domingo, 28 de agosto de 2011

Divisão da consciência

A psicologia divide o nosso aparelho psíquico. Embora o termo “aparelho psíquico” seja usado por Freud, podemos dizer que no outro lado da moeda, Jung, também possui um modelo da “anatomia” do psicológico.

Em psicanálise, que segue os princípios freudianos, dividindo nossa consciência em id, ego e superego; que seria nosso lado instintivo primitivo, a instância potencialmente consciente e nosso controle regido por normas exteriores a nós. Deu importância para as experiências no passado do indivíduo, principalmente traumas e problemas não superados da infância, como a relação que as crianças acabam tendo seus progenitores do sexo oposto por meio o Complexo de Édipo.

A psicologia analítica, que tem base jungiana, também possui seus fundamentos. Divide nossa consciência em:
Persona: Função psíquica voltada ao mundo externo, a relação do individuo com tudo aquilo exterior a ele.
Sizígia: Princípio de alteridade em nossa consciência, a imagem do sexo oposto contida na consciência de uma pessoa. Existem duas formas de sizígia; a anima (imagem da mulher presente na psique masculina) e animus (imagem do homem contida na psique feminina).
Sombra: Nossos impulsos, instintos primitivos e “animalescos” do ser humano; o nosso elo com nossos antepassados de tempos até mesmo imemoriáveis, contida na sombra então nossos desejos, vontades e o lado selvagem do ser humano.
Self: É o “si mesmo”, sendo esta o centro da personalidade. Integra e equilibra todo nosso inconsciente; seria então a consciência de “si mesmo”.

Os valores da psicologia jungiana trata de imagens primordiais contidas na mente humana, esses modelos sendo os arquétipos, que constituem os pensamentos e sentimentos mais gerais e profundos da humanidade. Um arquétipo por exemplo não nos dá a nossa noção do que é nosso pai ou nossa mãe, e sim, a noção de pai e mãe. O comportamento humano então se basearia num caráter impessoal, diferente do pensamento freudiano.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A negação do prazer

Se analisarmos, a ética começou a surgir quando o ser humano teve necessidade de se censurar para viver em sociedade como a conhecemos. A repressão de seus instintos então se torna necessário para manter a civilidade humana.

Sigmund Freud dizia que a história social do ser humano é a história de sua repressão, do combate aos instintos e prazeres hedônicos em troca do trabalho e sacrifícios estabelecidos por valores construídos por normas coletivas. O ser humano então troca o princípio do prazer pelo princípio da realidade, qual sem ele não seria possível viver em sociedade.

O princípio do prazer faz parte do id, aquele que faz a pessoa buscar aquilo que a traga satisfação própria sem se restringir com normas sociais, fazendo o mesmo a qualquer custo. Já o princípio da realidade está vinculado ao superego, que contrabalança as vontades pessoais e necessidades imediatas do indivíduo, por ter consciência da realidade externa e as condições nela presentes.

O filósofo e sociólogo alemão Herbert Marcuse concorda a princípio com Freud. Porém, ele discorda de que essa renúncia ao prazer ao favor da civilidade seja da condição humana, firmando que estas imposições são frutos de uma organização histórico-social particular e não um conflito conatural do ser humano.

domingo, 21 de agosto de 2011

Colha o dia

"Aproveita o dia de hoje, muito pouco acredita no que virá." – Horácio

A popular expressão Carpe diem (que em latim significa “colha/aproveite o dia”) é popularmente usada como palavra-chave para as pessoas aproveitarem a vida, apenas a abraçarem e fazer isso

No poema Odes, do romano Horácio, é que esse termo se originou. Se encontra num contexto ético da história, firmando se aproveitar o tempo limitado de nossa existência vívida nos ocupando com algo produtivo e útil. Também visa à satisfação, desde que esta não esteja acima da moderação.

Se assemelha e muito com o pensamento epicurista e estóico sobre como se aproveitar a vida, relacionando o contento na vida com a felicidade. Epicuro visava à busca pelo prazer, a felicidade, realização, o aproveitamento da vida e o que de bom ela pode oferecer. Embora Epicuro também censurasse essa busca pelo prazer com o bom senso e temperança, os estóicos consideravam que a aceitação da vida seria a forma de aproveitá-la, vivendo de acordo com a sua natureza, buscando sim o contento, dentro das condições da sua vida.

Carpe diem vira um sinônimo de “aproveitar a vida”. Aproveitar a vida, ao menos no significado que é batidamente dado para o termo, é o que é chamado de “curtir” a vida. O prazer que devemos buscar não se torna então aquele baseado na forma epicurista, e sim, aquela busca feita com hedonismo (a busca da realização egoísta e em coisas materiais e efêmeras, sem profundidade, sempre passageiras).

O proveito na vida se encontra em como utilizar seu tempo, na profundidade que sua vida tem observada sobre como está sendo vivida. Pode até ser meio existencialista isso, mais mesmo que a vida não tenha significado, é natural do ser humano querer a aproveitar, pois existencialmente é tudo o que temos de fato, e devemos aproveitá-la então. A questão é como a aproveitar, e a resposta é uma; remediar e ter sabedoria em como utilizar o seu tempo de vida.

