domingo, 2 de outubro de 2011

O suicídio

"O suicídio é todo o caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo praticado pela própria vítima, ato que a vítima sabia dever produzir este resultado." - Émile Durkheim

Uma questão que todo ser vivente pelo menos uma vez já pensou é sobre o significado da vida, e se ela vale a pena ser vivida. Se a vida não tem significado, o que resta para quem vive ter motivo para viver? Se uma vida não vale à pena, o que torna justificável ou não o direito da pessoa cometer suicídio?

Fatores que levam ao suicídio normalmente são “dores da vida”, como falta de significado por decepções e sofrimentos emocionais e outros tipos de problema, qual o suicídio seria a solução para esses problemas. Seria um escapismo existencial, uma negação da vida e suas dores.

A questão do suicídio pode ser bem respondida amplamente pela filosofia. A começar pelos existencialistas, que possuem diversos argumentos a respeito do suicídio, como Albert Camus, que embora o suicídio seja uma forma de dar fim a vida pelo reconhecimento da falta de sentido nela, tirar a própria vida não é vantajoso, sendo que o individuo pode procurar uma motivação de viver. Sartre mostrava uma postura contra o suicídio, por ser um ato que destrói todo o futuro de quem o comete e um mau uso de sua liberdade. Seria um ódio a si mesmo, uma negação irracional de ser.

Platão considerou o suicídio uma "covardia viril e preguiçosa", uma negligência perante a vida e ao ser. Kant dizia que o suicida deve pensar quanto a se matar, pois não seria ético ele apenas estar se importando consigo mesmo. Hobbes firmava que é natural do ser humano a vontade de viver e desejar a felicidade para serem inspirados a viver, e o suicídio nesse contexto seria algo imoral e errado.

Entretanto, há filósofos que defendem o que é chamado de "direito de morrer", qual a escolha de viver ou morrer cabe ao indivíduo. Só porque a pessoa pode viver não significa que em certos casos, como as que possuem doenças incuráveis ou uma angústia muito grande, devam viver e com isso prolongarem seu sofrimento. Essa postura mostra-se tanto uma indiferença como ir a favor do suicídio. Hume é um exemplo de filósofo que defendia o direito de morrer.

Os estóicos consideravam errado o suicídio por uma causa "covarde", mais sustentavam ao mesmo tempo a idéia de morrer pelas próprias mãos é opcional, sendo inclusive melhor e mais correto cometer suicídio do que continuar a continuar vivendo uma vida miserável e assim prolongar a agonia. Confúcio também era pró-suicídio nas condições morais, onde tirar a vida seria um sinal de evitar desonra ao cometer certa postura que em sentido ético e moral é inadequado e vergonhoso. Seus ideais de honra, lealdade e auto-sacrifício encorajariam o suicídio altruísta.

O sociólogo francês Émile Durkheim chegou a escrever um livro que tratava sobre o tema, “O Suicídio”, publicado em 1897. Nesta obra ele fez considerações do suicídio ao âmbito social, fazendo análises sociais que levem ao suicídio.

Estudou as ligações entre os indivíduos e a sociedade e que relações o levariam ao suicídio. Considerou várias coisas, como o meio social onde se faz presente e como nele se integra, fatores integrados culturalmente como religião (sendo que no livro Durkheim fez comparação dentre meios católicos e protestantes, qual firmou que as taxas de suicídio nos lugares predominantes protestantes era maior) e o conceito de anomia. Anomia é traduzida como uma perda de identidade, uma ruptura com valores sociais. Seria um sinônimo de apatia do individuo socialmente quanto a viver, o que poderia, por exemplo, o levar as drogas, isolamento e depressão.

sábado, 1 de outubro de 2011

Filosofia do Oriente Médio

No Oriente Médio, local próximo ao ocidente e o oriente, teve também muitos pensadores que podemos citar como filósofos. Apesar de poder ser considerados como filósofos orientais por não apartarem pensamento filosófico do mítico, eles tiveram certo contato com o pensamento ocidental, que seria o grego, coisa que os indianos e chineses não tiveram.

A começar por personagens presentes num livro bem presente na vida de até quem é leigo em filosofia, a Bíblia, em especial o Velho Testamento. Nesse contexto encontramos os profetas hebreus, homens escolhidos por Deus para transmitirem sua palavra para o tempo presente deles. Alguns deles podemos considerar filósofos, sendo os profetas Ezequiel, Elias, Jeremias e Isaías.

Fora eles, os vestígios de filosofia que podemos encontrar dentre os hebreus são outros trechos de teor filosófico em toda sua religiosidade junto ao Talmude, onde além de preceitos cerimoniais podemos encontrar lições morais, jurídicas e teológicas.

