uma perfeita noção de tempo cíclico; uma estrutura temporal com detalhes como começo, meio e fim ou como a transição de uma estação para outra.

Mudanças no mundo; destruição e criação; elementos da história como revoluções, guerras, epidemias e acontecimentos mundanos seriam para Nietzsche parte de algo que sempre se repetiu e sempre se repetirá; sendo este um princípio universal de eterna repetição dos fatores um fundamental princípio fundamental de tudo.

Nietzsche com isso questiona a ordem natural das coisas. Diz a realidade não é feito por pólos inconciliáveis, e sim uma instância única. O bem e o mal, sofrimento, prazer e angústia, por exemplo, seriam elementos complementares e instáveis.  Conclui então que veremos sempre os mesmos fatos repetirem indefinidamente.