Busca da verdade no método cartesiano

René Descartes desenvolveu em Discurso sobre o Método o que seria uma metodologia que conduz o indivíduo à dúvida, ao instinto refletivo e questionador que leva a busca pela verdade que tem como fim o reconhecimento da mesma. Este é o método cartesiano.

Se divide em quatro princípios, quais seriam as tarefas realizadas durante o processo de conhecer. Seria então a verificação das evidências reais e indubitáveis daquilo que se pretende conhecer, análise e distinção quanto ao grau de complexidade, síntese dos mais simples aos mais difíceis e por fim a enumeração que conclui e revisa esses entendimentos.

Regra da evidência: Mostra que algo para ser aceito como verdade desde que se seja evidente sua clareza e distinção. Seriam estas concluídas pela atividade mental, independente da percepção externa que é marcada pela atividade sensorial. Seria então mantida pela intuição, e devido a isso Descartes propôs uma epistemologia inatista.
Regra da análise: Dividir o sujeito que se conhece “em partes”, estudando melhor assim aquilo que está se aprendendo, compreendendo então “a anatomia” do objeto de aprendizado.
Regra da síntese: Foca os graus de complexidade daquilo que se aprende, visando entende-los em ordem crescente.
Regra da enumeração: Realiza verificações conclusivas e gerais, para assegurar que aquilo que foi estudado foi realmente entendido seguindo sua realidade.

É uma teorização metodológica de como é o processo de estudo das coisas. Se inicia por uma compreensão geral daquilo, que se segue pela amostra de seus detalhes que também requerem serem entendidos. Por fim, o conhecer deve ser concluído, mais antes verificar se a informação foi de fato absorvida devidamente ou cuidados para não se ter omitido algo que não se percebeu antes.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Licença poética na filosofia

Como muitos já devem ter reparado, textos, livros e ensaios filosóficos em muitas coisas possuem trechos e frases representativas.

Essas linguagens figuradas dão certa licença poética para a filosofia, uma forma comparativa e explicativa, servindo principalmente para facilitar o entendimento de teses e idéias importantes que os filósofos passam de seus pensamentos.

Serve também para dar ênfase em certos trechos, se incrementando no significado e interpretação daquilo quando se for levado em sentido literal, interpretativo e refletivo.

Outras figuras de linguagem podem ser introduzidas, que podem de algum jeito pode interferir a interpretação do texto lido primeiramente em sentido literal, o compreendendo gramaticalmente, e em seguida sobre a questão que se trata e o que expõe para quem o lê. Ironias, eufemismos, metáforas, perífrases, alegorias e comparações são alguns exemplos.

Esses recursos, ao mesmo tempo que servem para de algum jeito esclarecer o texto, também pode servir para complicar sua leitura. Seja para fazer o leitor refletir melhor sob uma leitura mais dura ou para de alguma forma propor subjetividade ou até dar ar de graça e humor para o que se lê, mais uma leitura que fica difícil por e para questões de interpretação é comum ter essas finalidades, como também uma forma eufêmica de expressar algum ideal que o filósofo sinta com fervor.

domingo, 14 de agosto de 2011

Os silogismos

Silogismo é um método de argumentação lógica que consiste em interligar fatos e idéias que já estão de alguma forma ligados. Foi desenvolvida originalmente por Aristóteles.

Segundo Kant, silogismo é todo juízo determinado por pensamento mediato, ou seja, a comparação de uma coisa com outra por meio de uma característica intermediária.

Se constitui por premissas, somente duas, e por fim, uma conclusão com uso da observação destas e da lógica, sendo esta a terceira e última premissa. Nas premissas maior e menor, as quais já são propostas, se encontram a solução lógica para se chegar na conclusão, a solução do raciocínio.

É então uma analogia que segue através de duas proposições. A importância disso na filosofia é, por exemplo, em ligar comparações com teses e se chegar numa conclusão objetiva e final através de relacionar suas premissas, que se encaixam como elementos à parte da tese em proposta.

As possibilidades de se combinar cituações para silogismos seguem a lógica dos diagramas de Euler, elaborados pelo matemático suíço Leonhard Euler. Pode ser usado em pares de conceitos, para verificar a validade de um racicínio e o concluir seguindo a lógica. O diagrama de Venn, criado pelo britânico John Venn, também é similar.

Exemplos:
A é B,
B é C,
Logo, A é C

Todo B é D,
Nenhum C é D,
Logo, nenhum C é B

Nenhum D é E,
Alguns D é G,
Então, alguns G são E

Nenhum X é Y,
Nenhum Y é X,
Se conclui que X é diferente de Y

Genealogia legítima e por afinidade

[Postagem dedicada ao Dia dos Pais]

O que é ser pai, mãe, um responsável? Sempre há essa dualidade moral de que “pai/mãe é aquele que educa” com “aquele que põe no mundo”.  Existem duas definições para a experiência de se ter filho, a definição de pai e mãe dada cientificamente e o significado moral.

Cientificamente, pai é o gerador masculino de uma vida, seu progenitor. Ele de alguma forma se relaciona com aquela pessoa que deve gerar e desenvolver essa vida até que ela esteja apta para nascer e então ir tendo seu contato e participação no mundo, esta sendo a mãe, a figura feminina.