A partir de Jesus Cristo e com a diáspora do povo hebreu, o pensamento hebreu começa a ter certas influências ocidentais, como o pensamento platônico-aristotélico. Em Cristo isso é mais notório, sendo que seus ensinamentos foram à base do apóstolo Paulo de Tarso e mais tarde da patrística (com Agostinho de Hipona como seu expoente) e a escolástica (com Tomás de Aquino como maior representante), ambas conciliando princípios cristãos com a filosofia ocidental.

O mesmo acontece com Maomé, que embora seu pensamento e teologia tenham inspirado uma religião, o islã, a filosofia islâmica futuramente seguiria influências ocidentais, mais em especial de Aristóteles.

Acontece que não só os hebreus foram os únicos a ter certa atividade filosófica no Oriente Médio; os persas também tiveram. Acontece que na Pérsia ela teve apenas Zaratustra como filósofo, e suas idéias se dividem tanto entre filosofia como na mitologia e religião de seu povo. Pode-se encontrar sua filosofia nos Gathas.

Outra fonte de filosofia nesta região é acreditada ter vindo dos babilônicos, cuja sabedoria daquela civilização é contada por ter sido uma das bases para o desenvolvimento filosófico de Tales de Mileto, o "pai" da filosofia ocidental.

A caracterização de não separação de religião e filosofia é o que mais caracteriza o pensamento oriental, embora os hebreus e persas tenham dado como fundamento de seu pensamento a fé, e não a intuição, como fizeram os indianos e os chineses; ou a razão, como fizeram os ocidentais.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Uma busca por verdade

A palavra verdade possui vastos significados, todos referentes com veracidade em alguma coisa, legitimidade e certeza.  Verdade é tudo que é firmado, a veracidade que sustenta a condição e algo ser, e “o ser” nesse caso seria a firmação de sua eternidade absoluta e real.

A verdade é estudada na filosofia por "partes"; como na metafísica, em que estuda a natureza dela, a lógica que se ocupa em estudar a preservação dela ou a epistemologia, que estuda como conhecemos a verdade.

O conceito de verdade, na filosofia ocidental, surgiu com Sócrates. Antes desse filósofo a verdade não existia para a filosofia, pois as coisas mudavam, tudo fluía pelo devir.  As verdades seriam revelações eternas sobre a vida e as coisas, um conhecimento acerca disto que não é relativo, e sim único e objetivo.

Essa idéia de verdade com instabilidade e eternidade inclusive se tornou importante para a filosofia ao ponto de sua busca ser um dos fins da filosofia. A verdade deve-se ser buscada, todo filósofo visa em seu pensamento buscar aquilo que é verdade sobre o pensar, julgar e outras questões, ao menos as “verdades” para ele apresentadas.

O problema da verdade é saber se existem verdades eternas, pois como veremos, muitos filósofos firmavam que tudo é relativo, e essa subjetividade faria com não houvesse nenhuma verdade eterna, nenhum conhecimento de algo que seja de fato verídico, pois a realidade sempre é de alguma forma particular para quem a reconhece. Nietzsche dizia que não há fatos eternos, assim como não existem verdades absolutas. O filósofo analítico como Frege, Russell e Wittgenstein entram em duvida no absoluto das verdades, contestando se não ou não refutáveis.

Seria a verdade uma ilusão? Não poderíamos dizer que o relativismo ou devir seriam verdades? Pois seguem o princípio de serem fatos inexoráveis e absolutos, logo, poderiam ser verdades. Ou será que não existem verdades que podem ser buscadas e quem as procurem consiga tal esclarecimento? De qualquer forma, a busca por verdade é algo sem fim, insaciado, pois a dúvida cria um caos a nos dividir e confundir, cabendo a nós determinar o que é, se é e se há verdade.

domingo, 25 de setembro de 2011

Corpo e alma

Um assunto com bastante argumentação metafísica é a dualidade entre corpo e alma, o mundano e etéreo, essência e aparência. Há muita contradição e em algumas perspectivas alguns paradoxos entre eles, pois são apontados muitas vezes como instâncias distintas e separadas ou interligadas mesmo que diferentes, dependendo apenas do filósofo.

Platão dizia que o homem vivia sobre dos mundos, o sensível e o inteligível; que é o da matéria e o das idéias. As idéias poderiam estar sujeitas ao que individuo percebesse do mundo sensível, sujeitando as idéias e construções de mundo de um indivíduo com base de sua experiência física. Mesmo assim defendeu o demiurgo, que seria um terceiro mundo, o de verdades que seriam verídicas e eternas, portanto legítimas.

Aristóteles, discípulo de Platão, dizia que sensível e o etéreo andavam juntos e a separação deles seria apenas conceitual. O físico e a essência seriam conciliáveis e as coisas seriam imanentes. Tudo teria dois princípios inseparáveis: A matéria, que seria indeterminada dos seres, e a forma, que seria determinada em si própria. A forma daria as coisas serem o que são por natureza, essencialmente; enquanto a matéria apenas constitui o substrato que permanece.

