sábado, 2 de julho de 2011

As reformas protestantes

A centralização monárquica que se desenvolvia na Europa desde o fim da Idade Média deixava tensa a relação entre as monarquias e a Igreja, que até então era detentora de firme poder temporal. Além do domínio espiritual sobre a população, o clero também possuía poder político e administrativo sobre os feudos. O Papa, o líder da Igreja, recebia tributos provenientes de feudos de toda a Europa, e a formação dos estados nacionais botaram em questionamento esta prática para os monarcas.

Nessa mesma época também nascia o capitalismo, que acabou encontrando obstáculos na doutrina católica, que por sua vez condenava a usura, defendendo um comércio justo e sem intenções cobiçosas. [Isso comprometia, por exemplo, os bancários da época, pois empréstimo a juros era considerado pecado.]

A burguesia e a nobreza em geral estavam insatisfeitas com a Igreja, não encontrando mais nela necessidade de se impor sobre os burgueses, aristocratas e, principalmente, a monarquia.

A própria Igreja Católica vivia com suas crises e possuía causas que mais tarde os reformadores protestantes criticariam: Estava muito dividida entre o pensamento agostiniano e o do tomismo; o abuso do poder do clero, tornando um tanto quanto hipócrita fazerem pregações moralizadas; a incoerência da condenação usura e ao mesmo tempo a prática da simonia e a venda de indulgências.

Em pleno Renascimento era comum críticas as instituições clericais, e de que a Igreja deveria se adaptar aos novos tempos. Exemplos desses pensadores são Thomas More e Erasmo de Roterdã.

Também teve um predecessor, com os valdenses no século XII, seguidores de Pedro Valdo. Traduziu a bíblia para o idioma popular e a pregava sem ao menos ser sacerdote, repartindo bens com os pobres. Afirmava que cada um devia ter a Bíblia traduzida em sua língua, sendo ela fonte do papel eclesiástico. Se reuniam em segredo por causa da perseguição católica, e eram contra o culto à imagens, que consideravam como idolatria.

Porém, de fato, a Reforma Protestante nasceu com o professor universitário de Oxford de teologia chamado John Wiclif, e em Praga com Jan Huss.

Wicliffe atacava com suas críticas severamente a opulência e cobiça da Igreja e os valores tradicionais cristãos que esta perdeu do cristianismo primitivo como a devoção a pobreza material, a tradução da Bíblia para os idiomas de cada país e que o culto fosse feito nas mesmas línguas (pois eram feitos só em latim, língua por poucos dominada), e também defendia que o Estado devia ser superior a Igreja. Tanto Huss e Wiclif foram condenados a serem queimados vivos pelo Concílio de Constança em 1415.


A Reforma Luterana
O Sacro Império, atual Alemanha, era um país que na época ainda vivia em base feudal, agrária, com alguns adeptos ao capitalismo e mercantis ao norte.A Igreja ainda tinha grande influência e poder neste território, e a nobreza alemã estava desesperada para romper essa influência do clero.

O pensamento protestante no Sacro Império aconteceu graças a Martinho Lutero, professor de teologia na Universidade de Wittenberg e sacerdote agostiniano. Pregava a predestinação e negava a prática de jejuns e outras práticas comuns a Igreja.

Em 1517 publicou as 95 Teses, uma crítica radical à Igreja e ao Papa. O pensamento de Lutero dividia a nobreza alemã e até mesmo preocupava o Papa. Em 1530 publica a Confissão de Augsburgo, o fundamento da doutrina luterana.

Sua doutrina era igual qualquer outra protestante; rejeitava o tomismo,a leitura da Bíblia para todos e tradução da mesma para o idioma local, considerar apenas o batismo e eucaristia como sacramentos, submissão da Igreja ao Estado e supressão a adoração dos ícones (santos).

Lutero acabou sendo bem apoiado por grande parte da nobreza alemã, tendo até mesmo inspirado revoltas camponesas, em especial, Thomas Münzer. Apesar de ter sido inspiração, Lutero foi contra o movimento de Münzer.
  
A Reforma Calvinista
Na Suíça, a reforma iniciou com Ulrich Zuínglio, adepto de Lutero, desencadeando uma guerra civil qual o próprio Zuínglio foi vítima. Pouco tempo depois, chegava a Genebra o francês João Calvino, que passou a divulgar suas idéias e assim fundar uma nova corrente religiosa.

Seus ideais se fundamentam no princípio da predestinação absoluta, segundo qual todos estavam sujeitos à vontade de Deus, e somente poucos estariam sujeitos a salvação eterna. Os sinais de graça divina estariam numa vida plena virtuosa, trabalho diligente, sobriedade, ordem e parcimônia. O doutrina calvinista estavam mais próximas da apologia comercial da época e do capitalismo, o que fez com que fosse a doutrina protestante que fosse mais bem sucedida, se expandindo rapidamente pela Europa.

Inspirado em Lutero, Calvino também considerava a Bíblia como base da religião, não precisando se quer de um clero que seja regular. Criticava a adoração aos santos e admitia apenas o batismo e eucaristia como sacramentos.

Sua corrente protestante chegou aos Países Baixos, Dinamarca, Escócia (levado por John Knox, formando os presbiterianos), na França (com Jacques Lefevre e os huguenotes) e Inglaterra (com os puritanos).

A Reforma Anglicana
Na Inglaterra, a reforma desencadeou pelo rei Henrique VIII, que obteve dividendos políticos com o processo. Seu casamento com Catarina de Aragão teve anulação para se casar com Ana Bolena, e o monarca inglês rompeu assim com o Papa. Além das razões pessoais, a Inglaterra também já havia alguns desentendimentos com a Igreja desde o fim da Idade Média, o que inspirou ainda mais a reforma anglicana.

Em 1534 publicou o Ato de Supremacia, criando a Igreja Anglicana, qual o monarca Henrique VIII era líder. Apesar de se estruturar de forma similar ao catolicismo, a doutrina anglicana se aproximava do calvinismo.

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