Por essa forma podemos dizer que pai é “aquele que te colocou dentro da sua mãe”, e mãe é “aquela que te pôs no mundo”. Até mesmo uma pessoa adotada, órfã ou que por algum motivo não convive com seus pais biológicos, ela sempre reconhecerá essa legitimidade de parentesco, mesmo que ela não goste de seus pais ou vice-versa, é um fato que ambos sabem que nada muda.

Um pai que por exemplo nega a responsabilidade legal e ética de ter contato e afeto com seu filho é uma questão que veremos adiante, com o significado moral para a paternidade e maternidade.

Por serem a continuação de nossa família e fruto de nós mesmos, filhos se tornam uma obra criada pela vida, gerada pelo ser humano. Assim como um escritor que gosta de seus livros ou um pintor que tem afeto pelos seus quadros, o mesmo deve, ao menos moralmente, um pai ou mãe com seu filho. É alguém que deve amar, cuidar e educar seus gerados filhos até que estejam prontos para se defenderem e se virarem com o mundo sozinhos.

A definição social para um responsável pode ser dada mesmo que alguém não seja um pai ou mãe legítimo daquele que cuida como filho ou filha. Mesmo se for adotivo, por criação ou algum outro motivo, esse laço se encontra além do sangue, e sim, na afinidade emocional. Ser pai nesse sentido é uma pessoa do sexo masculino, consanguineo ou não, que exerce funções de pai. A mãe, personagem mulher nesse contexto, a que exerce o papel de mãe, sendo conseguínea ou não de seu filho por afeto. São então o que chamamos de “responsáveis”.

Homem versus Máquina


Desde a Revolução Industrial o progresso tecnológico do ser humano se torna um problema não só para a natureza, mais também para o próprio ser humano.

Socialmente podemos apontar a produção fabril industrial como a causa de uma série de desemprego estrutural que existe na sociedade nos últimos séculos, pois a máquina começou a tomar o lugar de homens nas fábricas, e com o tempo estas pessoas desempregadas criariam um clima de miséria e pobreza se generalizando. O progresso então é apenas para dar mobilidade ao capitalismo, sendo que pessoas passam fome e necessidade por causa disso, perdendo chance de emprego para as máquinas.

O início da industrialização marcou a modernidade, mudando radicalmente o modelo socioeconômico adotado por nós. O conceito de progresso se torna algo radical, alarmante, algo que apenas serve para dar muito poder financeiro para poucos; fazendo que a pobreza e miséria, coisas que sempre fizeram parte da civilização, realçar seu grau de influência e tornarem-se mais preocupantes.

O trabalho é base para que o ser humano conseguida suprir suas necessidades básicas, porém, a existência da maquinofatura revoga esse direito de muitos, os então desempregados. A exploração do homem com o próprio homem sempre ocorreu na existência da divisão de trabalho, resultado da divisão de tarefas desde as primeiras civilizações. A máquina explora a ganância humana de uma forma que para ela é bastante eficiente, visando o lucro e acumulo de capital escondido sob a máscara do benefício.

Ela, a industrialização, faz o homem agir como se a natureza existisse para suprir suas vontades. Embora a natureza e o homem coexistam naturalmente e a mesma possa nos servir para certas coisas, a indústria faz com que o ser humano abuse dessa liberdade, não só a explorando mais também procurando a manipular.

Para o ser humano contemporâneo, o mundo industrial qual criamos cria um cenário cada vez mais podre da condição humana, e esse problema sempre segue rumo ao progresso; a finalidade de corromper a humanidade.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O encanto e profundidade nas artes

Podemos dividir a arte em duas formas, a erudita e a popular. Suas diferenciações se devem em seu desenvolvimento técnico e capricho artístico como grau de sofisticação ou simplicidade, como também na expressão do belo e mensagens de ideais e sentimentos expressados pelo artista. Essas formas de julgar às artes servem para elas no geral, como a música, a pintura e a dramaturgia por exemplo.

A arte erudita é aquela expressa com muita exigência estética, preocupação maior com ela ser bem elaborada, em despertar o juízo de beleza naquele que admira a obra. Provocar sensações e expressão de emoções e idéias. Visa estar de acordo com os então valores universais da arte, despertar a admiração e expor sua profundidade existente para seus admiradores de uma forma encantadora. São conceituais e procuram ser bem rebuscadas, caprichadas tanto em seu conteúdo como em sua beleza.

A arte popular é uma coisa mais desleixada, ainda sim havendo técnica mais não a necessidade de ser suntuosa, sendo simples de recursos e significados. Sua profundidade é muito explícita, não enigmática e refletiva como na arte erudita. Não é zelosa, sendo prática e mais objetiva, sem se preocupar em detalhes de vão requer tanta admiração e apreciação. É própria de questão cultura e histórica, tomando a forma no folclore e meios de expressão comuns num lugar.

Nosso julgar crítico de arte se baseia em quanto nos simpatizamos com a busca pela profundidade na arte e em contemplação pelo belo na arte. Pessoas de tem gosto mais rebuscado, que para entender e admirar a arte que gostam precisam de um tratamento mais atencioso para as entenderem se afinam com o lado erudito da arte; as que não possuem necessidade de encontrar profundidade implícita ou de normas estéticas muito delimitadas então se afinam com a arte popular.