Epicuro desacreditava na existência da alma, em troca firmando a mente. A mente morria junto ao corpo, quando a pessoa passasse pela mote física, deixando assim de existir como ser e apenas se tornar um corpo sem vida.

Séculos mais tarde, Agostinho de Hipona, influenciado pelo pensamento cristão, firmava a supremacia do espírito sobre o corpo. Deus teria criado a alma para imperar sobre o corpo, direcionando o ser humano para a prática do bem. Entretanto, a pré-disposição natural do homem para o mal o faria submeter o espírito ao corpo, se entregando ao pecado, sendo a intervenção da graça divina uma iluminação para a alma vencer o confronto contra a carne.

René Descartes propôs um dualismo entre corpo e alma, que seria dimensões totalmente separadas, indo contra ao que Aristóteles firmava. Sua metafísica dizia que existiam duas substâncias que seriam presente em tudo: A res cogitans (substância pensante) que seria o espírito, consciência ou mente e res extensa (substância extensa) que a matéria. O dualismo cartesiano propunha uma terceira substância, a res infinita (substância infinita), que seria como deus, só que transcendente do mundo, ou seja, separado de sua criação. Seu dualismo se assemelha um pouco com o mundo sensível, inteligível e demiurgo de Platão.

Mesmo que o corpóreo e o etéreo sejam independentes ou ligados, eles possuem seus próprios fundamentos, que metafisicamente influenciam a natureza humana. Simbolicamente o corpo (ou carne, aparência e afins) seria os instintos primitivos e desprovido de razão em cada ser humano, a exaltação, o hedonismo, o elo animal do ser humano. A essência (que pode ser chamada de espírito, alma, consciência ou até pensamento) é o lado provido de razão, que fundamentado de questionamento e observação torna as pessoas mais conscientes de si e do mundo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O grito da natureza

A linguagem é a forma principal de comunicação, qual sem ela, nada seria nomeado e nem haveria como interligar palavras aos fatos e idéias; tendo a linguagem falada uma importância básica e essencial. A origem da linguagem humana remonta tempo imemoriáveis, os tempos que começou haver necessidade de identificar as coisas e até mesmo exprimir alguma sensação.

Essa explicação, a de exprimir sentimentos, é qual Rousseau firma a origem da linguagem. O filósofo supôs que a linguagem humana se desenvolveu num ritmo gradual, partindo da necessidade de exprimir sentimentos até chegar às formas mais abstratas de linguagem, que teria sido usada pelos primeiros seres humanos em situações de perigo ou alivio de dor física, mas era inicialmente de uso em situações como essa, “automáticas”. Rousseau chamou isso de grito da natureza, o primeiro indício de linguagem humana.

Com o tempo então, a expressão da linguagem falada seria usada em outros contextos, como na interação entre as pessoas em contextos diversos, qual a linguagem então passaria a evoluir num corpo de termos e significados.

Em "Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens" Rousseau escreveu:
"Quando as idéias dos homens começaram a estender-se e a multiplicar-se, e se estabeleceu entre eles uma comunicação mais íntima, procuraram sinais mais numerosos e uma língua mais extensa; multiplicaram as inflexões de voz e juntaram-lhes gestos que, por sua natureza, são mais expressivos e cujo sentido depende menos de uma determinação anterior."

sábado, 17 de setembro de 2011

Fundamentos do trabalho

O trabalho é fundamental para a subsistência do ser humano desde as épocas imemoriáveis, pois dele vem nosso sustento. Nesses tempos nosso trabalho era diretamente obter o que precisássemos para viver, como caçar, pescar e plantar; o sistema econômico do ser humano foi mudando até ser o qual conhecemos e aceitamos, qual consiste em trabalhar para se obter um pagamento, qual se pode com ele suprir suas necessidades.

É a forma qual se é capaz de se chegar a um determinado fim, qual de certa forma dá mobilidade para a sociedade. Sem o trabalho, as necessidades de muitas pessoas ou até coletivas não seriam atendidas, e a sociedade ficaria na inércia.

A máxima de que “o trabalho é bom para o homem” é substituída e compreendida automaticamente nos tempos contemporâneos como “o trabalho proporciona desenvolvimento econômico para o homem”. Isso faz passar que o trabalho não é algo para suprir sua subsistência, isto se torna pouco, deve-se então nessa forma de pensar acumular sempre mais para poder viver melhor conforme o que o dinheiro pode te proporcionar.

Marx critica isso, pois por causa do capitalismo o trabalho é feito por muito para enriquecer a poucos. O homem então se encontraria forçado a vender seu serviço para poder sobreviver, não trabalhando só por si, mais também para seu superior que vive à custa de seu emprego, esse seria o conceito do mais-valia. Isso faz o trabalho ser um esforço sem fim do homem de enriquecer que nunca se esgota.