Ou seja, a arte popular é uma coisa mais abstrata, enquanto a erudita possui forma mais definida, delimitada não por aquilo que é mais popular, e sim pelo esforço em detalhes, harmonia e uma natureza mais profunda e enigmática na arte junto com uma maravilhosa formosura.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Solitária estrada da vida


A solidão é algo que gera repulso nas pessoas, e muitos não a aceitam como parte de sua condição. O ser humano é um ser carente, necessitado de atenção e convivência interpessoal, necessitando de outras pessoas para de alguma forma viver melhor.

Mesmo encontrando um amor com quem fique junto por anos ou tenha sempre aqueles amigos de longa data com quem pode contar ao decorrer de suas vidas, a solidão mostra que sua verdadeira companhia será sempre si mesmo. Nem mesmo nossa família é exceção, pois a vida uma hora separa as pessoas de nós, chegando uma hora que essa separação é definitiva.

Os existencialistas afirmam que a solidão se encontra na essência humana, por estar definitivamente conosco. Nascemos sozinhos, embora venhamos do ventre de nossas mães e auxílio de médicos e parteiros, ou mesmo que nasçamos tendo alguma irmã ou irmão gêmeo. Vivemos ao decorrer de nossas vidas com várias pessoas que podemos agrupar como família, amigos, colegas de sala ou de trabalho, inimigos, companhias e cônjuges; uma hora nos separamos de todos, seja por meio de mudança de cidade e a continuidade da vida (ir para faculdade, formaturas, etc), brigas, desentendimentos, perda de contato ou até mesmo a própria morte.

Morremos sozinhos, e este fato possui uma legitima veracidade. Mesmo que morramos numa matança, num campo de guerra ou num quarto de hospital junto com alguém, o fim de sua vida e utilidade entre os vivos é algo qual você passa sozinho; e o que poderá ou não ser seu rumo após a vida é algo qual você deverá enfrentar e conhecer sozinho, afinal, mesmo se tiver que pagar por alguma coisa ou não, será apenas por conta sua e somente sua.

A vida é como uma viagem na estrada, e embora durante a viagem companhias te acompanhem e desacompanhem uma hora, mesmo que te acompanhem por muito tempo, no fim das contas é só você contra a vida.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A aposta pela eternidade

Temos nossas concepções sobre a eternidade, seja ela existindo ou não após a morte, a alma ou não existindo, a vida tendo ou não sentido. Cada um faz sua aposta, é como um jogo de roleta, e para todos no final das contas o mesmo número é dado.

É uma aposta em que todos estão apostando, tendo consciência ou não, e embora muitos procurem remediar no que investir com medo do que pode vir, ninguém é exceção.

Há dúvidas sobre o que se esperar para além da vida, se é que tem algo para nos aguardar. Muitos acreditam em investir em alguma coisa por medo da morte ser a extinção da existência ou medo do que pode o aguardar não ser bom, enquanto outros investem em nada por conclusões ou assim como alguns que escolhem no que crer, investem em alguma coisa para não ter que viver com isso.

Blaise Pascal, em sua obra "Pensamentos", escreveu o seguinte:
"Consideremos este ponto e digamos o seguinte; ou Deus existe ou não existe. Mas qual das alternativas devemos escolher? A razão não pode determinar nada. Existe um infinito caos à nos dividir. O ponto extremo desta distância infinita uma moeda está sendo girada e terminará por cair como cara ou coroa; em que você aposta?"

Pascal faz uma analogia de considerações sobre viver de acordo com a existência de deus, a chamada Aposta de Pascal, que segue a seguinte lógica:
•Se você acredita em deus e estiver certo, será eternamente gratificado;
•Se você acredita em deus e estiver errado, não terá perdido nada;
•Se você não acredita em deus e estiver certo, não terá perdido nada;
•Mais se você não acredita em deus e estiver errado, será eternamente punido.

Essas são as probabilidades, ao menos as possíveis se nós interpretarmos que realmente exista um modo correto de viver.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A ética humana e a divina

"Maioria das pessoas vive na tristeza do mundo desanimado e alegre, pois eles são os que se sentam ao longo da parede e não entram na dança. Os cavaleiros do infinito são bailarinos e possuem elevação. Eles fazem os movimentos para cima e cair de novo, e isso também não é passatempo dizer, nem deselegante de se ver. Mas sempre que eles caem eles não são capazes de uma vez para assumir a postura, eles vacilam um instante, e isso mostra vacilação; afinal eles são estranhos no mundo. Este é mais ou menos claramente evidentes em proporção à arte que possuem, mas mesmo os cavaleiros mais artísticos não podem completamente esconder essa vacilação. Não é preciso olhar para eles quando eles estão no ar, mas só um instante, os que tocam ou tocaram o chão, então se reconhece-los. Mas, para ser capaz de cair de tal forma que o mesmo segundo parece como se estivesse de pé e caminhar, para transformar o salto da vida para uma caminhada, absolutamente para expressar o sublime na pedestres que somente o cavaleiro da fé pode fazer e este é o primeiro e único prodígio." - Søren Kierkegaard (em Temor e Tremor)

Todos sabem que a ética se foca no dever, ou seja, aquilo que deve e não deve ser feito. O filósofo Kierkegaard afirma que a moralidade é criada pelo próprio homem, só que não transcende os valores divinos, ou seja, os mandamentos criados por um deus ou mais seres divinos.

Essa mesma autoridade divina não cria necessariamente a moralidade, pois seus mandamentos estão além da ética. O ser humano então pode estabelecer sua ética, porém, aquele que decide então seguir as normas propostas por deus deve então as seguir também e as priorizar sobre as normas criadas pelo homem.

Kierkegaard ilustra o exemplo bíblico de Abraão, no instante que o mesmo recebe a ordem divina de sacrificar seu filho Isaque, enredo encontrado em Gênesis 22. Abraão é ordenado para sacrificar seu único filho, Isaque; matar o próprio filho já é ao ver das pessoas crueldade, quando esse filho é único, essa unicidade então enfatiza essa maldade. Mesmo tendo que lhe dar com os confrontos de valores morais, sociais e criados pelo homem, ele preferiu seguir aquilo predito por Deus.

Abraão é um exemplar do que Kierkegaard chamou de cavaleiro da fé, uma pessoa cujas formas de se deparar com a vida e si mesmo não se baseiam em princípios já preestabelecidos, mais na fé propriamente dita, o temor incondicional a deus.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Raíz do preconceito

"O preconceito é uma opinião sem julgamento." – Voltaire

Preconceito é um julgamento preconcebido por meio discriminação, ou seja, repulso provocado pela generalização ou desconhecimento do que se discrimina.

Advem de julgar algo como anormal, estranho, e não conseguir aceitar aquilo. Parece ser pejorativo, mais o preconceito é mais comum do que parece, pois é uma convicção sem fundamentos por base esteriótipos e modelos preditos. 

O preconceito é sempre aversivo, e pode chegar à intolerância, como se o fato de algo ser daquela forma fizesse o mesmo ser odiado apenas por existir. Max Weber dizia que uma hostilidade, atitudes negativas e agressivas em relação a um certo grupo pode sim ser preconceito.

É algo sem sentido, ao menos à primeira impressão, enquanto na verdade alguns possuem um passado que remonta o trajeto da cultura e principios sociais. Logo, certos preconceitos chegam à ter base de gerações anteriores.

"Os preconceitos têm mais raízes do que os princípios." – Maquiavel

Se estudados, muitos preconceitos comuns na sociedade possuem história. Exemplos comuns são de grupos que no passado eram discriminados, e que no presente ainda há a mancha desse preconceito, mesmo que apenas na forma de generalização ou de sátira. 

Também pode estar vinculado com o elo que se sobra da moralidade desses tempos, que de alguma forma ainda faz parte de nossos valores, assim também criando uma imagem predita superficial sobre algo ou alguém devido essa característica imoral ou de esteriótipo histórico.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Distinção de moral e legal

Duas instâncias que regulam o comportamento social são estas, a moralidade e a leis. Porém, embora elas tenham de certa forma o mesmo objetivo, elas tem a mesma finalidade por meios diferentes e suas particularidades.

Tanto as normas morais e jurídicas servem para regular as relações sociais e a conduta das pessoas que vivem nela. Ambas possuem bases relacionadas com a cultura e a história, ambas se prendem ao dever e uma coexistência entre aqueles que compõem a sociedade.

Separemos então as normas jurídicas das morais:

• A moral é a conduta social em sentido comportamental, formulando os valores e princípios que se devam adotar e como viver na sociedade. Determina o que é certo ou errado, o que deve, pode ou não ser feito; prezando costumes e tradição moralista.
"A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos, pois, pensar bem. Nisto reside o princípio da moral." - Pascal

• O direito possui ligação com o Estado, determinando o que um cidadão pode fazer, o que deve fazer por obrigação e o que é proibido. Constitui códigos formais, advertindo o que é legal ou não, dando instabilidade de forma imparcial para as relações sociais.
"A lei é inteligência, e sua função natural é impor o procedimento correto e proibir a má ação." - Cícero

Há um paradoxo de que alguns conceitos morais influenciem as leis e vice-versa, como algumas coisas que a lei, por exemplo, pensa cuidadosamente em legalizar por ser considerava imoral ou por sermos educados a sermos trabalhadores honestos e respeitadores das normas importas como leis pelo poder judiciário.

Mesmo assim, ambas devem ser diferenciadas, pois embora tenham o fim de regulamentar o bem estar social, elas fazem isso por meios e para fins diferentes.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Os pais da filosofia

A filosofia, na tradição ocidental, é datada de ter começado com Tales de Mileto, o primeiro filósofo que se tem registro. Ele é atribuido como “pai da filosofia”, por ser o mais velho filósofo de que se tem conhecimento.

Mais tarde, outros pensadores o sucederiam. Um desses sucessores chegou à nomear essa forma de pensar sobre as questões fundamentais do mundo em si, a chamando então de filosofia, tendo Pitágoras realizado o feito de a nomear como até hoje é chamada.

Bem depois, a filosofia passaria por uma revolução, qual Sócrates realizou. Todos os filósofos após ele até a atualidade então seguem a filosofia de acordo com seus alicerces. Se despreocupou com o devir, a verdade então passou à ser um conceito sólido e concreto, qual os filósofos a partir de então foram convictos. 

Embora Sócrates possua significativa importância para a filosofia, a mesma já existia antes dele. Os pré-socráticos então são os verdadeiros “pais” da filosofia, a mesma responsável da transição que surgia da Grécia mítica para a racional, em outras palavras, do mito à razão. 

No oriente, a filosofia possuem seus pais também. O lendário Fu Xi por exemplo, personagem da cultura chinesa, que é tido autor do I Ching, um livro esotérico e ao mesmo tempo filosófico. Lao Zi e Confúcio, respectivamente figuras inspiradores do taoismo e confucionismo, também podem ser considerados pais da filosofia chinesa.

Na filosofia indiana, várias sábias personagens lendárias ligadas ao hinduismo podem ser consideradas pais da filosofia por lá, como os seis sábios (fundadores das escolas Nyayam Vaisheshika, Samkhya, Yoga, Mimamsa e Vedanta) e o mítico Krishna. Mahavira e Buda também podemos considerar pais da filosofia oriental no espaço indiano, pois ambos foram responsáveis por movimentos religioso-filosóficos inovadores, respectivamente o jainismo e o budismo.

Sidarta Gautama, mais conhecido como Buda, foi o filósofo oriental mais bem sucedido, pois seus ideais se expalharam por vários países asiáticos, no subcontinente indiano, no Extremo Oriente e Sudeste Asiático. 

Emboras as personagens míticas e históricas citadas acima sejam percussoras da filosofia em suas divisões ou tenham contribuido para ela de forma bastante expressiva, o método filosófico em si é a raíz da filosofia; isto é, o pensar, refletir, analisar, questionar, etc.

1 Ano de House of Reason

Parabéns!

O House of Reason hoje faz exatamente um ano. Em 29 de julho de 2010 o blog foi criado, iniciando então suas atividades, postagens, melhorias e tudo mais.

Hoje, 29 de julho de 2011, comemora-se um ano de existência desse blog que sempre trás questões filosóficas e postagens que tratam de filosofia em geral.

Agradeço à todos que já visitaram, já contribuíram de alguma forma, gostaram ou não do blog ... Obrigado à todos!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O doentio fanatismo

"O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos." - Nietzsche

Fanático é aquele obecado por alguma coisa, seja ideológica, assuntos, questões, obras e até pessoas. Nada mais é do que uma conduta de adoração radical e extrema.

Existem aqueles fanáticos por carros, esportes, celebridades, arte, livros e filmes, em suas próprias convicções, entre outras. É um vício ideológico, qual o motivo que provoca o fanatismo se intranjeta na personalidade da pessoa, já de que de alguma forma ela precisa daquilo em sua vida, como se fosse vazia sem aquilo.

As características notórias de um fanático se destacam na ausência de personalidade própria, perdendo a própria identidade, se considerando a tendo apenas pelo alvo de seu fanatismo. A pessoa acaba se identificando demais com o objeto dessa obcessão que acaba deixando de ter certa personalidade própria, idolatrando e querendo ser imagem e semelhança daquilo que cultua exageradamente.

Também pode ser uma forma de escapismo da realidade ou de uma vida que incomoda o indivíduo, encontrado acolhimento e refúgio no seu fanatismo em alguma coisa, esta por sua vez consoladora e o fazendo esquecer um pouco das coisas.

Existem aqueles fanáticos por certos tipos de produtos e meios de lazer (esportes, livros, filmes, video games, etc); os ideológicos (patriotas apaixonados, racistas ou supremacistas, religiosos e fervorosos por ideologias políticas por exemplo) e a chamada idolatria, que é adorar alguém (uma pessoa, um ídolo, um ser).

Ser fanático é estar prisioneiro da própria obsessão!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Do crescimento populacional

O crescimento demográfico, isto é, o da população é um assunto muito discutido, sendo um dos problemas da atualidade que tendem a se tornarem cada vez mais preocupantes.

A população crescer trás cada vez mais problemas sociais, como desemprego, pobreza e fome cada vez mais generalizados; o sofrimento e angustia humana se tornam mais crescentes e a dificuldade para suprir a necessidade de todos de uma forma no mínimo significativa se tornam uma realidade cada vez mais evidente e mais distante de se ter soluções.

Nos últimos séculos a cituação está mais favoravel para o aumento demográfico. Isso se deve a mudança que ocorreu de muitas pessoas dos campos para as metrópoles; o avanço da medicina, que contribuiu para o aumento da expectativa de vida, aumentando as taxas de natalidade e de certa forma diminuindo as de mortalidade.

O economista inglês Thomas Malthus elaborou uma teoria que mais tarde receberia o seu nome, a populacional malthusiana. Nela ele mostra que há uma desproporção entre o aumento da população e da produção de alimentos. Ele comparou o crescimento da atividade agricola com uma progressão aritmética, e o crescimento demográfico com uma progressão geométrica.

O planeta possui limites, afinal, uma hora começa a ficar dificil conseguir sustentar a subsistência de uma população que vai cada vez mais crescendo. O próprio Malthus propos soluções como ter uma quantidade de filhos com o limite de até quanto os seus progenitores possam os sustentarem. Como a riqueza e boas condições de vida estão na mãos de poucos, a maioria então é destinada a pobreza e sofrimento.

Mais tarde a teoria malthusiana se adaptaria com a neomalthusiana, que afirma a superpopulação como maior causa da pobreza de um país. O subdesenvolvimento, seguindo esta lógica, seria resultado da educação e condições básicas de boa vida que não é acessível para uma grande população que maior parte vive na penúria. Os reformistas pensam diferente, afirmando uma numerosa população como consequência do subdesenvolvimento, e não como sua causa.

Será que, como essa problema está se tornando radical deva se tomar medidas extremas?

Uma população menor e mais controlado diminuiria o impacto da condição humana em nós, havendo menos pobreza, fome, sofrimento e mais proximidade de se ter o sonho de uma humanidade menos injusta e com a qualidade de vida no mundo menos pior.

sábado, 23 de julho de 2011

A essência arché

A busca pela arché é um dos pontos principais da filosofia pré-socrática, que seria a compreensão do que é e qual é a substância primordial ou principio substancial das coisas, com sabe na razão filosófica e não por justificativa do mito.

Se dividiam entre os monistas e pluralistas, os que não separavam daqueles que separavam a identidade material e etérea das coisas. Porém, todos eram convictos de que todas as coisas de alguma forma mudam, e muitos buscavam a essência das coisas que permitiria esta mobilidade.

Buscavam entender a essência de todas as coisas, o que compõe tudo na natureza e a justificar filosoficamente. As respostas para a arché variam entre os pré-socráticos:

Tales: A Água
A água é o princípio de todas as coisas.

Para Tales de Mileto, todas as coisas eram formadas pela água, que para ele era o princípio de todas as coisas. Apesar de permanecer a mesma, a água modifica seu estado físico (sólido, líquido ou gasoso). Por ser o princípio vital das coisas, tudo seria por ela animado, fluindo assim uma essência etérea para todas as coisas. A água é fundamental para a vida, logo, seria a matéria-prima que tudo constitui.

Tales não sabia, mais 65% do corpo humano é feito de água, sem dizer que ela é fundamental para a manutenção da existência de vida. Sabia que as águas possuem fluxo, uma corrente, assim como a essência material e espiritual das coisas fluem.

Anaximandro: O Ápeiron
O ilimitado é imortal e indissolúvel.

Anaximandro de Mileto não acreditava que uma única substância visível era a essência de tudo material, pois até os elementos determinados e antagônicos seriam então feitos de uma mesma coisa. Essa coisa por sua vez é indeterminada, neutra, a ápeiron.

A ápeiron gera os opostos, é eterna e infinita. Matéria e até seu oposto, antimatéria, seriam formados por uma coisa em comum, uma substância indiferente.

Anaxímenes: O Ar
Como a nossa alma, que é ar, soberanamente nos mantém unidos, assim também todo o cosmo sopro e ar o mantêm.

Anaxímenes de Mileto discordava das teses de seus dois mestre, Tales e Anaximandro, porém, buscou basear a sua tese de matéria-prima em uma síntese entre ambas. O ar seria um elemento mais sutil do que a água, inobservável, mais que sustenta a vida, a respiração sendo testemunha disto. Por rarefação ou condensação se formariam todas as coisas existentes.

Pitágoras: Os Números
O princípio das matemáticas é o princípio de todas as coisas.

Pitágoras de Samos encontrou a resposta para a arché nos números, na matemática. Observou a harmonia nos acordes musicais e notou correspondências aritméticas. Supôs então que tudo na natureza possui proporções que obedecem à matemática. As relações entre quantidades definiriam as propriedades da matéria.

Pode se interpretar a visão de arché de Pitágoras como referência para as proporções que a natureza obedece, como medidas, quantidades, entre outras coisas; ou também para as quantidades dos princípios que variam entre as moléculas, que predetermina as diversas formas e espécies de matéria.

Heráclito: O Fogo
Este mundo, que é o mesmo para todos, nenhum dos deuses ou dos homens o fez; mas foi sempre, é e será um fogo eternamente vivo, que se acende com medida e se apaga com medida.

O fogo é um elemento que dá forma, deforma, cria e destrói ao mesmo tempo; muda as coisas, se encaixando perfeitamente com a filosofia de Heráclito de Éfeso, que dizia que todas as coisas sempre mudam, nada permanece como é. Por essa justificativa, o fogo seria para esse filósofo a essência das coisas, por ser a força geradora da perpétua mudança das coisas.

Xenófanes: A Terra
Tudo sai da terra e tudo volta à terra.

O filósofo Xenófanes de Cólofon defendia que tudo vinha da terra. Todas as coisas vêm da terra e para ela retornam. Vivemos nela, somos enterrados nela quando morremos, as plantas vivem presas a ela, etc.

Seguindo a lógica de Xenófanes, todas as mudanças das coisas são provenientes da terra. Como por exemplo a cadeia alimentar que começa basicamente nas plantas e animais menores, que vivem e saem da terra, e que vai seguindo até os predadores no topo dessa cadeia, que retornam à terra, que ocorre com a morte e deterioração do corpo.

Parmênides: O Ser
O ser é.

Parmênides de Eléia considerava contraditório buscar a essência de tudo naquilo que não possui permanência, como considerou que faziam os outros filósofos. Propôs que a essência está naquilo que permanece, que poderia se converter numa impermanente. O fundamento das coisas seria então aquilo permanente, o que sempre foi, é sempre será; a permanência do que chamou de ser, aquilo que existe é fundamentado pela sua constância.

O ser é a instabilidade de uma coisa, inalterável, a qualidade de imutável que para Parmênides é o ser, a sua arché. O não-ser, ou devir, é a mudança, qual aquilo que muda deixa de ser o que era.

Anaxágoras: As Homeomerias
Todas as coisas estavam juntas, ilimitadas em número e pequenez, pois o pequeno era ilimitado.

As homeomerias seriam como sementes que são a matéria-prima constituinte de tudo existente no mundo. Elas são únicas, e possuem as básicas informações que formam as diversas coisas existentes, como se em cada tipo de matéria tivesse em sua essência um pouco da descrição das outras. Anaxágoras de Clazomena considerava que o que dava formas as diversas matérias seria o resultado da qualidade e combinação das homeomerias.

Para compreender melhor o que seriam as homeomerias, tome como exemplo as células de nosso corpo. Noa informação genética de cada célula do nosso corpo não existe só as informações específicas da parte que ela se integra, e sim, de todas as outras em geral também.

Empédocles: Os Quatro Elementos
"Quatro raízes de todas as coisas: fogo, ar, água e terra."

Empédocles de Agrigento possui o que foi uma revolucionária explicação de arché, pois teve sucesso em conciliar o imobilismo de Parmênides e o mobilismo de Heráclito. Estudou sobre o que os outros filósofos pensavam, concluindo que existem quatro elementos primordiais: Água, terra, fogo e ar. As relações que esses elementos teriam entre si e suas variações derivariam na diversidade da matéria, se resumindo nos princípios de amor e ódio entre elas, respectivamente união e separação.

A  teoria de Empédocles perdurou por séculos, qual muitas e muitas gerações foram convictas de que tudo no mundo se constitui de quatro elementos. Essa teoria só caiu com os químicos dos últimos séculos, que consideravam essa explicação muito simplista e também por estudarem melhor os elementos da química.

Demócrito: O Átomo
Tudo é formado por átomos.

Em conjunto com Leucipo, Demócrito de Abdera teorizou os átomos, que seriam divisões da matéria até o ponto em que ela se tornasse indivisível. Seriam como pedaços de um corpo, objeto, matéria em geral; que vai se dividindo em pequenos pedaços, que diminuem e diminuem até não poderem mais serem partidos, se tornando indivisíveis. Estes pedaços indivisíveis seriam a matéria-prima que forma todo no universo.

Demócrito estava certo, mais a ciência demorou mais de dois mil anos para provar que ele e Leucipo estavam corretos. Entretanto, os átomos não são indivisíveis como eles pensavam que eram; na verdade, são divisíveis, compostos de particulas menores do que eles (prótons, elétrons e neutrons).

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Teseu e o Minotauro

Esse confronto épico da mitologia grega é a representação da constante luta da razão contra o lado instintivo do ser humano.

Minotauro era um monstro devorador de seres humanos, com cabeça de touro e corpo de homem; filho de Pasífae, esposa de Minos, com o touro branco enviado por Poseidon para o mesmo, com o fim de sacrificá-lo em glória ao deus dos mares. Como Minos o poupou devido o encanto pelo animal, Poseidon fez com que Pasífae, mulher do rei de Creta, se apaixonasse pelo touro branco e assim tiveram um filho, o monstruoso Minotauro. Minos, furioso, deixou o Minotauro no labirinto impenetrável perto de Cnossos, que mais tarde usaria ele e o labirinto para impor medo aos atenienses.

Forçava a cada nove anos que os atenienses enviassem quatorze jovens virgens, sete rapazes e sete moças, que eram enviados para serem jogados ao labirinto onde residia o Minotauro, para que eles lhe servissem de alimento. 

Nesse contexto é que Teseu, filho de Egeu, rei de Atenas, se oferece para ser um dos jovens a serem enviados para Creta com o fim de ser alimento do Minotauro, mais o fim de Teseu era o matar. Preocupado com seu filho, Egeu pediu que ele içasse velas brancas num navio, pois saberia que seu filho sobreviveu.

Quando chega a Creta, Ariadne, filha do rei Minos, o rei de Creta. Propôs ajudar Teseu em troca do mesmo se casar com ela, o dando um novelo de cordel, com que Teseu amarrou uma ponta na entrada do labirinto e foi o liberando conforme andava, usando para ser guiado para sair do labirinto novamente. Teseu por fim confronta o Minotauro e o mata.

Ao fazer isso, Teseu salvou os jovens atenienses com ele enviados e partem para casa, sendo que Ariadne vai junto também. Durante a própria volta, ele deixa Ariadne na ilha de Naxos enquanto a mesma está dormindo, a abandonando.

Seus marinheiros esqueceram de içar velas brancas, o que resulta em Egeu avistar velas pretas no lugar, concluído que seu querido filho não sobreviveu, se atirando ao mar que até hoje recebe o seu nome. 

Se aprofundando sobre cada parte do mito, maior parte há uma explicação, como a razão astronômica do intervalo de nove anos que os jovens virgens atenienses eram enviados para Creta ou até o porquê do Minotauro ser antropófago, entretanto, o que vamos explorar no mito de Teseu e o Minotauro é a alegoria de razão versus instinto que esses dois protagonistas representam respectivamente.

Teseu é o astuto herói que representa a razão, a inteligência humana que deve imperar sobre seus instintos primitivos, selvageria e exaltação irracional, tudo isso representado pelo Minotauro. O labirinto pode ser interpretado como a mente humana, um lugar obscuro onde as pessoas se perdem e o instinto e razão perambulam e se confrontam.